terça-feira, 2 de agosto de 2016

GAUCHESCAS do Valentim

Xiru Missioneiro: Casal de Louco




EU FUI sem sorte com a minha china
Por ser bonita me encambichei nela
Faceira e disposta pitel de menina
Vi desfilando numa passarela


Falei pra ela vou alevantar um rancho
Socado a garrão que é pra nós morá
Já logo tu aprende cantar e tocá gaita
E nas horas de forga eu te ensino domá

Encrenquei com ela só por ser ciumenta
Já logo vi que a danada não presta
Ela me fincou-lhe uma pá de polenta
Que me fez um ovo no meio da testa

Saquei do trinta lá dentro do rancho
Chegava a guasqueá fogo pelas fresta
Que pra os vizinho virou um inferno
E pra mim parecia um dia de festa

Até hoje eu tenho um caroço na testa
Farinha de milho por dentro das venta
Por mas que nós se arrebente a gorpe
Eu morro de fome e não como polenta

(Háhá, polenta não, benzinho)

O meu trabuco esquentou o cano
Mas fiz ao pedaço o fogão de lenha
Por saber que macho não bate em mulher
Respeitei a lei da senhora da penha

O resto furei quase tudo a bala
Fui me vingando nas coisas do rancho
Só me escapo um parmo de salame
Por ser o mais pequeno que tinha num gancho

Passemo a noite se entortando a pau
Pra incomodá os vizinhos quaje amanhecemo
Escapô pra rua disparando nua
Que por minha causa vai tomar veneno

Me atira pedra e grita fiadaputa
Sapateia os pé só diz barateza
De noite vira o Saci Pereré
Mais de dia alcaide fica uma beleza

Até hoje eu tenho um caroço na testa
Farinha de milho por dentro das venta
Por mas que nós se arrebente a gorpe
Eu morro de fome e não como polenta

(Ah tipa atoa, usa mini saia sem nada por baixo
E ainda encruza a perna, diante aos meus amigo)

Dali a pouco em dereção ao biombo
Se vinha piscando um fogo engraçado
Olhei pra porta era os brigadiano
Já se foi boleando os quatro sordado

Levantaro as arma e pegaram meu grito
Mão na cabeça sim senhor tá armado
Mas não dei bola e segui atirando
E só me entreguei depois de maneado

Respondi um processo, mas não me arrependo
Um homem apanhando se vira num leão
Inda se fosse peleando com macho
Pior é uma china le dá de a traição

Quem acha que nóis perdemo a vergonha
Sentindo ciúme é pra já que peleamo
Casal de gentaia dos bem sem vergonha
Que frauteia a vida, mas não se apartemo

Até hoje eu tenho um caroço na testa
Farinha de milho por dentro das venta
Por mas que nós se arrebente a gorpe
Eu morro de fome e não como polenta

(Diaba véia, louca, desgraçada
Qué me matá, chirua!)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OBRIGADO por comentar e volte sempre ao BLOGUE do Valentim!