domingo, 4 de outubro de 2015

FLÁVIO Migliaccio

Canivete suíço


SEMPRE ouvimos falar da Suíça como um lugar frio, onde se fazia um bom chocolate e se podia guardar muito dinheiro em contas numeradas. Para mim, era o paraíso dos corruptos, que tinham ali um porto seguro para depositar a grana conseguida em negociatas inconfessáveis. A Suíça, portanto, era como a caverna da história de Ali Babá e os 40 ladrões, que guardavam ali os tesouros amealhados em sua pilhagens.

Só que a história mudou. Depois de ser criticado por décadas e décadas, o governo suíço reviu os dogmas se seu sigilo bancário. E não foi apenas isso. O país que legitimava, junto com outros paraísos fiscais do planeta, a triste máxima de que no Brasil o crime compensa, passou de vilão a herói quando seu ministério público começou a investigar o escândalo das propinas pagas pela companhia francesa Alstom a membros do governo de São Paulo durante a expansão do metrô paulistano. Claro que a imprensa daqui, tucana até a medula, só noticiou, timidamente, porque a roubalheira foi descoberta na Suíça. Mesmo assim, esqueceu o caso rapidinho. Os suíços não.

Também da Suíça veio uma lista de brasileiros com contas no HSBC de lá, muitas delas, ou a maioria, não declarada ao nosso fisco. Outro escândalo, aliás, negligenciado pelos nossos jornais, sempre tão severos quando se trata de atingir o PT e seus aliados.

E agora surgem as contas secretas do presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, e de seus parentes. Pelo menos US$ 5 milhões, coincidentemente a mesma quantia que Cunha teria recebido, segundo quatro delações premiadas da Operação Lava-Jato, para facilitar contratos assinados pela Petrobrás.

Ou seja, a Suíça, em pouco tempo, transformou-se num agente da moralização no Brasil. Só falta nossas autoridades punirem os criminosos. (Rio Acima)  

Um comentário:

  1. Ya era hora que lo hicieran que la humanidad no se merece menos, ahora que copien los demás, un abrazo1

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