domingo, 14 de fevereiro de 2016

MEMÓRIAS Azulinas

14 de fevereiro de 1969: Leão Azul campeão do Norte


Por Rocildo Oliveira


A MANHÃ daquele 14 de fevereiro de 1969 era muito especial para mim. Teria eu a grande chance a oportunidade ímpar de ver pela primeira vez um Clube, uma camisa, um time de futebol que eu, no meus sonhos e delírios infantis, amava sem nunca tê-lo visto jogar, sem nunca ter visto a sua majestosa jaqueta azul marinho.

Era eu um garoto apaixonado por futebol, admirava meu pai e a sua paixão pelo Clube do Remo, e ficava olhando compenetrado, os momentos em que ele ficava a limpar suas flâmulas que lembravam as conquistas do Mais Querido, caprichosamente enquadradas em molduras, trabalho que ele mesmo realizava como exímio e experiente vidraceiro que era.
Veliz, China, Socó, Chaminha, Sessenta, Marido, Santo Antônio, eram nomes que eu aprendi a respeitar, mesmo sem nunca tê-los visto jogar. Mas naquela manhã, outros heróis mexiam com minha mente: François, Carlitinho, Sirotheau, Robilota, Adinamar e o principal, Birungueta, aquele que me inspirava nos jogos de futebol com os amigos, realizados na terra batida da frente de nossas casas.


Eu era Birungueta. Fazia questão de ser chamado nas peladinhas pelo nome do craque. E naquela sexta-feira, onde Belém pulsava nas folias do carnaval, o meu coração batia mais forte ainda quando dentro do acanhado Evandro Almeida, às vinte e uma hora, vi agarrado ao alambrado do estádio, com meu pai a me proteger, adentrar no gramado aqueles guerreiros, meus heróis vestidos com a majestosa indumentária azul marinho. Vibração total, e eu, extasiado, lagrimava ao ver pela primeira vez meu time, meu Clube do coração, do meu pai e do meu também. Atletas que eu já conhecia através das narrações esportivas estavam ali ao alcance dos meus olhos.

Arnaldo César Coelho apita e dá a partida para o grande espetáculo, a negra a decisiva, a derradeira partida, uma vitória para cada lado: 5 a 1 para os piauienses em Teresina, e 4 a 1 para os azuis em Belém do Pará. Mal se inicia a partida e Adinamar, aproveitando uma jogada do infernal Birungueta marca o primeiro gol. O estádio vem abaixo, o grito de "Remo time macho sim senhor" ecoa pelas arquibancadas, eu choro emocionado, agarrado pelo pai. 

O Piauí time duro e guerreiro não se entrega e empata a partida, todos em silêncio . Um jogo movimentado se faz desenvolver, ninguém se entrega e o meu nervosismo só aumenta. Até que antes de findar o primeiro tempo, um escanteio, e o impossível para mim acontece. Adinamar faz a cobrança do tiro esquinado, a redonda branca como a neve, vai alçada para a grande área, e como mágica descreve uma curva, trai a perícia do goleiro Batista e morre no fundo das redes. Explosão em Belém no Evandro Almeida e em todo estado do Pará: Remo 2 a 1 no Piauí. 

Vem o segundo tempo, as chances vão acontecendo e sendo perdidas por ambos os lados, palavrões, gritos de apoio vão se tornando mais intensos, e quando o árbitro da partida da por encerrada a contenda, tudo se transforma em alegria, felicidade, contentamento, torcedores eufóricos invadem o gramado, festejam os heróis azulinos, as charangas comandam num ritmo alucinante a festa nas arquibancadas, em passeata sai o povão azulino pelas ruas da cidade, galhos de mangueiras, bandeiras se misturam , fogos explodem de todos os lados, e eu, feliz carregado no ombro do meu pai, sentia pela primeira vez a emoção de ser campeão, de ver o meu time jogar, e entender o significado da frase, "Clube do Remo, o filho da glória e do triunfo". 

14 de fevereiro de 1969: o Leão azul, conquistava o título de Campeão do Norte e enchia de orgulho todos aqueles que, como eu, amavam e amam o mais belo azul de todos os azuis.

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