segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PROFESSORA Salete

COMPLETA hoje mais um ano de vida a nossa amiga e comadre Salete Terezinha Bonetti. Grande ser humano, chefa de família exemplar e professora combativa, Salete recepcionou a seus amigos em sua residência na noite do último sábado, 29 de outubro. 

Com a sua inseparável cuia de chimarrão

Com seu esposo, filhos, genro e nora

sábado, 29 de outubro de 2016

RAUL e outros malucos

Ednardo: Enquanto Engoma a Calça, 1979




ARREPARE não
Mas que enquanto engomo a calça
Eu vou lhe contar
Uma história bem curtinha fácil de cantar

Porque cantar parece com não morrer
É igual a não se esquecer
Que a vida é que tem razão


Porque cantar parece com não morrer
É igual a não se esquecer
Que a vida é que tem razão

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

RAUL e outros malucos

Sérgio Sampaio: Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua, 1973




HÁ QUEM diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos nisso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

MAURO Santayana

O fim do Brasil e o suicídio do Estado



DIZEM que um chefe mafioso, famoso por sua frieza e crueldade no trato com os inimigos, resolveu dar ao filho uma Lupara, uma típica cartucheira siciliana, quando este completou 15 anos de idade.

Na festa de aniversário, apareceu o filho do prefeito, que havia ganho do alcaide da pequena cidade em que viviam, ainda nos anos 1930, um belo relógio de ouro.

Passou o tempo e um dia, como nunca o visse com ela, Don Tomazzo perguntou a Peppino pela arma.

Como resposta, o rapaz enfiou, sorrindo, os dedos no bolso do colete e tirando para fora um reluzente pataca "cebola", respondeu-lhe que a havia trocado com o filho do Prefeito pelo Omega dourado.

- Ah, si? Gritou-lhe o pai, furioso, lascando-lhe sonora bofetada. - E che va fare se, al andare per la strada, passa alcuno e lo chiama di cornutto? Que sono le dua e mezza, cáspita?

Esse velho "causo" italiano nos vem à memória, em função da lastimável notícia de que a Câmara dos Deputados acaba de aprovar e enviar ao Senado a PEC 241, que limitará à inflação os gastos do Estado brasileiro nos próximos 20 anos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

RAUL e outros malucos

As Minas do Rei Salomão, 1973


ENTRA e vem correndo para mim
Meu princípio já chegou ao fim
O que me resta agora é o seu amor


Traga a sua bola de cristal
E aquele incenso do Nepal
Que você comprou dum camelô

E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó


terça-feira, 25 de outubro de 2016

MINHA amada companheira!


MUDA de idade hoje aquela que me acompanha há oito anos. Na verdade, sou eu quem a acompanho, pois decidi há alguns anos trocar os ares nortistas por esta bela região. Mas agradeço a Deus por ela ter aceitado a minha companhia. 

Um dia antes de dormir, cansado, prostrei-me e pedi ao Pai que me desse uma companheira que fosse para mim uma amiga, uma verdadeira amiga. Além disso, honesta e trabalhadora. E nem precisava ser tão bonita, como ela é.

E aí conheci a Bernardete, aqui de Dois Vizinhos, sudoeste do Paraná. Eu, lá do Pará. Cruzei então sete estados brasileiros e me bandeei para a região. Aqui estou desde então.

O Pai sempre te dá muito mais do que pedes a Ele.

Como é costume do BLOGUE do Valentim em ocasiões como essa, aqui vão algumas fotografias da minha amada.

Sua primeira fotografia. À direita, ao lado de suas primas

Com o irmãozinho Walmir

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

CLÁSSICOS do Valentim

Moreira da Silva: O Rei do Gatilho, 1961





O rei do gatilho, super bang-bang de Michael Gustav, com Kid Morengueira, o mais famoso pistoleiro de Wichitta. Temido pelos bandidos, pois só atirava em nome da lei.
O rei do Gatilho!

Começa o filme com o garoto me entregando
um telegrama do Arizona, onde um bandido de lascar
um bandoleiro transviado que era o bamba lá da zona
e não deixava nem defunto descansar. 

Dizia urgente que eu seguisse em seu socorro.
A diligencia do oeste nesse dia ia levar
vinte mil dólares do rancho Águia de Prata
onde a mocinha costumava me encontrar

Venha urgente, pois estou morta de medo. Só tu poderás salvar-nos. Beijos da tua Mary. 

Botei na cinta dois revólveres que atiram
sem que eu precise nem ao menos me coçar
assobiei para um cavalo que passava do outro lado
e com o bandido mascarado fui lutar. 

sábado, 22 de outubro de 2016

TE PARECE justo?

QUEM conta a história é o professor Clóvis de Barros Filho. Tinha levado a família inteira para almoçar fora. Comemorava a aprovação num concurso. Terminada a refeição, ele comentou com o garçom que achara a conta alta. Ouviu em troca: é mais do que eu tiro no mês. Provocado pela revelação, lançou então uma pergunta ao jovem: te parece justo que alguém gaste no almoço mais do que você tira no mês?


O funcionário respondeu que sim. Afinal, quem tinha estudado muito e se preparado tanto merecia ganhar mais do que alguém como ele, que não tinha podido frequentar uma escola. Clóvis não se satisfez: e te parece justo que uns possam frequentar uma escola e outros não? O rapaz devolveu: sim, eu vim do Nordeste para trabalhar, tinha que ajudar meus pais. O mestre insistiu: e te parece justo que alguns tenham que se deslocar de onde nasceram para conseguir trabalho?
Sim. E sim. E mais um sim. E assim foram trezentos te-parece-justos e trezentos sins. Até o sujeito levantar as mãos para o céu e agradecer a Deus o fato de o patrão dividir com ele e os outros empregados a carne que sobrava (quando sobrava) para que pudessem fazer um churrasquinho ao final do expediente.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

As Vantagens do Leite de Cabra

 

Menos Colesterol

O leite de cabra chega a ter 30% menos colesterol que o de vaca, além de possuir menor teor de açúcar.

 Menos Alergênico

Aproximadamente 6% das crianças têm sintomas de alergia ao leite de vaca, que podem caracterizar-se por distúrbios digestivos, corrimento nasal, otites, erupções cutâneas, entre outras alergias. A caseína alfa-S1, proteína encontrada em grandes quantidades no leite de vaca, é a grande responsável por esse tipo de reação alérgica. O leite de cabra possui apenas traços desta proteína, além disso, não contém b-lactoglobulina, também grande estimulante de reações alérgicas não-específicas. Portanto, possui maior tolerabilidade se comparado ao leite de vaca. Isso significa maior absorção de nutrientes importantes como cálcio, proteínas e carboidratos. (A criação da Cabra & da Ovelha no Brasil, p73). 

 

RAUL e outros malucos

Zé Rodrix, Sá & Guarabira: Mestre Jonas, 1972



DENTRO da baleia mora mestre Jonas
Desde que completou a maioridade
a baleia é sua casa, sua cidade
dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho

e ele diz que se chama Jonas
e ele diz que é um santo homem
e ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria
e ele diz que está comprometido
e ele diz que assinou papel
que vai mante-lo preso na baleia até o fim da vida
até o fim da vida

Dentro da baleia a vida é tão mais fácil
nada incomoda o silêncio e a paz de jonas
quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora
a baleia é mais segura que um grande navio

e ele diz que se chama Jonas
e ele diz que é um santo homem
e ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria
e ele diz que está comprometido
e ele diz que assinou um papel
que vai mante-lo preso na baleia até o fim da vida
até o fim da vida
até subir pro céu

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

ZANONI, o legalista

DUAS semanas após o inicio da rebelião, vendo as seguidas dificuldades do ministro, o ajudante-de-ordens, capitão-aviador Ivan Zanoni Hausen se apresenta como voluntário para ir ao front. A primeira reação do chefe foi de recusa. Tarimbado nos embates políticos, o ministro queria proteger seu subordinado daquilo que sabia viria a acontecer fatalmente: a perseguição a companheiros de arma. No entanto, como se tratasse de voluntariado, Zanoni bateu o pé, para ir. 


Postagens relacionadas:



A missão organizada pelo ministro previa o emprego de três bombardeiros North American B25 J. Dois decolariam do Parque Aeronáutico de São Paulo (Campo de Marte) e o outro da Base Aérea de Fortaleza.

Na madrugada do dia 26 de fevereiro, no Campo de Marte, Zanoni está desconfiado. Os B25 se encontram em revisão. Por que não escalaram aviões em condições de voo? Essa dificuldade, entretanto, é café pequeno (para usar uma gíria da época); não é tão grave diante do que vem pela frente. Susto grande mesmo é quando o capitão Zanoni, descansando no alojamento da Base, atende um telefonema anônimo. Do outro lado vem a ameaça:

“Te cuida, capitão. O B25 está sabotado!”

terça-feira, 18 de outubro de 2016

CLÁSSICOS do Valentim

Roberta Flack: Killing me Softly with his Song, 1973




STRUMING my pain with his fingers
Singing my life with his words
Killing me softly with his song
Killing me softly with his song
Telling my whole life
With his words
Killing me softly with his song

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

CLÁSSICOS do Valentim

Gal Costa e Caetano Veloso: Que Pena, 1968




ELA já não gosta mais de mim
Mas eu gosto dela mesmo assim
Que pena, que pena

Ela já não é mais a minha pequenaQue pena, que pena
Pois não é fácil recuperar
Um grande amor perdido

domingo, 16 de outubro de 2016

REGINA Maura

QUANDO se encontrava no auge a luta na Assembleia pelo impeachmant do general Flores da Cunha, apareceu em Porto Alegre a companhia de teatro do Procópio Ferreira. As companhias do Rio de Janeiro costumavam percorrer anualmente as principais cidades do Rio Grande, depois de uma longa temporada em Porto Alegre. Procópio era um português baixinho, de um metro e cinquenta e poucos centímetros de altura, e feio. Mas como ator era razoável. Sua mulher, Regina Maura, cujo verdadeiro nome é Conceição Santa Maria, era a primeira atriz. Igualava mais ou menos em idade com a filha do marido, que também fazia parte do elenco. As duas teriam uns vinte anos. Procópio devia ter mais do que o dobro da idade delas.
Procópio Ferreira

Falavam que a Regina Maura era amante do general Flores da Cunha. O povo ouvira cantara o galo, mas não sabia onde. Ela não era amante do general, mas de um amigo dele, o Bozano, irmão daquele coronel Bozano que morreu no combate de Ijuí, lutando contra o Prestes em 1926. Um florista, amigo do Bozano, que conhecia a ligação dele com a mulher do Procópio, explica:
Falavam que Regina Maura era 
amante do general Flores da Cunha...

"Ela passava o tempo todo se fresqueando com o Bozano do palco. Ele estava sempre no camarote do general, lhe fazendo companhia. Daí surgiu a desconfiança no povo que ela fosse amante dele. Mas não, era do Bozano. Bozano tinha servido nas forças do Neca Neto e recebera um tiro na boca no combate do Passo Mendonça. Ficou com a boca torta. Mas isso não impedia de cortejar as mulheres. Pelo contrário, parece até que o estimulava, e era bem recebido por elas.

sábado, 15 de outubro de 2016

RAUL e outros malucos

Tu és o MDC da minha vida, 1975




EU dedico essa música à primeira garota
que está sentada ali na fila... Obrigado

Tu és o grande amor da minha vida
Pois você é minha querida
E por você eu sinto calor
Aquele seu chaveiro escrito "love"
Ainda hoje me comove
Me causando imensa dor
Dor!...

Eu me lembro
Do dia em que você entrou num bode
Quebrou minha vitrola
E minha coleção de Pink Floyd...

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

GREGÓRIO Fortunato

Espionagem nos anos 1940


NOS IDOS de 40, setores da comunidade de informações dos Estados Unidos mantinham sua atenção voltada para o Brasil. Inquietavam-se com a dubiedade do presidente Vargas diante da agressividade nazista. As preocupações tinham, inclusive, razões geopolíticas, pois o Nordeste constituía ponte importante para chegar à África.

Os agentes norte-americanos passaram a infiltrar-se em território nacional a partir do momento em que as informações do Estado Novo, que chegavam ao presidente Franklin Roosevelt, deixaram de ser confiáveis e Vargas insistia em elogiar, publicamente, o regime político alemão.

Por isso, em certo momento, as autoridades do governo brasileiro - principalmente aquelas que eram nitidamente pró-Alemanha nazista - começaram a temer uma invasão norte-americana. Para agravar a situação, já havia nessa época, no sul do país, quase um milhão de alemães e seus descendentes, muitos desenvolvendo atividades pró-Eixo.


... Roosevelt passou a manter encontros pessoais com Vargas,
 a quem fazia os maiores elogios...

Quando a dubiedade Vargas adquiriu foros de ameaça, no entender dos comandantes aliados, o presidente Franklin Roosevelt movimentou a diplomacia e a política internacional - com atraentes empréstimos - e intensificou os programas culturais, tudo com o objetivo de seduzir o ditador. Além disso, passou a manter encontros pessoais com Vargas, a quem fazia os maiores elogios, embora Gegê continuasse a exastar o nazismo e a orientar o irmão Bejo e Gregório a ficarem de olho na movimentação dos espiões.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

RAUL e outros malucos

PRETENDEMOS nesta sequência homenagear o grande Raul Seixas, o Maluco Beleza, que foi - e ainda é - um artista além de seu tempo, muito além. Também homenagearemos  outros artistas da época - ou não - de estilos próximos ao do Raulzito, embora sem tanto brilho.

O Dia em que a Terra Parou, 1977





ESSA noite eu tive um sonho
de sonhador
Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou
com o dia em que a Terra parou

Foi assim
No dia em que todas as pessoas do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo o planeta
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém

Ninguém

O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não tava lá
e o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Tudo é uma questão de prioridade (final)


POSAR para uma foto é uma coisa banal. Mas tinha de ser justamente na hora de um incêndio desses, senhor bombeiro? Olha a cara de felicidade!

domingo, 9 de outubro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Tudo é questão de prioridade (parte 2)


NA VIDA cada um é livre para eleger a sua prioridade. 
A desta senhora, com certeza, é salvar o refrigerante (tinha de ser esse?)...




... enquanto a deste rapaz é saborear o delicioso sorvete...



... e a prioridade desse aí abaixo... Precisa comentar?

sábado, 8 de outubro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Tudo é questão de prioridade


PRESTEM atenção nessas fotos. Cada uma dessas pessoas elege a sua prioridade.


Enquanto as duas jovens estão a observar a paisagem (elas próprias já são a paisagem mais interessante e digna de atenção), o cidadão achou coisa melhor para fotografar. Te dizer!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O SANGRADOR de onças

Continuação da postagem de 05out2016


VAMOS ver até aonde essa lorota vai. Era o que provavelmente pensava meu pai. Presumo isso pela expressão de seus olhos, que encaravam os do velho Damião.

"Como se virou com a onça, seu Damião?"

"Lembrei-me do chapéu, lembrei primeiro da faca. Era preciso pensar rápido. A faca... o chapéu... Por que não?! O chapéu na mão esquerda, a faca na direita. O gatinho se aproximou de mim, com certeza já de água na boca diante do almoço inesperado." 

É provável que o leitor esteja pensando que o velho fazia suspense para ganhar tempo, pensando em que desfecho daria ao caso de forma a resultar num final feliz. Meu pai talvez assim pensasse também. Mas não era o caso, velho Damião já contara o mesmo causo dezenas, talvez até mais de uma centena de vezes, tendo de cabeça cada palavra do enredo. Eu quero convencer-me de que o prolongamento era devido à refeição que ainda não chegara de todo à mesa, e o desfecho coincidiria com a última garfada. Cá pra nós: é possível que por meia dúzia de dias ou mais o homem não estivesse à frente de uma refeição tão suculenta quanto a que minha família lhe proporcionava então. Tudo de caso pensado.

"Deixe de mistério, homem. Como se virou?"

"Como o senhor é impaciente, seu Duca! A gente nem pode fazer um pouco de mistério. Tá bem, vou direto ao ponto. Como me virei."

"Sim. Como se virou?"

"Num lance de extraordinária rapidez, que só o instinto de sobrevivência e a providência divina podem explicar, lancei o chapéu na cara da onça, pegando-a de surpresa com a minha ação. Ela, atarantada por conta da falta de visão, levantou as patas dianteiras meio que desesperada. Ato contínuo, levei com toda a minha força – não esqueça que eu era um homem novo nesse tempo – a faca ao sovaco da onça. Foi um golpe certeiro."

"Essa não! O senhor tá dizendo que esfaqueou o sovaco da onça?"

"Isso mesmo."

"Com essa faquinha aí?"

"Com esta faquinha aqui."

"Eu nunca vi uma onça, seu Damião, mas já vi dizer que couro de onça é duro."

"Sei que o senhor duvida de mim, seu Duca. O senhor tem lá a sua razão em duvidar de semelhante história, pois quantos mentirosos já não sentaram a esta mesa desfrutando da sua hospitalidade. Mas eu fico triste com essa dúvida do amigo, que está a me considerar iguais aos outros. Mas me responda uma coisa: como o sapateiro corta o couro curtido, se não é com uma faca comum, mas bastante afiada, afiada igual a esta aqui. Esqueci-lhe de dizer que naquele tempo eu também me virava como sapateiro. Não, não estou contando para gabar minha valentia. Como lhe disse, atuou em mim o mero instinto de sobrevivência: era ela ou eu."

Desse causo da onça jamais me esqueci.


"QUANDO chover no seu desfile, olhe para cima e não para baixo. Sem a chuva não existiria o arco-íris." Gilbert Keith Cherteston


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!  (BLOGUE do Valentim em 25out2011) 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

GREGÓRIO Fortunato

E o contrabando de 800 milhões de cruzeiros


Continuação da postagem de 04out.2016


GREGÓRIO retornou tarde à sede da Guarda. Reuniu-se com Américo e Corrêa, ex-agentes de Filinto Müller. Queria saber a respeito das pesquisas que vinham fazendo em torno do ex-chefe e dos jornalistas Samuel Wainer, que dirigia a revista "Diretrizes", e de Carlos Lacerda, orador exaltado, já expulso do Partido Comunista, no que os condutores da DOPS não acreditavam. Para eles, tratava-se de simples manobra de Luiz Carlos Prestes.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Chico Damião, o sangrador de onças


EM TANTOS e tantos lugares deste planeta há daqueles viventes que, ainda que não tenham frequentado bancos escolares, esbanjam sabedoria nos mais diversos assuntos do interesse humano. Sabem de tudo um pouco, e têm resposta para qualquer pergunta. 

Lá pelas bandas do meu rincão não era diferente. E o artista daquela região recôndita do estado do Pará não era outro senão o velho Chico Damião. O velho era quem nas redondezas, tirante o causo da onça, saciava a curiosidade do povo nos assuntos mais variados e intrigantes. Não era o caso de se dizer que em terra de cego quem tem um olho é rei. Não era esse o caso, pois o que ele dizia fazia sentido, dotava-se de lógica irrefutável, levando, de quando em vez, os mais velhos a se questionarem: ou é um exímio mentiroso, desses autodidatas que já leram muito, ou tudo é verdade absoluta. Desconhecia-se de onde aquele velho, baixinho, fanho e meio corcunda, tirara tanto conhecimento. A seu modo era um sábio.

CLÁSSICOS do Valentim

Trio Los Panchos: Quizás, Quizás, Quizás




SIEMPRE que te pregunto,
Que cuando, como y donde,
Tu siempre me respondes;
Quizás, quizás, quizás.

Y así pasan los dias,
Y yo desesperando,
Y tu, tu contestando;

Quizás, quizás, quizás.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

GREGÓRIO Fortunato

Gregório Fortunato e sua fidelidade a Getúlio

E o contrabando de 800 milhões


DURANTE o ano de 1944 a imprensa conseguiu publicar notícias de caráter político sem que o DIP de Lourival Fontes se manifestasse. Os jornais noticiavam as articulações de Vargas para a criação do Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), enquanto que os oposicionistas pregavam a criação da União Democrática Nacional (UDN), agregando os que se opunham ao Estado Novo, fossem eles conservadores ou esquerdistas.

Postagens relacionadas:

O homem que morreu no dia do aviador; e
Vítima de seu próprio sucesso

Mas, com tanta notícia, os jornalistas não deixavam de cobrar o esclarecimento do contrabando de automóveis, que importava na fabulosa quantia de 800 milhões de cruzeiros. E exatamente para tratar disso, é que Gregório se mantinha nas proximidades do lugar onde estava estacionado o Cadillac rabo-de-peixe, de propriedade do capitão Felisberto Teixeira. Madrugada alta, ele apareceu. Gregório saiu das sombras, o revólver apontado, mandou que seguisse para a enseada de Botafogo, na época um lugar bastante deserto. O policial procurou saber de que se tratava. Não parecia alcoolizado; dirigia com segurança.

"O coronel Bejo manda propor um trato. Você esquece a investigação do contrabando de automóvel, a gente não passa aos jornalista e ao presidente o que sabe do vigarista do teu chefe. Caso contrário acabamos com tua raça e a dele!", disse Gregório ao policial militar.
Benjamim Vargas, o Bejo


BLOGUE do Valentim há 5 anos!

De volta ao front


DESEMBARQUEI daquele Pássaro Marrom e cruzei a pracinha. A Escola estava deserta, sendo eu um dos primeiros a voltar; talvez o primeiro. O sol daquele final de janeiro estava na posição de três da tarde.
'Desembarquei daquele Pássaro Marrom

Aquela calma, aquela paz, me fazia retroceder aos seis meses anteriores, com o filme, nem sempre em sequência cronológica exata, da minha vida, evidenciando a mim mesmo os momentos mais dramáticos, por isso mesmo marcantes, desde os exames de admissão até a notícia de que o comandante havia reconsiderado a minha reprovação. Relembrei da chegada naquela noite fria em que dormi na companhia igê, do dia seguinte e das providências de alojamento, armário, material escolar, uniforme e papeladas de alistamento na Fab e matrícula no Curso de Formação. Relembrei também as brincadeiras da turma, tanto com relação à minha pessoa quanto a odos em geral. As dificuldades, as minhas em particular, e as de muitos, em especial, a expulsão dos colegas que foram surpreendidos consumindo droga, fato extremamente marcante que até hoje é comentado entre nós.


(Obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é apenas coincidência)

domingo, 2 de outubro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Sete razões para ser professor



SER PROFESSOR é socializar o saber, é construir, juntamente com o discente, um conhecimento que valorize o meio em que atua. Por isso, destacar-se-ão 7 motivos para incentivar cada vez mais pessoas destemidas e comprometidas a ingressar nessa brilhante carreira.

Leia-os com atenção e anote todos os detalhes:
  

sábado, 1 de outubro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Se Cachoeiro do Itapemirim virasse capital do mundo, substituindo Nova York, uma questão já estaria resolvida. Roberto Carlos ocuparia a posição que um dia foi de Frank Sinatra. A voz não é a mesma, mas ele tem lá seu charme.



UM SITE que acho bacana, o More Intelligent Life, um filhote da revista The Economist, está fazendo uma enquete: qual é a capital do mundo? Diz lá: “Roma, Constantinopla, Nova York já tiveram sua chance.” E agora? Eu achava que Nova York ainda era a capital do mundo, mas se esse pessoal está discutindo isso é porque o reinado deve estar ameaçado. Além de votar em uma das dez mais cotadas, a enquete dá a possibilidade ao leitor de sugerir uma nova cidade. Foi minha chance: propus Peabiru para capital do mundo.

Peabi... o quê? O leitor pode estar se perguntando. Peabiru, a cidade onde esta colunista nasceu. Fica perto de Farol – já ouviu falar? Bem, Peabiru é no Paraná e é bem pequena. Claro que não pode ser capital do mundo, mas não posso perder a chance de pôr o lugar no mapa-múndi. 

(Aliás, nasci em uma cidadezinha que ninguém conhece, levo o sobrenome mais comum do Brasil e fico me arvorando em discutir a capital do mundo. Isso é uma prova de como esse nosso mundo é incrível.)