domingo, 13 de dezembro de 2015

O PRIMEIRO Remo e Paysandú ninguém esquece

Por Rocildo Oliveira, via Facebook


O PRIMEIRO beijo, o primeiro amor e o primeiro RE-Pa ninguém nunca esquece. Eu já havia assistido um clássico, mas sem a presença maciça da torcida paraense. Era uma sexta feira 28 de abril de 1972, um jogo que valeu pelo torneio Pará-Goias-Maranhão. Na preliminar no estádio da curuzu, Goias e Moto e na principal o clássico Rei. O Mais Querido venceu por 2 a 0, um jogo sem grandes emoções que valeu mais pela atitude de Alcino, que, após um carnaval na intermediária listrada, resolveu sem mais nem menos, sem ninguém esperar, sentar na bola; ele poderia ter marcado o gol, mas resolveu tomar essa atitude que levou os torcedores remistas presentes a darem pulos de alegria e se esbaldarem em gargalhadas, enquanto os listrados indignados cuspiam fogo e xingavam o Gigante (Alcino), que, expulso de campo após um empurra empurra entre os jogadores, deixava o gramado de jogo escoltado por alguns policiais.


Mas faltava um RE-Pa de verdade, decisivo, e com as arquibancadas lotadas. E ele chegou: era o dia 12 de agosto de 1973, e a vitória daria ao vencedor a garantia de buscar contra a Tuna a conquista do título paraense da temporada. Meu pai, acostumado com esses jogos quentes, onde normalmente o pau cantava nas arquibancadas e até dentro do gramado, tinha a fixa intenção de não me levar  a esse grande duelo. Eu - porém - não me conformava, e chorava tentando convencer meu velho a me levar naquele que seria o meu primeiro RE-Pa decisivo. E assim consegui convencê-lo a me levar e enfrentar aquele caldeirão que fervia, que pulsava, que encantava e ao mesmo tempo amedrontava todos que, assim como eu , estavam ali pela primeira vez. 

Chegando às três da tarde, não conseguimos espaço no meio da torcida azulina, pois já se encontrava lotada a arquibancada da vinte e cinco de setembro. E aí, com muito sacrifício, chegamos do lado da Almirante Barroso. Era estranho estar lá do lado da torcida inimiga, mas valia tudo para estar ali naquele momento. Foi um jogo tenso, nervoso, onde o mais querido com uma melhor equipe a todo momento cercava a meta listrada defendida pelo arqueiro Borrachinha, que até ali era a grande figura do jogo. Mas infelizmente, apesar da pressão azul, Leônidas abre o marcador para os listrados; o Leão não se entrega e parte para cima dos bicolores, o caldeirão ferve mais. Numa investida pelo (lado) esquerdo do campo,  o Gigante (Alcino) é derrubado e a penalidade é marcada. Nesse momento eu vi o que era o RE-Pa: garrafas eram atiradas para todos os lados, no gramado os atletas se agridem, se xingam; na arquibancada listrada, um cidadão segura o abdômen esfaqueado, o árbitro recebe em cheio uma garrafada no rosto, aos trancos meu pai consegue me retirar daquele local, o jogo não termina.

Na segunda-feira, a Federação (antiga FPD) decide marcar um novo para o dia 14 de agosto de 1973, terça-feira. Mil homens fazem a segurança, estádio novamente lotado e desta vez coma televisão mostrando o jogo direto para a capital, e eu ainda assustado, assisti o Mais Querido vencer por 2 a 1, um dos gols de Roberto Diabo Louro, ...

E com essa vitória o Leão jogou contra a Tuna e com um 0 a 0, conquistou o invicto campeonato de 1973. E eu finalmente pude vivenciar a verdadeira guerra que era um Remo  vs. Paysandú dentro do caldeirão que era o Baenão. 

Um bom domingo a todos que assim como eu ,torcem e se emocionam como filho da glória e do triunfo. 

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