sexta-feira, 24 de julho de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Sargento Jarrão




EM NOSSA página do Facebook alguém falou no concurso para a Escola.


Pois bem. Naquele tempo o concurso era em quatro dias: o primeiro era destinado a um evento chamado "concentração inicial", os outros três dias  para os testes de Português, Matemática e Ciências.


Em Belém a nossa concentração inicial foi no ginásio Serra Freire, do Clube do Remo. Tal evento era destinado somente a dar avisos e orientações sobre as etapas seguintes. Os exames de Português, Matemática e Ciências eram realizados em três dias distintos, diferente de hoje em que, por razões de segurança,  "concentração" e todos os testes intelectuais são concluídos no mesmo dia.


Não lembro bem, mas creio que o evento era de caráter eliminatório. Candidato faltou, estava excluído do certame. Sem choro.

Naquela manhã ensolarada, dentre a enorme quantidade de fiscais escalados, suboficiais e sargentos da área de Belém, destacou-se ao longe pelo tipo físico um robusto primeiro-sargento, uma espécie de sargento Garcia, gordo e barrigudo.

Nesse ano havia uma propaganda de tevê muito popular de uma bebida do tipo Kisuco ou Tang, não recordando este escriba exatamente a marca. A propaganda destacava uma pessoa em forma de uma grande jarra de suco, que era chamada de "jarrão". Era "jarrão" pra cá, "jarrão" pra lá...  A peça publicitária logo logo caiu na boca do povo.

Ao término do evento, já saindo do ginásio, a moçada divisou entre tantos outros sargentos a figura que não tinha como se esconder, e alguém passou a gritar: "Jarrão!... fala, Jarrão!". Logo todos, ou quase todos, gritavam em uníssono, numa alusão explícita à enorme figura que se destacava. Ao mesmo tempo que a galera caía na gargalhada, cada um deles escondido na multidão, aproveitando a ocasião para fazer aquilo que não tinha coragem para fazer em particular.

É claro que o sargento gordo sabia que a gozação era com ele. Se em seu íntimo estava brabo, é provável que sim. Mas se demonstrasse indignação e reagisse, era pior. Não tinha nada a fazer contra aquelas centenas de rapazolas de dezesseis a vinte e poucos anos, que pouco ou nada tinham a perder e que não deixavam escapar a oportunidade de sacanear alguém.

Esse episódio me vem à mente mais tarde para destacar que a grande maioria daqueles caras não estava levando a sério o concurso. Estavam lá somente para dar satisfação aos pais. Noventa por cento daqueles garotos, talvez até mais, não estava devidamente preparado, de forma que a quantidade de candidatos presentes não servia para aferir o grau de dificuldade do concurso. Bastava colocar força de vontade e determinação em conseguir seu objetivo, além de - é óbvio - uma dose mínima de preparação intelectual.

No entanto, eu não sabia disso. Mas nos dias das provas, este humilde escriba fez a sua parte, não se importando com aquela pequena multidão ali presente.  

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