quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

FELIZ aniversário!






domingo, 25 de janeiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Coronel Peçonha

Por Lázaro Curvêlo Chaves


Lázaro Curvêlo
HAVENDO sido Segundo Sargento da ativa da FAB por 14 anos e sempre me orgulhado muito por estar trabalhando pelo progresso de minha Pátria, em determinados momentos passamos coisas muito estranhas no Brasil. Eis aqui um dos fatores de certa desilusão. 


O cidadão, cujo nome me escapa por uma destas razões inconscientemente explicáveis, granjeou este apelido graças à sua postura. O dia podia estar lindo, com pássaros cantando e flores se abrindo, mas quando ele aparecia, "em peçonha"(daí o apelido), o tempo fechava, nuvens negras cobriam o horizonte, os pássaros recolhiam-se a seus ninhos, as flores murchavam... 

Sendo 2º sargento técnico em eletrônica, estava eu um dia calmamente ajustando a temporização de um relê na Central Telefônica da Base Aérea em que trabalhava (naquele tempo ainda se usava relês em centrais telefônicas...) - coisa tão complicada que já nem me lembro mais como é que se faz, só sei que exige um osciloscópio, paciência e, sobretudo, muita concentração e raciocínio lógico - quando chegou o Coronel Peçonha: "A partir deste momento você está transferido para a Seção de Serviços Gerais e sua primeira tarefa por lá é, em vinte minutos, efetivar reparos na latrina da suíte do comandante da base, que se encontra enguiçada." 

sábado, 24 de janeiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Formiga Atômica



DAQUELA dúzia de colegas que não conseguiram concluir o curso por terem sido excluídos por razões disciplinares, tinha mais proximidade com três deles: Santana, Nunes e Pedroso. Os dois primeiros, meus conterrâneos; o terceiro era gaúcho.

Lembro ainda hoje muito bem do rosto juvenil de cada um deles, como diz o colega Pinheiro. Além do rosto, lembro do jeito de cada um. Santana, talentoso desenhista, era um cara baixinho e atarracado, branco com algumas sardas, cabelos bem penteados para trás. Tocava violão, que ele, quando não estava usando, deixava guardado na sargenteação. Após o término do expediente, depois das cinco, entre o banho e o horário de jantar, geralmente era o período em que Santana, sentado na cama de campanha e pegava seu violão e ensaiava algumas músicas. Detalhe é que fazia isso completamente pelado. Tinha na ponta da língua algumas paródias, como a do clássico musical "A Banda", de Chico Buarque, em que ele trocava as letras por outras risíveis porém censuradas. Banda virava 'bunda' e entre as pessoas que iam à janela ver a banda passar estava lá uma prostituta, ou puta, como ele cantava para diversão dos mais próximos.

"E a puta velha debruçou na janela
Pra ver se a bunda era igual à dela..."

Criou um roque, o "Roque do Aluno", em que resumia a rotina da semana, iniciando com a segunda e findava com a sexta-feira. Tinha o dia do boi-ralado e tinha o dia do Caveirinha, também.

"Eu sou aluno
Eu sou aluno"

Era o refrão. Esse paraense era um artista de talento mesmo.

Nunes, Expedito Nunes, que era enfermeiro, era adepto do fisiculturismo, que, naquele tempo não era conhecido por esse nome. Praticava halteres ou fazia ferro, no popular da época. Baixinho também, porém bastante forte, daí ter ganho o apelido de "Formiga Atômica", que era um desenho animado que passava na tevê. Era já um cara de mais experiência, em comparação a nós mais novos, e já tinha sido soldado do Exército. Foi espelhado nele que passei a frequentar a sala de musculação - não se dizia "academia", como hoje - a fim de ganhar alguns músculos, disfarçando assim o meu evidente raquitismo. Ganhei então alguns centímetros de bíceps e de peito, pelos supinos que costumava fazer duas ou três vezes por semana. 

Pedroso, acredito que era enfermeiro. Não tenho bem certeza. Era um gaúcho de Porto Alegre - a julgar pelo sotaque característico - do tipo malandro. Lembro perfeitamente de tê-lo ouvido falar que um de seus sonhos era comprar um apê. 

Todos foram afastados do nosso meio por conta do consumo de tóxicos. Eu de nada desconfiava, de tão ingênuo que era. Depois do ocorrido é que vi que aqueles caras eram mais avançados de que a maioria. Vestiam-se bem, apesar do parco salário que o aluno da Escola de Especialistas recebia por mês. Dizia-se que eram ajudados pelos pais, que lhes mandavam dinheiro. Eu, por minha conta, lembro sempre daquela máxima, bastante repetida pelo Corpo de Alunos: "Aluno só é pobre porque quer."

Porém não os censuro, porquanto estaria a julgá-los. O julgamento é próprio de Deus, e cada um de nós tem os seus defeitos. Cabe a nós ressaltar as qualidades e minimizar os defeitos, e, se tivermos condições, aconselharmos. No caso desses colegas, se tinham esse vício, é possível que tivessem qualidades.

Recordo que logo que cheguei, na primeira série, ainda desconhecendo muita coisa, o Nunes me chamou à parte. Estava eu de décimo, o uniforme da Suat, como costumávamos brincar. Era o meu primeiro serviço de plantão. 

- Valentim, quando o rondante chegar, você se apresenta a ele e diz "Aluno 77 1574 Valentim, serviço sem alteração". 

Eu não sabia disso. Ninguém antes tinha me falado. Mas ele, vendo que estava mais perdido que cego em tiroteio, tomou iniciativa e orientou-me. Jamais me esqueci disso.

Era, apesar da dificuldade, um cara legal. Não há um bom sem defeito, como diz minha mãe, e o contrário também. 

Cheguei a mandar uma carta ao Santana, com quem tinha mais contato já que o armário dele ficava próximo ao meu, a fim de expressar minha solidariedade. Não obtive resposta.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CLÁSSICOS do Valentim

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

A Revista de Pernoite

A HORA da revista de pernoite era um acontecimento. Nós tínhamos a capacidade de transformar aquela obrigação rotineira e enfadonha em algo divertido. Era o momento em que o aluno-de-dia fazia a chamada a fim de verificar se todos se encontravam presentes. Acontecia de segunda a quinta, às dezenove.

Cada aluno, em posição de descansar a frente de seu armário, era chamado pelo seu número, que em nossa turma começava com o 1065, Délio, que entrou zero hum; terminava com o 1578, não lembrando eu quem era o último a ser chamado para fazer parte daquela turma inesquecível, a de número 171 da Escola de Especialistas de Aeronáutica. O meu estava quase lá. Era 1574, pois cheguei à Escola como reserva, convocado quando quase todos os colegas estavam em Guará, já bem adaptados à rotina daquela escola militar. Quanto a mim, não sabia distinguir um taifeiro de um tenente.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

FORÇA Aérea abre inscrições para sargento controlador de tráfego



SEGUE aberto até 20 de janeiro de 2015 o período de inscrição do novo concurso público da Aeronáutica, o qual oferta de 36 vagas para o Curso de Formação de Sargentos (CFS-B) na especialidade de Controle de Tráfego Aéreo.

Para participar da seleção, necessário o ensino médio completo e que o candidato não seja menor de 17 anos e nem completar 25 anos até o dia 31 de dezembro de 2015, entre outros requisitos. 

A seleção será realizada através de provas escritas (língua portuguesa, língua inglesa, matemática e física), inspeção de saúde, exame de aptidão psicológica, teste de avaliação do condicionamento físico e validação documental.

Segundo o edital, as provas escritas ocorrerão no dia 15 de março e a apresentação dos aprovados em todas as etapas na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) será no dia 28 de junho.

O curso de formação é ministrado na EEAR, em Guaratinguetá (SP), durante dois anos. Após a conclusão do curso com aproveitamento o aluno será nomeado Terceiro-Sargento e receberá um salário inicial bruto de R$ 3.267,00.

As provas serão aplicadas em Belém, Recife, Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, São José dos Campos (SP), Campo Grande, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Manaus e Porto Velho.

A ficha de inscrição estará disponível no site da Aeronáutica. A taxa custa R$ 60.

(com informações da Aeronáutica / Diário do Pará)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

FLÁVIO Caça-Rato chega ao Clube do Remo

SE NO DESEMBARQUE em Belém, o atacante Flávio Caça-Rato já teve recepção digna de ídolo, na apresentação oficial no estádio Evandro Almeida, a festa foi ainda mais surpreendente. A torcida azulina compareceu em peso ao Baenão, debaixo de um calor escaldante, para recepcionar o atleta, bastante ovacionado a cada entrada no gramado.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

O caso da ordem do dia


DURANTE meus trinta anos de serviço militar convivi com muitos oficiais e assessorei diretamente a alguns comandantes.

Ficou marcada em minha memória definitivamente um deles, sujeito ímpar, dono de um grande espírito militar. Com nem tudo, porém, a ele atribuído eu concordo.

Durante as sessões de educação física, instrução que ele era bastante assíduo, participava ativamente. Costumava posicionar-se atrás da tropa, a qual incentivava várias vezes bradando palavras de ordem e de incentivo. Aquele comandante personificava ali o aforismo "A palavra convence, o exemplo arrasta". E foi assim em toda a sua gestão à frente daquela Organização Militar.

Logo depois dos exercícios localizados, a tropa se dividia em grupamentos para a corrida, conforme a faixa etária. Ele apresentava-se para comandar o grupamento dos militares acima de quarenta anos, que era o meu grupo.

Empenhava-se como sempre nessa função. E exigia de nós como nunca ninguém antes. Em certo trecho da corrida, mandava que corrêssemos de costas, de lado para a esquerda, de lado para a direita, em terreno fofo... Hoje, eu agradeço às ações algumas vezes julgadas excessivas daquele oficial superior. Aquelas corridas, que pratico até agora, hoje, em face da minha condição de saúde, muito me fazem bem.

Outra vez, numa solenidade militar tudo transcorria normalmente, até que o comandante desceu do palanque para ler a ordem do dia. Ficou ali olhando para um lado e para outro, e ninguém lhe trazia a folha de papel onde se leria a tal ordem do dia. De repente, barulho de aeronave. Era um helicóptero do 1º do 8º. Pairou próximo e um militar desceu de rapel, tão logo ao solo ele correu em direção ao comandante, entregando-lhe um bastão assim que desfez a continência regulamentar.

Era a ordem do dia, que o comandante prontamente passou a ler. Estava tudo previamente combinado.  

ENFIM chegamos 2015 e quase nada se concretizou daquilo que o filme "De Volta para o Futuro" prometeu

1. Hidratador de alimentos


Universal Pictures

Especificamente fabricado pela Black & Decker. Será que eles mudariam o slogan deles para “Nós sabemos hidratar uma pizza!”?

2. Cadarços automáticos



Universal Pictures

Porque amarrar sapatos é tão superestimado!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

RENATO Aragão e a piada racista!

LEIO agora comentário atribuído ao ex-comediante Renato Aragão. Segundo o ex-humorista, antigamente os negros e homossexuais não se ofendiam. Naquele tempo era comum os programas de humor usarem e abusarem das piadas racistas e preconceituosas. Estava tudo bem. Era normal.

No tempo da escravidão negra também estava tudo bem, e era natural o feitor chicotear o escravo negro. Nenhum deles se queixava porque não tinha quem ouvisse, e não porque aceitassem como certo.

Mas até hoje há quem pense assim. E a cada piada racista ou insulto racial ou preconceituoso é como se eu recebesse uma chicotada do feitor. Dói.

Exatamente isso. Hoje há quem defenda as minorias.

Mas, sendo fato verídico, essa frase infeliz, vindo de quem vem, não me surpreende. Apenas lamento.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

A fina flor da juventude brasileira


QUANDO eu digo que nós da Tarjeta Branca, turma 171, éramos do jardim da infância pode parecer exagero a muitos que não viveram na condição de aluno da Escola de Especialistas naquele biênio, final da década de 1970. Em outras palavras também dizia-nos o mesmo o Professor Evandir (essa profissão deve ser grafada por extenso, tal era a grandeza daquele profissional que nos ministrava Educação Física):

"Vocês são a fina flor da juventude brasileira".

Pois bem, estávamos todos no galpão de escreventes. Entre uma aula e outra, o intervalo se constituía em festa, tal a algazarra (ainda se diz assim?) que promovíamos. Uma delas era os apelidos que eram atribuídos (e o autor da maioria dos apelidos era o Délio, o nosso zero um) a vários de nós.

domingo, 4 de janeiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Inveja, mesquinhez e lealdade

AQUELA apresentação era mais uma das tantas a que eu recebera a incumbência de realizar. Estavam lá os oficiais responsáveis pelos esquadrões e seções da Unidade. Como era eu chefe de pessoal, modernamente chamado de Recursos Humanos, tornou-se comum o comandante me chamar para dar alguma explicação ou orientação a todos sobre as questões da área.

REMINISCÊNCIAS do front!

Guerra, sombra e água fresca



NUMA tarde chuvosa de 1997, o Cel. Biasus, comandante do CPBV (Serra do Cachimbo - PA), recebe o prefeito de Guarantã do Norte - MT e sua comitiva. O blogueiro é o último à direita. (BLOGUE do Valentim em 04jan.2013)