quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

REFERÊNCIA elogiosa à turma 171 da Escola

Por Cláudio Eugênio


QUERO deixar meu registro como a nossa turma se encontra nos dias atuais. Vejo que nós não paramos no tempo. Hoje grande parte já se encontra na reserva (aposentadoria) e outros ainda continuam na ativa como suboficiais ou oficiais. A nossa turma conta também com colegas em vários ramos atividades, como empresários, juízes, engenheiros, médicos, jornalistas, auditores, escritores, professores, dentistas, advogados, bancários, secretários de órgãos públicos e etc.

Também sei que houve colegas da nossa turma que não conseguiram ser estabilizados, mas eles fazem parte da turma 171ª (1977 a 1979), como exemplo o nosso companheiro Pacelli, que é um excelente topógrafo, acho que o Reis (lobinho) sabe onde encontrá-lo. Vamos convidá-lo para entrar no grupo, não vamos deixar de esquecer os que entraram e não conseguiram se formar na nossa turma, mas deixaram o seu legado.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Tributo aos heróis anônimos da minha época



PEGO emprestada a fotografia do Cb Senna (nem sei se era este o seu nome de guerra quando cabo, mas isso não vem ao caso agora) para, utilizando este espaço democrático de convivência virtual, render minha homenagem aos colegas que antes da Escola já eram cabos, os chamados cabos velhos.

Sempre admirei aqueles colegas que, antes da Escola, eram cabos ou até mesmo soldados. Não era somente pela experiência militar que já possuíam, porque isso a gente adquire com o tempo. Eu também seria experiente se já fora militar antes de ingressar na Academia do Pedregulho. O diferencial consistia na questão salarial. Todos sabemos que naquela época a legislação não contemplava a manutenção do mesmo salário de antes ao militar que ingressasse numa escola militar. Era aceitar o salário de aluno ou não ingressasse como aluno.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

Uma esquadrilha toda detida


Por Lázaro Curvêlo Chaves

ELETRÔNICA, para satisfação geral de quem gostava, era a mais numerosa das especialidades. Tinha fama de ser dificílima, só superada pelo rigor necessário ao Controle de Voo. A Fotografia também exigia muito. Via de regra, o zero um, o zero dois e o zero três de cada turma saíam dessas especialidades. Na terceira série fui o fui xerife da esquadrilha e da turma, pelo menos durante algum tempo. Cabe ao xerife, entre outras coisas comandar o deslocamento da turma em marcha para o galpão da especialidade, para o rancho... Além disso, ficava incumbido de auxiliar o sargenteante de sua esquadrilha nas funções de escritório e era ainda responsável pela preciosa chave da sargenteação, onde guardávamos nossa bagagem civil.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

Caveirinha

Alguns comentários, via Facebook, colhidos por mim


O CAVEIRINHA era uma figura!! O Ximenes, MT da Amarela, 168ª Turma, contou-me que uma noite estava de serviço de sentinela na casa do Brigadeiro, e lá pras tantas ouviu um chapinhado no lago. Contou-me ele que se aproximou, pé ante pé, e vislumbrou um botinho inflável no meio do lago, e nele o Ximenes reconheceu o Caveirinha, que estava pescando(o que era proibido), e resolveu sacaneá-lo. - Quem está aí? perguntou. O Caveirinha ficou parado, sem fazer barulho.  "Quem está aí?" tornou a perguntar, sem resposta. Então ele destravou o HK-33, com aquele barulho peculiar, e falou:  "Vou contar até três, se você não se identificar, eu vou atirar.  Um! ... Dois!" Então o pescador apressou-se em dizer:  "Não atire aluno, sou eu, o Sgt. Rodrigues!!" E o Ximenes, sacaneando: "Não conheço nenhum Sgt. Rodrigues, vou atirar!!!" E o pescador:  "Não atire, aluno; é o Sgt. Caveirinha, é o Sgt. Caveirinha!!!!" kkkk (Vargas)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

Qual especialidade?


ERA mais uma manhã no Corpo de Alunos. Alvoroço geral com aqueles dois milheiros de alunos que iam saindo apressados de suas respectivas esquadrilhas, correndo para entrar em formação, tal como de costume. Como era o previsto para a semana de segunda a sexta-feira, a imensa tropa mais uma vez fracionava-se em grupos menores conforme as salas de aula ou galpões de especialidade. Cada grupo com seu respectivo comandante, o aluno escalado como xerife para o dia, para cuidar que todos estivessem em seu lugar no devido tempo e na necessária ordem, exigindo de todos vivacidade, silêncio, imobilidade, vez que ali não era lugar para molengas nem ocasião de bagunça. Este aluno, o xerife, tinha que ser o primeiro a chegar ao pátio do Ceá, local onde todos os alunos entravam em formatura.

– Rápido, moçada!
– Entrou em forma, não mexe mais, aluno!
– Posição de descansar correta!
– Mãos coladas à coxa, cabeças erguidas, dedos unidos. Polegar também é dedo!
– Imobilidade! Vou apresentar ao aluno de dia.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

POLEGAR também é dedo!


SE VOCÊ sabe o que quer dizer RPM, que não é aquela conhecida expressão estudada em Física; 

Se você sabe o que significa "muvuca", sem ser aquele programa antigo da Regina Casé;
Se você sabe e já andou de "Pássaro Marrom";
Se você sabe quem era o Caveirinha, o J. Carlos, o Egito, o Magalhães, o Bonin e o Arrais (Pá! Morreu, companheiro!);

sábado, 14 de fevereiro de 2015

CLUBE do Remo, primeiro campeão do Norte há 46 anos

Por Rocildo Oliveira


APÓS cinco meses de intensa disputa, Remo e Piauí, que na semifinal, haviam eliminado da competição o Nacional de Manaus e o Paysandú, respectivamente, chegavam a final do primeiro (campeonato) Norte e Nordeste de Clubes, patrocinado pela CBD, gestora do futebol brasileiro naquela época. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Metonímia



NOS MEUS tempos de colégio aprendi que metonímia é o uso de uma palavra significando outra, existindo relação entre ambas, semelhança. Há diversos tipos de metonímia: o autor pela obra (Leio Machado de Assis), o continente pelo conteúdo (Bebeu do cálice inteiro), a marca pelo produto (Meu filho gosta de danone) ... 


Pois bem. Na Escola, entre 1977 e 1979, numa turma de quase meio milhar de almas, era muito comum tratarmos pelo apelido alguns colegas. Certos apelidos o tempo não conseguiu deletar da nossa memória, permanecendo até hoje, quase 38 anos depois, em nossa mente, igualmente ao rosto juvenil de grande parte desses colegas, máxime os mais chegados.

Outro dia, localizei no Facebook o Rubens de Castro Silva Júnior, que formou especialista em Armamento (Q AR). O nome dele aparece como Rubens Júnior. Rubens Júnior? Não, não o reconheci no momento pelo nome, que a memória não reteve. Olhando bem a fotografia dele, reconheci os traços daquele rosto juvenil, desde julho de 1979 jamais por mim revisto. Sim, era o Franca. Franca, sua cidade de origem, nome pelo qual ficou conhecido entre nós.

Então, lembrei que, sem querer, acabamos por criar naquela época mais uma metonímia: a cidade pelo indivíduo. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Do outro lado do balcão


Por Nicanor da Silva Crisóstomo



CERTA vez estava eu de serviço no PAMA-SP (Parque de Material Aeronáutico de São Paulo) fiscalizando o rancho (refeitório) com meu amigo de turma, o Bromberg, que muitos de vocês conhecem. Quando todo mundo entrou a gente começou a conversar, entramos num assunto sobre ter ou não ter cachorro em apartamento.


O Bromberg era um cara muito ativo no prédio da vila, onde a gente morava, e ele estava contando que numa reunião do síndico o pessoal ia votar se proibiriam ou não ter cachorro em apartamento. Quando a maioria estava decidindo proibir, ele se manifestou falando mais ou menos assim: "Pessoal, vocês têm que entender que existem pessoas que tem muito amor pelos seus animais de estimação, tem filhos pequenos e se os obrigarmos a se desfazerem de seus cachorros será um transtorno muito grande na vida dessas pessoas". E continuou mostrando seus argumentos do porquê não deviam proibir os cachorros no apartamento. Eu estava ali perto ouvindo tudo e, quando ele acabou, eu perguntei: "Você tem cachorro Bromberg?" Ele virou a cara indignado pra mim e respondeu: "Eu não! Você acha que sou maluco de criar cachorro em apartamento?"

Para mim aquilo foi uma grande lição que até hoje eu nunca esqueço e criei uma grande admiração pelo Bromberg. Apesar dele não aprovar a ideia de se ter cachorro em apartamento, ele perdeu um tempão defendendo quem tinha. Não é porque a gente não gosta de uma coisa, ou somos contra alguma coisa que não podemos entender o lado de quem gosta.


Não proibiram os cachorros.

Isso. É preciso passar para o outro lado do balcão. O que não se quer para nós, não devemos querer para os outros.


Nicanor da Silva Crisóstomo é nosso colega de Escola de Especialistas de Aeronáutica, turma 171, tarjeta Branca!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Sargento Caveirinha



EM MINHA época de Escola de Especialistas, final da década de 1970, havia um primeiro-sargento cuja figura me ficou indelevelmente marcada na mente. Aliás, todos os alunos daquela época jamais esquecerão do sargento Rodrigues, o Caveirinha, apelido ganho graças à sua aparência incomum,  à fama de sargento mau e ao rigor em que agia como instrutor de Ordem Unida para todo o Corpo de Alunos, constituindo-se o terror daqueles alunos de primeira série. Feio (feio, não: horrível), hoje seria comparado ao "Seu Madruga", do seriado mexicano Chaves.

A maioria de nós, aquele meio milhar de jovens oriundos de todas as partes do Brasil, era egresso da vida civil, nada entendendo de militarismo. Não sabíamos discernir nada, e devíamos aprender tudo num curto período de dois ou três meses a fim de prestarmos o compromisso de juramento à Bandeira, uma obrigação regulamentar imposta a todo brasileiro que ingressa nas forças armadas brasileiras. Exceção era feita aos jovens que antes eram soldados ou cabos, que já vinham escolados, porém tinham que passar igualmente por todas as instruções, quer fossem teóricas (regulamentos) ou práticas (ordem unida).

Caveirinha, sujeito magro, cara chupada e espesso bigode, era o sargento mais afamado e mais temido entre a alunada. Pegava no pé especialmente daqueles que tinham dificuldade motora, e que, muitas vezes pelo nervosismo natural, não discerniam entre "direita volver" ou "esquerda volver", nem acertavam o passo ao marchar, e muito menos tinham habilidade com o manuseio do armamento, que naquela época era o velho e pesado mosquetão usado na primeira guerra. Caveirinha não deixava passar qualquer deslize, e com isso a turma ficava mais nervosa e trêmula. Para nós, a impressão que ficava era que ele se comprazia com o nosso sofrimento.