quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

ALCINO Neves dos Santos, o Gigante Alcino

De trombadinha a artilheiro: a incrível história de Alcino, maior ídolo do Remo


Muitas vezes o futebol é a redenção dos desafortunados. Seja para o torcedor que vê em seu time a única alegria, seja para o moleque de origem humilde que supera a miséria com dribles para virar um ídolo internacional. O futebol foi também a salvação de Alcino, um atacante da década de 70, considerado o maior jogador da história do Remo e atacante do Século XX no Pará.

CARIOCA da gema, Alcino era mais um negro pobre destinado a apenas sobreviver. O moleque, contudo, tinha um talento nos pés e viu no futebol a possibilidade de se destacar. O caminho não foi fácil e antes mesmo de ganhar alguma notoriedade nos campos, Alcino teve que se virar e apelou até para a criminalidade. O garoto se envolveu num roubo portando uma arma de brinquedo. Para escapar do xilindró, Alcino se mandou do Rio para Belém e na capital do Pará virou um mito.

Com pouca instrução, mas com muita formação nas ruas, Alcino se destacou com a camisa do Remo rapidamente. Era um provocador, arrumava confusões, chegando a até sair na porrada com um de seus treinadores, Paulo Amaral. Mas ninguém sobrevive no futebol apenas de polêmica. Alcino fazia muitos gols e garantiu muitas glórias à nação azulina. Foi três vezes consecutivas artilheiro do Campeonato Paraense (73, 74 e 75), quando o Remo foi tricampeão estadual. Ainda participou dos marcantes títulos do Norte e Norte-Nordeste de 71.


Durante esse período de glórias e artilharias, Alcino também vivenciou episódios que elevaram seu grau na mitologia do futebol paraense. É conhecida uma história em que o matador em pleno clássico contra o Paysandu driblou a zaga, e, para tripudiar com os adversários, sentou na bola antes de empurrar para o gol. Imaginem o que aconteceu depois. O artilheiro ainda colecionava histórias na boemia, gostava de celebrar com belas mulheres e bebida o estrelato e os troféus. Essa parte de sua vida cobraria um preço alto no futuro.

Mas antes de chegar no final melancólico, é importante ainda lembrar os feitos do “Negão Motora”, apelido que recebeu após mais uma de suas presepadas: roubou um ônibus de seu time e saiu dirigindo pela cidade até atropelar uma pessoa. Alcino é o segundo maior artilheiro do Remo na história, foi considerado o melhor atacante do futebol paraense no século passado, sem contar os diversos gols decisivos em clássicos e finais que marcou. Ainda jogou por clubes como Grêmio (onde foi artilheiro do Campeonato Gaúcho), Portuguesa e Rio Negro (AM). Encerrou a carreira com cerca de 400 gols.

Onde passou Alcino deixou histórias incríveis dentro e fora dos gramados. É sem dúvidas o detentor de uma das mais sensacionais biografias da história do futebol. Porém, como muitos craques com pouca instrução e excesso de vida noturna, o Negão não soube gerenciar o que ganhou com o futebol. Consumiu rapidamente o dinheiro que os gols tinham lhe garantido na carreira. A miséria voltou a lhe abrir um sorriso sombrio ao mesmo tempo em que o alcoolismo lhe destruía. Teve que se desfazer dos poucos bens que possuía e passou os últimos anos de vida vivendo de ajuda dos amigos e admiradores na cidade de Ananindeua. Faleceu em 2006, vítima de câncer. Em seu enterro mais um caso de desrespeito a história de grandes ídolos. O artilheiro foi sepultado sem sequer uma cerimônia ou uma mísera homenagem do Clube do Remo. Tudo que fizeram foi alugar um ônibus para levar alguns torcedores ao velório.  (Facebook, futebol eterno)

2 comentários:

  1. Alcino do Remo foi o maior atacante do sec xx do PA.
    Quarentinha do Paysandu foi o maior atleta (seja esportista, sejabjogador) do futebol paraense no século XX

    Ou seja, Quarenta >>>> Alcino

    ResponderExcluir
  2. Alcino do Remo foi o maior atacante do sec xx do PA.
    Quarentinha do Paysandu foi o maior atleta (seja esportista, sejabjogador) do futebol paraense no século XX

    Ou seja, Quarenta >>>> Alcino

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