quinta-feira, 26 de março de 2015

CLÁSSICOS do Valentim

Jorge Loredo: Zé Bonitinho







Obrigado, amigo Zé Bonitinho. Descanse em paz!

MEMÓRIAS azulinas

Há 37 anos, o primeiro Remo e Paysandú no Mangueirão

Por Rocildo Oliveira

PRIMEIRO clássico da história do mangueirão, 26 de março de 1978. Foi um jogo realizado debaixo de muita chuva, onde prevaleceu a garra das duas equipes. O Remo, com uma equipe mais entrosada, buscou sempre a vitória, mas esbarrou na forte marcação bicolor. Um jogo cheio de jogadas ríspidas, que acabou tendo um justo resultado de 0 a 0.

A peleja foi válida pela primeira rodada do campeonato brasileiro da primeira divisão.

Nas imagens, uma ideia aos mais novos torcedores de como foi, e de como terminou o clássico, que foi marcado pela dureza e rispidez das jogadas. Apesar do 0 a 0, em virtude do Paysandú ter colocado em campo o zagueiro Lineu de forma irregular, o Mais Querido acabou ficando com os dois pontos da partida.

O Remo alinhou com Edson; Assis, Darinta, Dutra, Luís Florêncio; Aderson, Mego; Mesquita, Leônidas (Humberto), Bira e Júlio César. Treinador: Joubert Meira. O Paysandú jogou com Reginaldo; Paulo Marabá, Lineu (Fernando), Aloísio, Zuza; Carlinhos Maracanã, Patrulheiro; Gabriel (Fefeu), Wilfredo, Nilson e Mazzini. Treinador: Aureliano Beltrão. 








Imagens do primeiro clássico jogado no estádio mangueirão, em 26mar.1978.  O jogo foi realizado num gramado molhado e pesado devido à forte chuva que castigou a capital paraense naquela histórica data. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

MEMÓRIAS azulinas

1974: Leão bicampeão


Por Rocildo Oliveira


JOGO nervoso, estádio lotado. O empate garante o bicampeonato ao Mais Querido. Decorrem 35 minutos do segundo tempo, o maranhense Prado recebe a redonda pela intermediária lusa, percebe a passagem de Neves pela canhota, e dá um passe milímetro para o ponteiro azulino, que ultrapassa o lateral direito tunante Paulo Marabá, levanta a cabeça e faz um belíssimo cruzamento para dentro da pequena área, como um foguete sobe o gigante Alcino e, numa magistral cabeçada, marca um golaço, estufando o barbante luso e marcando o que seria o seu décimo segundo gol no campeonato, garantindo ao Azulino paraense o título invicto do Paraense de 1974.

Imagem maravilhosa, registrada pela lente do competente fotógrafo de A Província do Pará, Braz da Rocha, em 18dez.1974.

terça-feira, 24 de março de 2015

DAUMAS, da 171ª turma, é o suboficial especialista mais antigo da Aeronáutica

O Suboficial Daumas, especialista em meteorologia, veste a farda da FAB há quase 38 anos






EMBORA tenha se formado em uma sexta-feira 13, em julho de 1979, a data não deu má sorte à carreira profissional do Suboficial Antônio Carlos Daumas, o suboficial especialista na ativa mais antigo da Força Aérea Brasileira. Segundo o Comando-Geral do Pessoal da Aeronáutica (COMGEP), entre os especialistas da ativa, mais de 90% são graduados.

O Suboficial, que é meteorologista e atua no Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA), no Rio de Janeiro, relembra, em detalhes, como era a vida de aluno da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), em Guaratinguetá.

“Eu me lembro muito bem de quando o ônibus da Viação Sampaio chegou à escola, no dia 15 de julho de 1977, por volta das 18h; lembro, inclusive, do cardápio do jantar. A rotina era muito dura, mas o conhecimento compensava. Acordávamos, todo dia, às 5h30min, engolíamos o café da manhã, que começava às 6h, e, uma hora depois, já estávamos em instrução”, afirma.

O Suboficial Daumas, que escolheu a carreira de meteorologista devido ao gosto pelo estudo de ciências e astronomia, e seu irmão gêmeo, Francisco, passaram juntos no concurso da EEAR já na primeira vez que prestaram as provas. Eles foram influenciados pelo pai, agora falecido, que falava aos filhos sobre a seriedade das instituições militares. “Eu e meu irmão estudamos, fomos aprovados e nos formamos juntos, numa sexta-feira 13 gelada, em que a temperatura chegou aos 2º C, mas muito feliz. Meu irmão, que é da especialidade de eletrônica e já foi para a reserva, serviu durante quase toda sua vida profissional no Serviço Regional de Proteção ao Voo do Rio de Janeiro (SRPV-RJ), onde tivemos o prazer de trabalhar juntos”, relembra. 
Na foto, o Suboficial Daumas e seu irmão no dia da formatura da EEAR, juntamente com os avós maternos, imigrantes italianos


Em seus quase 38 anos de serviço, o militar experimentou mudanças na instituição e na forma de trabalho, entre as quais, destaca a informatização dos processos. “O computador chegou em minha unidade, o SRPV-RJ, em 1994, e nós, que éramos da época da datilografia, tivemos que nos adaptar às rápidas mudanças tecnológicas. Porém, confesso que, às vezes, sinto saudade da minha máquina de escrever marca Wellington, que eu chamava de tartaruguinha touché, em referência a um antigo desenho animado, devido ao seu formato redondo e bojudo”, ressalta.

Casado há 27 anos e pai de três filhos, Daumas já passou por quatro unidades da FAB, no Rio e em São Paulo, além da atual. Também fez parte da representação brasileira na Junta Interamericana de Defesa, em Washington (EUA), entre dezembro de 2007 e janeiro de 2010. “Além da realização de um sonho e de realização profissional, servir em Washington foi um grande aprendizado, pois nunca tinha saído do país até então. Aprendi a falar e escrever em inglês e espanhol, que eram as línguas mais faladas na junta”, conta.

O Suboficial vai para a reserva da Aeronáutica em maio deste ano, por completar a idade limite permitida, mas não pretende se afastar do trabalho tão cedo. “Enquanto eu tiver força e saúde para contribuir com a sociedade, eu o farei”, avisa. Para os 1.471 alunos que estão, hoje, na EEAR, ele deixa seu recado. “Ser especialista é ter a capacidade de ir além do conhecimento que adquiriu, pois a FAB vai precisar sempre desse elo tão significativo e eficaz que é o sargento especialista, para cumprir a nobre missão de proteger os céus do Brasil e manter nossa soberania. Não desistam dos seus sonhos”, finaliza. (FAB)


Justíssima homenagem ao suboficial Daumas, nosso colega da Branca Turma 171 da Escola de Especialistas, por ocasião do Dia do Especialistas, 25 de março. Aliás, a bem da verdade, eu nunca soube distinguir um do outro, o Daumas do C. Daumas.

Parabéns, companheiro! 

sexta-feira, 20 de março de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

As primeiras avaliações


DORMI um sono tão pesado que nem me dei conta da zorra que faziam os cariocas e paulistas (principalmente os primeiros) quando chegavam na madruga de volta de casa. Acordei-me com o toque da alvorada e o imediato acendimento das lâmpadas no grande alojamento. O Almeida Pinto sempre ligava o radinho de pilha, normalmente na mesma emissora de rádio. Guará tinha duas emissoras, mas acho que era a rádio Liberdade, a Jovem Li. Eternizava-se na memória o patrocinador do programa matinal. A alunada aproveitava para fazer rima: "Café Cocaio, aquele que é bom pra cara...!". A moçada se divertia com a sacanagem, uma forma de arrefecer a dura a rotina semanal que se iniciava.

Diferente da minha terra, onde os dias tinham o mesmo tamanho durante o ano, notei que com o passar daqueles dois meses, as jornadas guaratinguetaenses começavam cada vez mais cedo e terminavam cada vez mais tarde. Era o charme da primavera que dava as caras na região, tornando mais bonitos os dias e as árvores, mais floridas. No CA, o corneteiro tocava a alvorada e mais alguns minutos depois o Sol raiava na Escola, com a passarinhada festejando a chegada de mais um dia. Assim mesmo ainda era necessário o uso da japona como proteção contra aquele friozinho que que fazia nas manhãs de outubro e que judiava de nós, mormente os alunos oriundos da região norte brasileira.

Ordinário marche, cantando o esbelto infante, que a DI nos esperava com as primeiras provas. Seja o que Deus quiser!

O fiscal da prova dava as instruções de praxe. Nessa segunda em particular ia ser a prova de CGA. As demais primeiras avaliações, Português, TB, regulamentos e Inglês, estavam previstas para a terça até a sexta-feira, respectivamente. 

"Tenham calma e atenção. Procurem resolver as questões mais fáceis em primeiro, deixando as que tenham dúvida para depois".  Era o sargento encarregado de fiscalizar aquela prova, procurando ser camarada, a nos orientar. "Não tentem, nem pensem, nem imaginem, usar de meios ilícitos. Quem for surpreendido, será punido com o desligamento do curso. É cada um por si e Deus por todos. Além de mim, ainda há um oficial encarregado de fiscalizar as salas de aula deste corredor. Portanto, não dêem mole". - continuava a dizer ele olhando por cima dos óculos.

Enquanto o sargento falava, eu, precavido, ia pondo o armamento em cima da carteira: duas canetas, lápis, apontador, borracha, e tudo o mais que achava necessário. Era natural que estivesse com aquele friozinho na barriga, mas confiante em camburar aquela primeira etapa. O nervosismo era um estado natural diante do desconhecido, mas havia me preparado a contento e nada havia a temer.

"Os senhores têm quarenta minutos para a resolução da prova, que contém 25 questões. Depois, ainda terão 5 minutos extra para o preenchimento do cartão-resposta". Continuava o sargento. "Respondam somente as questões que têm absoluta certeza, deixando em branco as que tiverem dúvida" - repetiu -. "Lembrem-se o critério de que três questões respondidas erradas anulam uma que vocês tenham respondido certa, e assim proporcionalmente". 

Logo em seguida, escreveu no quadro verde o horário de início, mais (+) 40 minutos, para orientar os alunos, e, por fim, a seguinte equação, destinada ao mesmo tempo a esclarecer, e também a desestimular os chutadores contumazes:


N = (QC/QT) x 10 - (QE/3)

N = nota; QC = questões certas; QT = questões totais; QE = questões erradas

"São agora, no meu relógio, 8 horas e quarenta minutos. Senhores, podem começar", ordenava o graduado.

A sorte estava lançada; que Deus nos ajudasse.

À medida que eu lia as questões propostas e analisava, de cada uma, as quatro alternativas, ia me tranquilizando. Nenhuma surpresa, pois toda aquela teoria ainda estava fresca na memória. Discretamente, de quando em quando, olhava de rabo-de-olho os colegas para ver como se comportavam. O Américo, o João Rodrigues e o Zé Bernardi aparentemente estavam calmos, compenetrados; já o Jorge Silva, o Pedrão e o Chico dos Anjos transpiravam;  seus semblantes correspondiam ao nervosismo, demonstrando dificuldade na resolução daquela prova de CGA. A turma era unida, exceção de um ou dois, mas ali no momento nada se podia fazer. Era cada um por si e Deus por todos nós, como dizia o fiscal. 

De quanto em quando um oficial passava no corredor, verificando se tudo estava em ordem. O sargento não mentira. Fui resolvendo uma a uma, deixando duas ou três, que em princípio me deixaram em dúvida, para depois. Estava decidido que não me arriscaria, só assinalando as questões que tinha certeza das respostas. Eu só ia nas boas. 

Pensando assim, detinha-me com bastante atenção nas alternativas, analisando uma a uma e recorrendo à fresca memória das páginas explicativas da apostila daquela matéria teórica. Via de regra, pelo que observava e pelo que alunos mais antigos tinham nos passado, das quatro alternativas - A, B, C e D -, uma delas se apresentava como sendo absurda; uma outra, regular; e as duas restantes, capazes de balançar o aluno menos convicto. Outra regra, que só fomos observar com a experiência, era que trinta por cento da prova era composta de questões fáceis, quarenta por cento de questões medianas e os trinta restantes de questões de um maior grau de dificuldade. Tudo isso, de forma que para tirar dez, o aluno devia ser muito bom. Em assuntos teóricos, a decoreba, como se dizia, para mim era estudar e estudar, fazer a prova e correr para o abraço. Resumindo: minha nota dificilmente seria menor que oito. Mais outro teste daquela matéria, e aquela disciplina faria parte do passado.

Com trinta minutos já resolvera toda a prova, respondendo 22 das 25 questões propostas. Deixei três delas em branco por não ter absoluta certeza da resposta. Gastei mais cinco para transferir as respostas para o cartão, o que fiz com muita atenção. Entreguei tudo ao fiscal e saí.

Mas adiante, um pouco distante do corredor onde era proibido permanecermos naquela hora, juntou-se uma roda onde alguns discutiam as questões da prova.

"Você viu aquela questão 16, como tava capciosa?". "Na minha opinião essa tinha mais de uma alternativa certa". " Que nada, eles fazem assim para confundir o aluno". "Para mim, a prova foi mais ou menos. Mas acho que deu pra camburar essa". "Essa 16 tava fácil. A matéria é da página 54 da apostila". "Difícil mesmo era a 23, e a alternativa A era a do afoito, uma pegadinha pra ferrar os mais apressados".

À medida que discutíamos a prova de CGA, os demais vinham se juntar a nós em papo acalorado. Alguns empolgados, creio que a boa maioria; uns e outros, nem tanto. Enquanto dissecávamos a prova, uns se enchiam de empolgação, animados por verem confirmadas ali em consenso as respostas dadas. De quando em vez, porém, notava a expressão de contrariedade de alguém, quando, um de nós, provava por 'a' mais 'b' que a resposta de determinada questão era a alternativa A e não a C, vinha mais um outro que, consultado, concordava que a C não estava certa, e sim a A. Já tinha visto semblantes como aqueles antes, e ficava triste comigo mesmo quando percebia.

"O que você acha? Você que cepou bastante no final de semana". "É verdade. Cepei muito essa apostila mas é melhor mesmo é a gente aguardar a divulgação do gabarito", respondi ao grupo. "É, sim.", concordava a maioria. E o grupo dispersava-se, procurando aproveitar ao máximo aqueles minutos extra, que eram raríssimos no CA.

Tínhamos ainda meia hora ou quarenta minutos daquela manhã. Antes do almoço, havia algum tempo para levar a roupa de cama à lavanderia, porque era o dia da nossa esquadrilha ou até mesmo, para os mais aplicados, voltar aos livros para prova da terça. Outros iam ao correio enviar carta à família ou à namorada. Outros ainda simplesmente achavam jeito de tirar uma sonequinha. A tarde correu com algumas instruções teóricas, que em geral nos causava sono, para depois, às quinze, iniciarmos a prática de educação física. 

À noitinha era cepar para a prova do dia seguinte, não perdendo, evidente, o horário do brochante. Um tigre a cada dia, e assim íamos superando os obstáculos, um a um.


Obra de livre criação artística inspirada na época em que vivi na Escola de Especialistas entre 1977 e 1979.



"Nenhum de nós chegou onde está exclusivamente por meio do nosso próprio impulso; chegamos aqui porque alguém se inclinou e nos alavancou." Thurgood Marshal

quinta-feira, 19 de março de 2015

OPINIÃO não se discute

Um culto no Cinema Palácio



Por Edyr Augusto Proença


DOR, decepção, frustração. Impossível entrar no Cine Palácio e não sentir. Lembrei daquela música, “Almost Paradise”, que tocava para abrir as cortinas. Entrei, vestido sobriamente, para não despertar atenções. No lugar dos cartazes anunciando as próximas atrações, cartolinas com a “Corrente da Felicidade”, “Corrente Contra as Drogas” e outras “novidades”. Ao entrar na sala, a dor foi mais forte. Desânimo de estar em uma cidade tão anestesiada para com a Cultura. Ainda estão lá as luzes nas paredes laterais. Mas não estão ligadas. Agora há enormes fosforescentes. As cadeiras vermelhas, desiguais, culpa da última administração. E NÃO HÁ TELA! Ficou tudo devassado. O palco, quase nu e ao fundo, escadas mal feitas. Sobre o palco, foi construído há pouco e ainda está sendo pintado, uma espécie de pórtico e lá dentro, sob uma cortina de tule, parece um altar com cálice, algo assim. Mas tudo se passa embaixo.

Ao invés dos espadachins de “Scaramouche”, passam engravatados, solenes, sérios, imagino, pastores. Há um pequeno púlpito e um deles ouve o relato de suas senhoras. À minha direita, um senhor, humilde, de joelhos, gesticula para ninguém. Parece desesperado em suas preces. Chega outro. Primeiro, ajoelha com a cabeça no assento e ali fica vários minutos. Outros fazem a mesma coisa. Poderia estar em um filme de Buñuel, daquelas sessões inesquecíveis às 22.30, sextas feiras. Mas não. Está chegando a hora. O Palácio é grande e está quase lotado. Nos últimos tempos não conseguia isso. Ligam o sistema de som. Lá do alto, dois holofotes estão ligados e conforme a intensidade das orações aumentam e baixam. Ilusão. Truque. Como no cinema. Um piano toca uma melodia. O pastor pede a todos que estendam os braços para o alto. Obedeço mas, abrigado pela multidão, baixo. A prece começa lenta. Todos acompanham, não sei se repetindo as palavras, ditas lentamente, ou repetindo seus pleitos. As vozes vão ganhando volume. O pastor também acelera e de repente, canta um trecho da música. Todos acompanham. Ele sabe o break, pára e reinicia a oração. Agora fala dos desvalidos, dos que comem o pão que o diabo amassou, dos incompreendidos, dos que não têm chance, dos que vivem à margem, sem dinheiro, com as dívidas, as ameaças. E todos se encontram. A voz do pastor é teatralmente chorosa, ele diz o que todos sentem. Desespero. As vozes aumentam de volume, os holofotes aumentam a intensidade, estão quase gritando, chorando e vem mais um trecho da canção. Intervalo. Alguns enxugam os olhos. À minha frente, um homem forte, bíceps à mostra, não baixa os braços, firmes, olhando para o alto (os holofotes?), clamando. Os pastores passam reparando em quem está emocionado. Futuras vítimas? Como em “Amarcord”, de Fellini, onde a Gradisca está à disposição do príncipe.. Noto, pelo corredor lateral, a entrada de um homem forte, pasta tipo de representante de remédios. Vai para o interior do palco, onde antigamente era a saída pela Ó de Almeida. Rápido, retorna por dentro do palco, segurando sua Bíblia. Sem titubear, pega o microfone do pastor que até então chorava e comovia. Com uma voz forte, firme, transforma aquilo que era um choro, uma lamentação em uma certeza. “É Hoje! Hoje tudo vai mudar, hoje tudo vai acontecer, hoje tudo vai se transformar!”. Imediatamente as pessoas entram em transe. Gritam “é hoje!” e estão confiantes. Os holofotes piscam, o pastor fala forte, as ovelhas estão domadas. Lembro as bruxas de “McBeth” o filme de Polanski, sobre Shakespeare. A energia está no ar e ele, ciente do seu domínio, pega o break da canção que não cessa e canta, dando uma esfriada na galera. Bacanagem. Cessa a música. Ele vai começar outra jogada e de repente, lembra de “homenagear” os que pagam dízimo. “Correndo, vamos, venham deixar o seu dízimo”. Correm para pagar. Não têm medo de mostrar ternos bem cortados, poder. Afinal, Deus lhes deu a riqueza por serem fiéis. Não é isso o que todos querem? Então façam como eles. Paguem para receber em dobro. Achei que era suficiente. Saí discretamente, mas alguns olharam reprovando. Sair naquele instante? Paciência. Peguei um folheto, do Grupo Jovem, contra as drogas e perguntando se meu problema é espiritual, familiar ou sentimental. Há reuniões aos sábados e domingos. Agora reparo, na saída, uma cartolina onde está desenhada uma máquina registradora e pelos lados, sacos de dinheiro como aqueles do Tio Patinhas. É a “Corrente dos Empresários”, às segundas feiras, não lembro o horário. Vou saindo, uma mão me pega o ombro. Assustado, penso “pronto, o Edyr Macedo mandou me pegar”. Não, era um pastor, lógico, ninguém ali passa despercebido, me perguntando se havia gostado, a que horas havia chegado e se voltaria. Perguntei pela sessão da sexta- feira, meia noite: "Agora não tem mais". Pensei comigo que as sessões de cinema, aqui em Belém, também não deram certo. Disse que apareceria. Lá dentro, o clima fervia. E na esquina, fica a sede da Fininvest, onde também todos vão se ajoelhar, depois. O Cinema Palácio não merecia isto que todos nós deixamos acontecer como se não fosse com a gente. Imagino que ali, quando fecham a porta, devem aparecer os espectros de Fellini, Buñuel, Scaramouche, os grandes personagens, grandes diretores, se batendo, andando trôpegos em várias direções, perguntando “o que aconteceu?” ou “por quê???”. Não há resposta. Mais um já teve. (Opinião não se discute)

sábado, 14 de março de 2015

EVANGELHO do domingo

A prática da verdade 


COMO Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo o que nele crer tenha vida eterna. De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem crê nele não será condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. Ora, o julgamento consiste nisto: a luz veio ao mundo, mas as pessoas amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Pois todo o que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que suas ações sejam manifestadas, já que são praticadas em Deus. (Jo 3, 14-21)


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

MEMÓRIAS azulinas

Por ROCILDO OLIVEIRA, via Facebook


Acervo de Rocildo Oliveira

ERA o dia 12fev.1978, um lindo domingo de sol apesar de ser fevereiro. O Mais Querido vinha de uma retumbante vitória em cima do Palmeiras, 3 x 0, com um público de 26.938 torcedores dentro do Baenão, e largava na frente em busca de uma vaga entre os quatro finalistas do Brasileiro de 1977.


O Leão estava um grupo muito difícil que contava ainda com América RJ, Desportiva ES e Santa Cruz PE. Apenas um passaria para a fase final da competição, e nossa sorte estava lançada. Ressalto que o campeonato de 1977 terminou no ano de 1978.

Pois bem. Naquele domingo a cidade já amanheceu em ritmo de festa e todos os caminhos apontavam para o Baenão. Eu às nove da manhã em minha bicicleta, tomei o rumo da José Bonifácio e fiz do Evandro Almeida a minha linha de chegada. Era preciso chegar cedo para garantir o ingresso para o grande jogo, uma vitória por dois gols de diferença daria ao mais querido mais 3 pontos e a liderança isolada do grupo.

Com muito custo consegui comprar o meu ingresso e o ingresso dos meus amigos, grandes parceiros de épicas jornadas. Ao retornar uma surpresa: entro ao lado do supermercado Almirante com a intenção de sair ao lado do Hotel Sagres, e, como vinha em boa velocidade, fui para cima de um cidadão, que segurou na direção da minha bicicleta e me deu um tremendo esporro. Ao levantar a vista percebi que o atropelado era nada mais nada menos do que o grande Manga, famoso goleiro do Botafogo e Seleção Brasileira, e que no momento defendia as cores do Operário. Senti muito realmente não ter naquele momento quebrado os dedos daquela figura, pois seria menos um a tentar barrar a trajetória Remista.

Acervo de Rocildo Oliveira

Missão cumprida, ingressos comprados, eu Rocildo Oliveira, Nego Sávio, Edivaldo, Mandinho, Augusto, Nego Bá, Sérgio Fukushima - o japonês remista -, Augusto e Hélio Gabiru, as 14 horas já estávamos dentro do Caldeirão azul, o nosso Evandro Almeida. Às 17 horas, Leão no gramado, estádio superlotado com 29.934 remistas cantando Remooooooooooo, Remooooooooo, uma loucura. A bola rola, o Mais Querido, desfalcado de Mesquita, sente os primeiros minutos de jogo, mas logo começa a ter o controle da partida. Aos 16 minutos do primeiro tempo Júlio César, o nosso entortador de laterais, o  Uri Geller, envolve com uma sequência de dribles o lateral Paulinho, do Operário, e é parado violentamente com falta, sofrendo uma contusão semelhante a que sofreu Silvio, sub-vinte azulino, nos jogos finais da Copa do Brasil esse ano. No lance, Júlio tem seu ombro esquerdo fora do lugar. Além de Mesquita, Júlio seria mais um desfalque naquele tenso jogo. 

Enquanto Humberto Guerreiro vem para o jogo em substituição ao nosso ponteiro esquerdo, o Mais Querido, empurrado pela massa humana que se acotovela dentro do acanhado Baenão, vem para o ataque. Leônidas entra livre pela direita e dispara um petardo, a bola vai fora. O grito de "uuuuuuuuuuuuuu!!!" ecoa pelo estádio e logo em seguida um grande ruido e uma grande confusão. O alambrado que ficava pela 25 de setembro vem abaixo e uma confusão se estabelece, com muitos feridos e o jogo é interrompido. Logo em seguida, por falta de segurança, o árbitro da partida resolve suspender a partida. Frustração total, porém ficava uma certeza, enfrentaríamos novamente esse mesmo Operário e dessa vez, mais um acontecido faria esse jogo entrar definitivamente para a história do futebol paraense. Porém esse é um capítulo que será contado mais à frente. 

12 de fevereiro de 1978, o dia em que o Baenão desabou.

sexta-feira, 13 de março de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

O Dorminhoco

Corto meu pescoço mas não digo quem foi

LEMBRO até hoje de um episódio, entre pitoresco e engraçado, que ocorreu na nossa turma já ao final de um semestre.

As aulas já estavam para acabar a maioria só estava lá para aumentar a média. Outros ainda tinham que queimar alguma pestana, pois precisavam de notas para conseguir a média mínima numa ou noutra matéria. 

Naquela manhã em particular, depois do toque de alvorada, pouco a pouco os alunos iam se levantando. Nem todos pretendiam ir ao café, porém ainda assim deviam levantar-se e arrumar suas respectivas camas, sob pena de se complicarem disciplinarmente. No entanto, essa rotina já não era tão rigorosa. Todos estavam ansiados pelas férias.

Prestei atenção no aluno-de-dia, que não querendo perder sua autoridade e fazer bem o seu serviço, zelava pela disciplina, ainda que eventualmente fizesse vistas grossas - também ele era humano e estava louco pelo início daqueles dias de férias. Deteve-se logo na entrada da esquadrilha e dirigiu sua atenção a um aluno que, indiferente àquele zum-zum-zum costumeiro e, muito mais, ao horário, insistia em prolongar o sono. Estava à sono solto, com direito a ronco e tudo. Detalhe: totalmente coberto com aquela manta grossa azul barateia. 

"Acorda!", falou o aluno, tom de voz calmo. 

Nada.

"Acorda, aluno!", tornou a dizer o aluno-de-dia, desta vez balançando um pouco o beliche. 

Dava-me a impressão de que o sono do aluno se aprofundava mais ainda e nem o menor sinal de que acordaria com alguma facilidade.

"Acooorrda, aluuuno!!!" Insistiu o aluno-de-dia, desta vez, quase aos berros, e com os braços dava uma sacudidela forte no beliche. 

Não fazia calor, mas notei que o aluno já estava a transpirar diante daquela árdua missão, que era simplesmente acordar o colega dorminhoco.

Eis que quase estava a desistir da tarefa ingrata  quando colega mexeu-se dando a impressão de que finalmente acordaria. O aluno aproximou-se dele.

Subitamente, o colega levantou a manta e abriu largamente os braços de um modo brusco, dando em seguida um prolongado bocejo: "Aaaaahhhhh....!!!"

O aluno quase caiu pelo susto com aquele gesto brusco e já inesperado, com aquelas sobrancelhas de lobisomem, além, é claro, daquele bafo de múmia insuportável. Hilário foi o característico passar de mão pelas ventas denunciando o hálito desagradável.

Demos muita risada.

quinta-feira, 12 de março de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

A turma da branquinha


Por Emídio Vargas da Silva



O QUE eu sei, é o que vivi. Naquela sexta-feira, contrariando a tradição, a formatura não se realizou, sendo adiada para segunda-feira. Também não permitiram que saíssemos naquele final de semana da Escola, de forma que me convidaram para fazermos uma vaquinha para que o Pará, acho que o Nonato, que ia à cidade, ao dentista, comprasse umas garrafas de pinga.



Esse plano foi feito na quinta-feira, e na sexta-feira cada um deveria procurar amealhar o maior número de tira-gostos possível. Assim foi que pegamos laranjas no café da manhã e no jantar pegamos algumas coxas de galinha. Tão logo tocou o silêncio, fomos para trás do prédio. Éramos mais de vinte, inclusive alunos muito inocentes, como o Lúcio Ivo Wurr, o Claudemir e outros, mas esses, como não tinham o hábito de beber, "abriram" cedo, voltando para a esquadrilha. Ficaram só os "danadões": Eu, o Theones, o Maia, o Nei... 

Quando o tenente Magalhães chegou, sozinho, e chamou os sargentos que estavam postados nos quatro cantos, havia no local apenas oito alunos. Não precisa nem dizer que ficamos bons na mesma hora, o efeito da cachaça passou como que por milagre. Fomos humilhados e levados em forma com as mãos na cabeça. Até hoje não entendo por que. Lá no CA levaram-nos para uma sala contígua à sala do oficial de dia e mandaram que nos despíssemos. Depois mandaram que ficássemos deitados de bruços, com os braços e as pernas abertas. Pense numa posição constrangedora!

Daí chegou o tenente Arrais e falou: "Meus meninos, o que foi que fizeram com vocês? Pra quê isso? Levantem-se, vistam a cueca!" E assim foi que ficamos apenas de cuecas. Depois passaram a nos interrogar individualmente numa sala onde estava o Estado-Maior da Escola, vários oficiais que eu não conhecia e mais os nossos comandantes e o comandante e o subcomandante do CA. 

Por meio desse interrogatório é que chegaram a outros alunos, que iam sendo buscados na esquadrilhas, a medida que iam sendo "dedurados". E uns entregavam os outros, de sorte que pela manhã já havia mais de cinquenta alunos. No início eram apenas oito. Ficamos só com as roupas que estávamos na hora do flagrante, pois nossos armários haviam sido lacrados, só sendo liberados no sábado à tarde.


Emídio Vargas da Silva, o aluno Vargas Q AT CV, é nosso contemporâneo na Escola de Especialistas de Aeronáutica no período de 1977 a 1979, Tarjeta Branca.

terça-feira, 10 de março de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

O caso da piscadela


22 anos depois, voltei a ser aluno
POR QUESTÃO de honra era meu propósito chegar à primeira colocação no Estágio de Adaptação em Belo Horizonte, missão a que me candidatei em 2000, tão logo fora promovido à graduação de suboficial em dezembro de 1999.

Preparei-me então para tal objetivo, focando a nota dez em todas as disciplinas exigidas. Meu pensamento era que, focando no máximo, não obtendo essa pontuação, chegaria aos nove e meio ou próximo desse grau. Diante dessa performance, certeza era ser aprovado.

Uma das disciplinas era Língua Portuguesa e Literatura. Sempre fui bom em Português (sem falsa modéstia), razão pela qual (acreditava eu) não era necessário dedicar tanto tempo a essa área. Pois bem. Um colega convocou a mim e a mais alguns colegas para estudarmos em uma sala de aula de uma escola lá da quadra 214 Sul, Brasília. Resolvi ir. Falei comigo mesmo que "se somasse qualquer conhecimento a mais, já teria tido algum ganho, mormente se pudesse passar algo para algum colega". 

Com esse espírito, fui e aprendi muito mais do que já sabia, além de obter a graça de passar muito mais aos outros irmãos com que partilhava aquele tempo à noite, duas vezes por semana.

Nem só de virtudes, porém, compõe-se o bicho-homem. 

Eu estava lá no Ciaar, bairro da Pampulha, depois de quase 22 anos bancando o aluno. Para atingir o objetivo que eu mesmo secretamente me impunha havia, além das demais disciplinas, o teste físico, área em que eu precisava treinar de forma mais intensa. E eu já não era um garoto, com os meus quarenta novembros. 

Naquela manhã ensolarada e quente do final de abril estávamos todos lá na pista olímpica e campo de futebol daquela Escola. Aguardávamos a hora determinada para iniciarmos a corrida com o tempo de doze minutos. Considerando a minha faixa etária, tinha que atingir determinada marca para conquistar a nota máxima, requisito fundamental para conseguir o objetivo proposto.

Para complicar mais a organização do teste atrasava a cada grupo que praticava a corrida, de forma que o meu grupo, o último deles, ficou para o meio-dia, um horário pra lá de ingrato, quando além do sol abrasador nos apertava a fome.

Chegou finalmente a nossa vez e pusemos-nos a correr. Adotei como método na corrida deixar fluir livremente o pensamento, imaginando mil e uma coisas e fatos. Pensava na família, nos planos futuros da carreira, na questão política de então, futebol, religião e assim, enquanto a mente vagueava, as distâncias iam sendo vencidas com facilidade, nem me dando conta do cansaço das pernas e do extraordinário trabalho cardíaco. Estava habituado.

Todavia, ao me faltar ainda umas duas voltas e pouco tempo para completar, percebi que já estava nas últimas. Dificilmente conseguiria a marca exigida. Foi quando me aconteceu algo imprevisto. Completando aquela volta, ao passar pelo marco inicial, o ponto de partida, percebi em meio ao grupo de oficiais encarregados da prova uma segundo-tenente da primeira turma de oficiais temporários da área de Educação Física. Tratava-se de uma sulista muito bonita e, também por isso, bastante popular entre os alunos da minha turma. A pampeana era uma guria levada da breca, como dizia Aluísio Azevedo. Era daquelas de parar o trânsito.

Já em estado lastimável passei em frente ao grupo quando, dentre aqueles dez ou doze marmanjos, meus olhos naturalmente procuraram os da loira, que - intencionalmente ou não - mirava também para mim. Deu-me uma piscadela bem discreta, porém daquelas sensuais (ao menos aos meus olhos).
Completei a corrida
Com a idade em que me encontrava percebera, havia algum tempo, que a vida me determinava montar então o matungo da prudência, trilhando mansamente as veredas da calmaria. Tendo o episódio acontecido alguns anos antes, diante daquela situação inusitada, certamente seria eu levado a galopar o tordilho da perdição, a correr alopradamente na estrada da loucura.

Como estava em corrida, não tinha como manter o olhar nos olhos da guria. Segui adiante, subitamente com mais força.

Foi justamente aquela piscadela sensual que deu a mim o combustível suficiente para completar as duas voltas que faltavam - e no tempo determinado. Nota dez.

domingo, 8 de março de 2015

BLOGUE do Valentim há 4 anos!

HOMENAGEM às mulheres da minha vida

Dona Maria, minha mãe querida
MULHER...
Que traz beleza e luz aos dias mais difíceis
Que divide sua alma em duas
Para carregar tamanha sensibilidade e força
Que ganha o mundo com sua coragem
Que traz paixão no olhar.

sábado, 7 de março de 2015

MEMÓRIAS azulinas

Remo 100%




DIA 4 de abril de 2004. Dia chuvoso e dia do torcedor Remista comemorar! Naquela data, o Leão fez o seu último jogo do Parazão daquele ano, de um total de 14. No comando da equipe estava o ídolo Agnaldo de Jesus (Seu Boneco).


Ao longo das 14 partidas, o Remo foi derrubando seus sete adversários um a um nos dois turnos do campeonato. Nos números, o Leão deixou claro o motivo da conquista: 14 jogos, 14 vitórias, 37 gols marcados e apenas 9 sofridos. E quis o destino que o começo e o final da caminhada vitoriosa azulina fossem diante do nosso freguês listrado.


No primeiro confronto, na estreia do Parazão, vitória magra, 1 a 0, com direito a pênalti defendido pelo arqueiro remista Gilberto e gol de Gian. Na final do returno, mais uma vez Remo e freguês listrado e com todos ingredientes de um clássico. Tarde de toró, rivalidade, expulsões e Mangueirão lotado. No final, Remo 2 a 0 com gols de Gian e Rodrigo e festa do lado ‘A’ do Colosso do Bengola com o título 100% azul.

1º Turno

Remo 1 x 0 Freguês listrado; Carajás 0 x 3 Remo; Castanhal 1 x 2 Remo; Tuna 1 x 2 Remo; Remo 4 x 1 Águia; Bragantino 1 x 2 Remo; Remo 1 x 0 Ananindeua.

2º Turno

Remo 5 x 0 Bragantino; Remo 5 x 2 Castanhal;  Ananindeua 0 x 2 Remo; Remo 2 x 1 Carajás; Remo 4 x 1 Tuna; Águia 1 x 2 Remo; Freguês listrado 0 x 2 Remo.

Time base do Mais Querido: Gilberto, Valdemir, Irituia, Sérgio e Rômulo; Márcio Belém, Gilmar Santos, Fernando César, Gian, Júnior Amorim e Júnior Ferrim. Também participou deste elenco o ídolo azulino Rei Arthur, que se aposentou ao final da competição. (Facebook)


Existe aí nessa campanha campeoníssima do Clube do Remo uma curiosidade matemática.
Contra todos os adversários, em um jogo o Remo venceu pelo placar mínimo (1 a 0 no Paysandú, 2 a 1 no Castanhal, 2 a 1 na Tuna, 2 a 1 no Bragantino, 1 a 0 no Ananindeua, 2 a 1 no Carajás e 2 a 1 no Águia); e contra esses mesmos adversários, no primeiro ou no segundo turno, o Leão ganhou por diferença de 2 ou mais gols (4 a 1 no Águia, 5 a 0 no Bragantino, 5 a 2 no Castanhal, 2 a 0 no Ananindeua, 4 a 1 na Tuna e 2 a 0 no eterno freguês listrado).

MINHAS gêmeas queridas!

Fernanda Moreira



Charlene Moreira 

SÓ TEMOS a te agradecer, Senhor. Nesta data, 7 de março, fazem mais um ano de vida minhas gêmeas queridas Fernanda e Charlene
Um pai é feliz quando vê seus filhos felizes. Que o Papai do Céu sempre abençoe vocês, meus anjos. Saibam que  vocês moram no meu coração e não pagam aluguel.

quinta-feira, 5 de março de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Sargento Tarcísio



NA MAIOR parte desses mais de 30 anos de minha carreira na FAB exerci atividades na área de recursos humanos, o que me deixou muitas vezes com o senso de realização, a consciência do dever cumprido. Uma das razões da alegria que sentia era em razão da oportunidade que tinha em servir ao meu próximo. Além da mera obrigação funcional, ver o sorriso de agradecimento no rosto alheio era para mim uma coisa que nunca teve preço.

Uma das minhas manias era saber de memória o nome completo de boa parte do efetivo da Unidade. Não só da unidade, mas alguns outros nomes me ficaram na memória até hoje.


Um dia em Belém, vi saindo do cassino de suboficiais e sargentos uma figura muito conhecida de todos nós, que convivemos juntos aqueles dois anos na Escola.

Gritei: "Tarcísio Rodrigues de Farias!!!". O suboficial Tarcísio voltou-se pra mim e me abraçou. Emocionado, disse-me: "Vê, Valentim", apontando para o antebraço esquerdo, "Estou até arrepiado".

O fato de eu o ter reconhecido, travado diálogo com ele, e ainda por cima ter lembrado de seu nome completo o emocionou, emocionando também a mim, que admirava o jeitão espontâneo daquele sargento que nos dava instrução de DL-AT e regulamentos, intercalando com alguns palavrões, que longe de nos ofender deixavam o ambiente relaxado. Divertíamos-nos com ele.

Ainda lembro que havia sempre alguém, para provocá-lo e também para que todos desse risadas, que perguntava: "E o bizu, sargento?". "Bizu é..." - respondia Tarcísio numa rima conhecida. E a risada era geral. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

Seu Padre


Fotografia da turma de Q EA AL - Almoxarifes, onde Fontes não aparece, comprovando sua timidez

DENTRE o quase meio milhar de alunos da minha turma, a tarjeta Branca formada em 1979, as características psicológicas de um deles ficaram marcadas até hoje em minha mente. Além disso, ainda hoje guardo seu rosto juvenil, como disse o amigo Antônio Pinheiro de Lima, enfermeiro. 

De longe, Fontes (Q EA AL), era o aluno mais tímido da turma. Além de tímido, parecia um tanto quanto enrolado, assim no sentido que dávamos ao termo naquele tempo. Estatura mediana e óculos tipo fundo-de-garrafa, Fontes, ou Seu Padre, alcunha pela qual também era conhecido, vivia a correr, ainda que não estivesse atrasado. Nos finais de semana, não viajava para casa, ao contrário da quase totalidade de cariocas e paulistas. Fontes, na verdade, não era carioca, mas natural do Estado do Rio, não lembrando agora de qual cidade. Penso que nem mesmo nas férias de julho, que eram mais curtas, Fontes ficava na Escola, onde o rango era de graça.

O apelido de "Seu Padre" lhe deram justamente pelo jeito entre que sério, tímido e também por ser estudioso e metódico, sempre de pasta escolar nas mãos. 

Certa vez estávamos em frente ao prédio do Corpo de Alunos, quando um de nós lhe sugeriu que fosse conosco à cidade. "Vamos comer gente, seu Padre". "Preciso estudar Matemática", respondeu Fontes, envergonhado.  "Então, vamos supor que 'aquilo' seja um triângulo isósceles", redarguiu o colega, fazendo um gesto ao unir os dedos polegares e os indicadores, à altura do umbigo.

Uma vez, quatro anos depois da nossa formatura, viajei para o Rio de Janeiro a serviço. Em visita a um colega na antiga DIRMA, este contou-me o seguinte:

"Fontes, cansando-se de trabalhar em meio à bagunça do almoxarifado, tomou um dia uma atitude drástica. Numa sexta-feira, trancou-se no recinto e, para não cair na tentação de sair antes do tempo, jogou a chave para fora, por baixo da porta. Levou sanduíches e talvez algum refrigerante. Quando todos chegaram para o expediente da segunda-feira, surpresos pela falta da chave no claviculário, mais surpreendidos ficaram quando, ao abrirem a porta do almoxarifado,  acharam o Fontes ali, exausto. Passou o final de semana trabalhando na organização daquele local de trabalho. O almoxarifado ficou uma beleza."

Onde andará você, amigo Fontes? 

segunda-feira, 2 de março de 2015

MEMÓRIAS azulinas

1975: Remo 2, São Paulo 2 



Por Rocildo Oliveira, via Facebook


ESSE jogo valeu pela quinta rodada da segunda fase do Campeonato Brasileiro, e foi jogado na noite de quarta feira, 22 de outubro de 1975. 

Apesar da magnífica campanha na primeira fase, quando, ao vencer o Corinthians por 1 a 0, o Leão Azul conquistou de forma brilhante a classificação para fase seguinte do campeonato, ficando em segundo lugar empatado com Coritiba, Palmeiras e Atlético (Mineiro) com 14 pontos, enquanto que o América (RJ), com 15 pontos, foi o primeiro colocado,  Na segunda fase a CBD fez o Remo jogar por quatro vezes seguidas fora de cada, contra Internacional, Grêmio, América de Natal e Goiás, com o Mais Querido sendo derrotado nas quatro partidas. E então esse jogo contra o São Paulo era um jogo que a vitória era esperada de qualquer maneira, caso o Remo ainda quisesse sonhar com a classificação para a última fase do Brasileiro.

Apesar do grande jogo, após marcar 2 a 0 no tricolor Paulista (que acabou empatando o jogo), a nossa reabilitação só viria de forma brilhante contra o Flamengo no sábado, 25 de outubro de 1975, quando nos tornamos o primeiro nortista a vencer o Flamengo no Maracanã, pelo escore de 2 a 1. Com embalo dessa Vitória, o Mais Querido retorna para Belém e vence espetacularmente o Vasco por 2 a 0, o que reacende as esperanças de classificação da máquina azulina para a fase derradeira do brasileiro. Porém um empate na ilha do retiro contra o Sport Recife e outro empate contra o Santa Cruz no Baenão fizeram o Remo ir para o jogo final contra o Figueirense, precisando da Vitoria e torcendo por um tropeço do Guarani contra o Flamengo em Campinas. O Remo fez a sua parte e com uma atuação de gala goleou os catarinenses por 4 X 1, com Alcino que fazia naquela tarde de domingo sua última apresentação com a camisa do Remo, marcando três tentos. Porém em Campinas o Guarani marcava 2 a 0 no Flamengo, calando todo o Baenão, que naquele momento testemunhava a última partida da máquina azulina no brasileiro de 1975.   

domingo, 1 de março de 2015

REMINISCÊNCIAS do front

Não somente uma questão de tempo



O SER HUMANO é realmente algo muito complicado, difícil mesmo de ser definido, classificado, rotulado, sem que incorramos em erros ou injustiça. Depende muito de quem observava, este também influenciado por seu modo peculiar de ver a vida e - embora não devamos fazer - julgar o seu semelhante. O Mau julgador por si julga os demais, era o que diziam os antigos.

Há em cada um de nós inúmeras facetas, algumas inatas, outras adquiridas ao longo deste caminho por vezes tortuoso e espinhento, que chamamos de "vida". É possível conviverem no mesmo indivíduo boas sementes como a bondade, afeição, serenidade, simpatia, piedade..., capazes de germinarem simultaneamente a outras não tão boas. Em algum momento, tais virtudes coabitarão com a inveja, a vaidade, o rancor...

Eu mesmo me apresento aqui como exemplo. Exemplo que pode ser seguido - quanta modéstia! - e também que, a tempo simultâneo, não deve ser seguido, como costumava demonstrar nosso antigo comandante, o tenente Arrais, quando chamava um aluno lá na frente da tropa, deixando-o sem graça diante de seus pares.

Muitas vezes por pura birra, sempre fui contra alguns paradigmas ou mesmo dogmas conhecidos na Força Aérea e na sociedade em geral: "Errar por excesso", "Direito adquirido", "Mal necessário", "Pra baixo todo santo ajuda", "A corda sempre arrebenta pro lado mais fraco"...

Caminham lado a lado em minha pessoa vários defeitos e uma qualidade, que é a de gostar de ajudar as pessoas. A gente se sente bem ao notar um sorriso de agradecimento. O problema é que esse "ajudar as pessoas", nalgumas vezes, insiste em conviver ao lado da teimosia e da vaidade.

Na administração fabiana, meio em que trabalhei por três décadas, há um "paradigma" em particular que eu sempre combati, e que tem a ver com a contagem de tempo de serviço: "A contar de ..."