terça-feira, 30 de agosto de 2016

POLENTA com radiche



EXCELENTE trabalho protagonizado pelo Grupo Municipal de Teatro (Dois Vizinhos - PR), em conjunto com o Corpo Municipal de Dança, Grupo de Canto e Violão e Clube do Artista Plástico de Dois Vizinhos, com apoio do Departamento de Cultura do Município.

O espetáculo conta com bom humor e ótima musicalidade a história da colonização do sudoeste paranaense por parte dos imigrantes italianos, que chegaram do Rio Grande do Sul na década de 1950 e 60.

Registra-se que a região era semi-deserta e vinha sendo cobiçada pela Argentina, que no século anterior pretendera anexá-la ao seu território. Foi no governo de Getúlio Vargas que a administração federal decidiu incentivar sua ocupação, cabendo aos imigrantes gaúchos, em sua maioria de origem italiana, deixar as terras gaúchas e migrarem em massa para os municípios sudoestinos.

Polenta com Radiche conta então a história desse povo trabalhador, dando ênfase ao jeitão típico dos nossos "gringos", como aqui são chamados as pessoas de origem italiana.

Passei a fazer parte de uma delas ao passar a conviver com Bernardete Klenibig, cuja mãe, a nona Alice, acompanhando sua família - José Carlon, Maria Paludo e irmãos - veio ainda menina de Arroio do Meio - RS em busca de melhores condições de vida e aqui se estabeleceu.

Muito boa e divertidíssima apresentação desses artistas. Nota dez!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

domingo, 28 de agosto de 2016

LOUVOR pela tua maravilhosa criação

SENHOR Deus,

neste momento, que me concedeste para orar, eis que conduziste até aqui neste local - uma escola, uma sala de aula - e aqui procuro dirigir meus pensamentos e emoções para Ti, por meio de teu filho e nosso Senhor Jesus Cristo.



E o que vejo aqui? Objetos, gravuras que me lembram as crianças que aqui passam parte de sua vida. Vejo também nas carteiras nomes gravados. Certamente são os nomes de todas as crianças que nesta turma convivem. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

CLÁSSICOS do Valentim

Toquinho e Vinícius: Na Tonga da Mironga do Kabuletê





EU CAIO de bossa
eu sou quem eu sou
eu saio da fossa
xingando em nagô

Você que ouve e não fala
você que olha e não vê
eu vou lhe dar uma pala
você vai ter que aprender

a tonga da mironga do kabuletê
a tonga da mironga do kabuletê
a tonga da mironga do kabuletê

Eu caio de bossa
eu sou quem eu sou
eu saio da fossa
xingando em nagô

Você que lê e não sabe
você que reza e não crê
você que entra e não cabe
você vai ter que viver

na tonga da mironga do ka buletê
na tonga da mironga do kabuletê
na tonga da mironga do kabuletê


Você que fuma e não traga
e que não paga pra ver
vou lhe rogar uma praga
eu vou é mandar você

pra tonga da mironga do kabuletê
pra tonga da mironga do kabuletê
pra tonga da mironga do kabuletê

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

CADA coisa no seu tempo

TUDO tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu:
tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de colher;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de destruir e tempo de construir;
tempo de chorar e tempo de rir;
tempo de lamentar e tempo dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar;
tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de guardar e tempo de jogar fora;
tempo de rasgar e tempo de costurar;
tempo de calar e tempo de falar;
tempo do amor e tempo do ódio;
tempo da guerra e tempo da paz.
(Eclesiastes 3, 1 - 8) 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

CLÁSSICOS do Valentim

Caetano Veloso: Superbacana, 1968



TODA essa gente se engana
Ou então finge que não vê que eu nasci
Pra ser o superbacana
Eu nasci pra ser o superbacana
Superbacana, superbacana


Outra de Caetano: http://www.bloguedovalentim.com/2016/08/classicos-do-valentim.html


Superbacana super-homem
Superflit, supervinc
Superhist, superbacana
Estilhaços sobre Copacabana
O mundo em Copacabana
Tudo em Copacabana, Copacabana
O mundo explode longe, muito longe
O sol responde
O tempo esconde


domingo, 14 de agosto de 2016

MEU PAI, meu herói!

Manoel Valentim Moreira: 1933 - 2011

MEU pai morava na roça produzindo farinha de mandioca, que é um produto muito apreciado na região Norte brasileira. Ele tinha, portanto, a profissão mais importante do mundo. Com o ofício criou seus cinco filhos: três militares - um da Força Aérea Brasileira, outro da Marinha do Brasil e uma terceira, da Polícia Militar do Pará - e mais dois servidores públicos - um do Judiciário e outro do Executivo.

Seus três primeiros filhos nasceram na década de 1960; e os dois caçulas, na década seguinte. 

Com muito sacrifício, eu, os manos e mamãe ficávamos na cidade. Somente assim, podíamos estudar. O velho Duca, porém, se obrigava a permanecer no sítio a fim de prover os meios de sustento à família. Nas férias escolares, eu e o mano Walter íamos para a roça e assim podíamos ajudá-lo na dura lida de campo. Acordávamos com os primeiros raios de sol, somente descansando à boca da noite.

Fazíamos o que estava ao alcance de dois garotos na faixa dos oito aos doze anos. Cortávamos a maniva (a planta da mandioca), tangíamos a égua com a carga, descascávamos a mandioca, peneirávamos a massa. Participávamos enfim de quase todas as etapas da produção, dentro obviamente das nossas limitações.

sábado, 13 de agosto de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

PAIS mentem!

ALGUÉM da nossa relação de amizade compartilhou pelo Facebook este vídeo. Postamos aqui como uma homenagem antecipada aos pais



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

COMO a imprensa esportiva trata as mulheres no Rio 2016

ANTES de cada evento esportivo, a minuciosa investigação jornalística prévia tem uma parada obrigatória: a lista de mulheres que se destacam, obviamente, por suas características físicas. Nem importa se são mulheres que realmente praticam esportes – até numa Copa do Mundo masculina de futebol, não faltam os rankings das namoradas dos jogadores, avaliando as mais “gostosas” – parece que o mundo do futebol não aceita ou invisibiliza os atletas gays.


Por situações como essa, a editora da Universidade de Cambridge encomendou um estudo dedicado a analisar cerca de 160 milhões de palavras usadas nas transmissões, entre notícias por escrito, vídeos, textos em blogs, fóruns de internet e redes sociais, todo o tipo de comentário escrito em inglês alusivo ao esporte, com ênfase na forma em que a imprensa se refere a ambos os sexos. Diante das diferenças radicais mostradas pelo estudo, o centro de investigação se comprometeu a realizar outro idêntico, analisando exclusivamente a cobertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Não importa que se são as melhores atletas do mundo, ou a dedicação de toda uma vida a uma disciplina esportiva na que se profissionalizou. Tampouco importa que, no caso das Olimpíadas, as esportistas mulheres sejam 45% do total de atletas participantes do evento. A beleza física ou a imposição da maternidade às atletas são estigmas que perseguem a todas.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

CLÁSSICOS do Valentim

Caetano Veloso: Pecado Original, 1978



TODO DIA, toda a noite, toda hora, toda madrugada, momento e manhã
Todo mundo, todos os segundos do minuto vive a eternidade da maçã


Tempo da serpente, nossa irmã
Sonho de ter uma vida sã
Quando a gente volta o rosto para o céu e diz
olhos nos olhos da imensidão

Eu não sou cachorro não
A gente não sabe o lugar certo onde colocar o desejo

Todo beijo, todo medo, todo corpo em movimento
está cheio de inferno e céu
Todo santo, todo canto, todo pranto,
todo manto está cheio de inferno e céu

O que fazer com o que Deus nos deu
O que foi que nos aconteceu
Quando a gente volta o rosto para o céu e diz
olhos nos olhos da imensidão 

Eu não sou cachorro não
A gente não sabe o lugar certo onde colocar o desejo

Quando a gente volta o rosto para o céu e diz
olhos nos olhos da imensidão 

Eu não sou cachorro não
A gente não sabe o lugar certo onde colocar o desejo

Todo homem, todo lobisomem sabe a imensidão da fome que tem de viver
Todo homem sabe que essa fome é mesmo grande, até maior que o medo de morrer

Mas a gente nunca sabe mesmo o que é que quer uma mulher.

domingo, 7 de agosto de 2016

ÀS MARGENS do rio Xié

DURANTE minha carreira de três décadas na Força Aérea Brasileira tive pouquíssimas oportunidades de viajar a serviço. Minha experiência maior é pelo fato de ter sido movimentado por seis vezes. Primeiro Anápolis, depois Boa Vista, Manaus, Belém, Brasília e, por último, Belém de novo.

Por sinal,  boa experiência. Assim conheci grande parte do território auriverde, que chamamos de Brasil.

Além disso, posso considerar a experiência na localidade de Cachimbo, para onde íamos em missão a cada quinzena, em revezamento. Isso ocorreu durante dois anos. Uma equipe ficava na sede da Unidade, em Brasília, enquanto a outra permanecia em Cachimbo. Creio que essa foi a minha grande experiência em viagens. Uma grande exceção na carreira.

Por ser de uma especialidade de apoio e não das que lidam diretamente com a aviação, quase não saí de sede. Uma vez, quando estava em Manaus, tive oportunidade de viajar por duas vezes. Isso foi na década de 1980. Uma viagem para a rota do rio Solimões, chegando a Tabatinga, fronteira com a Colômbia. 

Noutra vez, fiz a rota do rio Negro, chegando a Yauaretê, lá na "Cabeça do Cachorro".

terça-feira, 2 de agosto de 2016

GAUCHESCAS do Valentim

Xiru Missioneiro: Casal de Louco




EU FUI sem sorte com a minha china
Por ser bonita me encambichei nela
Faceira e disposta pitel de menina
Vi desfilando numa passarela


Falei pra ela vou alevantar um rancho
Socado a garrão que é pra nós morá
Já logo tu aprende cantar e tocá gaita
E nas horas de forga eu te ensino domá

Encrenquei com ela só por ser ciumenta
Já logo vi que a danada não presta
Ela me fincou-lhe uma pá de polenta
Que me fez um ovo no meio da testa

Saquei do trinta lá dentro do rancho
Chegava a guasqueá fogo pelas fresta
Que pra os vizinho virou um inferno
E pra mim parecia um dia de festa

Até hoje eu tenho um caroço na testa
Farinha de milho por dentro das venta
Por mas que nós se arrebente a gorpe
Eu morro de fome e não como polenta

(Háhá, polenta não, benzinho)

O meu trabuco esquentou o cano
Mas fiz ao pedaço o fogão de lenha
Por saber que macho não bate em mulher
Respeitei a lei da senhora da penha

O resto furei quase tudo a bala
Fui me vingando nas coisas do rancho
Só me escapo um parmo de salame
Por ser o mais pequeno que tinha num gancho

Passemo a noite se entortando a pau
Pra incomodá os vizinhos quaje amanhecemo
Escapô pra rua disparando nua
Que por minha causa vai tomar veneno

Me atira pedra e grita fiadaputa
Sapateia os pé só diz barateza
De noite vira o Saci Pereré
Mais de dia alcaide fica uma beleza

Até hoje eu tenho um caroço na testa
Farinha de milho por dentro das venta
Por mas que nós se arrebente a gorpe
Eu morro de fome e não como polenta

(Ah tipa atoa, usa mini saia sem nada por baixo
E ainda encruza a perna, diante aos meus amigo)

Dali a pouco em dereção ao biombo
Se vinha piscando um fogo engraçado
Olhei pra porta era os brigadiano
Já se foi boleando os quatro sordado

Levantaro as arma e pegaram meu grito
Mão na cabeça sim senhor tá armado
Mas não dei bola e segui atirando
E só me entreguei depois de maneado

Respondi um processo, mas não me arrependo
Um homem apanhando se vira num leão
Inda se fosse peleando com macho
Pior é uma china le dá de a traição

Quem acha que nóis perdemo a vergonha
Sentindo ciúme é pra já que peleamo
Casal de gentaia dos bem sem vergonha
Que frauteia a vida, mas não se apartemo

Até hoje eu tenho um caroço na testa
Farinha de milho por dentro das venta
Por mas que nós se arrebente a gorpe
Eu morro de fome e não como polenta

(Diaba véia, louca, desgraçada
Qué me matá, chirua!)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O MICROFONE do Sílvio Santos

DIZEM que Juscelino Kubitschek de Oliveira, o célebre presidente JK, construtor de Brasília, tinha um cacoete. Quando estava nervoso, punha-se a pentear o cabelo, já sempre bem escovado. Fazia isso em ato reflexo, sem mesmo perceber, imaginando talvez que suas melenas estivessem desgrenhadas, a precisar de correção. Quando via, lá estava com o pente que sempre carregava no bolso do paletó a pentear-se. Como pegou o hábito? Não se sabe. Só se sabe que era o mais notável de seus cacoetes. 

E quando não era o pente, era um cigarro que punha à boca mas sem acender. Também em ato reflexo pelo uso constante.

Getúlio Vargas, além de seu inseparável charuto, também tinha das suas. Sua filha Alzira Vargas, em livro, diz que o presidente gaúcho tinha o costume de usar lápis coloridos em seus despachos. Cada cor conforme o grau de urgência e a natureza dos assuntos e despachos.

Ora, quem de nós não tem um vício, um cacoete ou mesmo um objeto de estimação? E olhe que nem precisa ser um objeto, mas uma palavra, uma frase, um maneirismo.

É por essa razão que não dá para se surpreender com o conservadorismo de Sílvio Santos e o seu inseparável microfone antigo.

E cada um de nós segue com suas palavras, frases de efeito, trejeitos, manias, costumes, hábitos, cacoetes e objetos inseparáveis, tudo o que faz parte de sua vida e de seu modo de ser, e dos quais não nos separamos jamais.