terça-feira, 29 de novembro de 2016

MAURO Santayana

A Vontade do Império


DIZ o velho adágio que repete, há gerações, a sabedoria popular que quem muito se abaixa acaba mostrando as nádegas - mesmo que as calças sejam de veludo ou de um terno Giorgio Armani.

Implacável na hora de autorizar grampos ilegais, conduções coercitivas, prisões arbitrárias casuisticamente renovadas, contra suspeitos e acusados brasileiros, a justiça nacional pia fino quando se trata de enfrentar a sua congênere norte-americana, para quem muito juiz e procurador, como certos bichinhos de estimação, balança a cauda em viagens para aquele destino, com a intenção de participar de eventos sociais e badalatórios.

FORÇA, Chape!



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

A submissão ao Império personificada ao se tirar os sapatos


“Quem tirou os sapatos, de forma subalterna, não foi apenas o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, mas, sobretudo, o governo entreguista e neoliberal de FHC”. Davis Sena Filho


A NOTÍCIA vergonhosa correu pelo Brasil em 31 de janeiro de 2002: “Ministro das Relações Exteriores Celso Lafer tira os sapatos no aeroporto de Miami”. 

sábado, 26 de novembro de 2016

FIDEL Castro!







quinta-feira, 24 de novembro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Só mais cinco minutos!



NO PARQUE, uma mulher sentou-se ao lado de um homem. Ela disse: – Aquele ali é meu filho, o de suéter vermelho deslizando no escorregador. – Um bonito garoto – respondeu o homem – e completou:
– Aquela de vestido branco, pedalando a bicicleta, é minha filha. Então, olhando o relógio, o homem chamou a sua filha.– Melissa, o que você acha de irmos? – Mais cinco minutos, pai. Por favor. Só mais cinco minutos! 

O homem concordou e Melissa continuou pedalando sua bicicleta, para alegria de seu coração.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

TAVERNARD produz livro sobre Alcino, eterno ídolo do Clube do Remo

APÓS um período morando no Reino Unido, o jornalista Mauro Tavernard retornou em agosto a Belém com um projeto em mente: reunir em um livro a história do atacante Alcino, considerado por muitos como o maior ídolo do Remo. Ele revelou que sua principal motivação é poder valorizar mais a história do clube do seu coração.


Imagem de Alcino que está hoje no acervo de Mauro Tavernard
(Foto: Reprodução/GE na Rede)


Tudo começou quando estava estudando no Reino Unido. Lá, vivenciou o dia a dia de várias equipes britânicas e percebeu que o tratamento com a história é, segundo ele, diferente no Brasil.

"Eu peguei essa ideia do (livro do) Alcino na Inglaterra, porque lá não importa se é o Manchester ou um time da quinta divisão, os times têm uma estátua do melhor jogador, um livro sobre ele, valorizam essa história. Eu vi que aqui em Belém não valorizam tanto. Achei bacana que o Paysandú fez uma estátua do Quarentinha. Por que o Remo não pode ter o mesmo? Não tem como não fazer um livro do Alcino, porque para todo mundo o Alcino é o maior de todos. A história dele é riquíssima", contou Tavernard. 


O que começou como uma ideia já tomou contornos de realidade. Nos últimos meses já foram mais de 80 pessoas entrevistadas, muitas histórias e registros fotográficos reunidos. A perspectiva atual do jornalista é conseguir concluir a obra até maio do ano que vem. Como é um projeto de iniciativa pessoal, Tavernard ainda busca apoio financeiro para conseguir publicar o livro.

"Comecei entrevistando a ex-esposa dele, que me ajuda bastante, e aí tu começa a abrir bastante o leque de contatos, como jornalistas. Eu comecei a caçar e realmente são muitas histórias. Eu, na verdade, organizo as histórias, porque não vivi aquela época, e faço uma obra biográfica. (...) Estou procurando patrocínio, estou fechando com gráficas e já consegui ajuda da torcida mesmo, com uma postagem do Facebook do Remo", revelou o jornalista.
Mauro Tavernard ainda contou histórias sobre o começo da carreira de Alcino, no Rio de Janeiro, e fatos curiosos da vivência dele em Belém, onde ficou conhecido como "Negão Motora". (Fonte: http://globoesporte.globo.com/pa/futebol/times/remo/noticia/2016/11/jornalista-produz-livro-sobre-alcino-ex-atacante-e-idolo-do-clube-do-remo.html )




Tive só um oportunidade de ver Alcino atuando em campo de jogo. Foi no campo do rival listrado, numa peleja que terminou com o placar de 2 a 1 a favor do Clube do Remo.

Por curiosidade vi aquele movimento, resolvi entrar no estádio para ver. Era um jogo entre Remo e Paysandú. Era menino muito pobre e não tinha dinheiro para ingressar em estádio, então aproveitei aqueles quinze minutos finais quando eles abrem os portões para os torcedores saírem, e entrei. Fiquei ali espremido naquele estádio acanhado com bancadas de madeira. Vi Alcino avançando com a bola em direção à meta do goleiro bicolor. Inutilmente seus adversários tentavam lhe dar combate, porém ficaram para trás a ver o Gigante deixar a bola no fundo das rede dos listrados. Alegria do lado azulino; raiva e frustração do lado contrário. 

Assim era Alcino, o maior centroavante que o Norte brasileiro já viu. Igual a ele, jamais apareceu e jamais haverá outro. Suas façanhas ultrapassaram os limites das quatro linhas do campo de jogo, por isso, já não era sem tempo, a eternização de seu nome em livro para que as gerações atuais e futuras conheçam quem foi Alcino Neves dos Santos Filho, o Gigante Alcino, o Negão Motora, ou simplesmente Alcino.

A vida de Alcino, além de livro, dá um grande filme e já imagino na telona a cena em que o Gigante, após driblar a defesa e o goleiro do Paysandú, em vez de simplesmente chutar a bola para o fundo dos barbantes, quase na linha fatal, para surpresa de todos, senta na bola e a empurra com as nádegas para além da meta. Imagino também outras cenas que hoje parecem surreais, mas que para ele era parte de sua vida, era normal e comum. Por isso, nós, azulinos daquela época, o reverenciamos.

Parabenizo o jornalista Mauro Tavernard pela excelente iniciativa. Parabenizo igualmente o grande azulino e memorialista das coisas azulinas Rocildo de Oliveira, que certamente transmitiu ao jornalista seu farto material de pesquisa sobre o maior centroavante que o Norte já viu, o maior ídolo do Clube do Remo nesses mais de 111 anos de atividade.

Ave, Clube do Remo, o Filho da Glória e do Triunfo!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Os gente-boa de Marinha que viram monstros no futebol 


CALMOS fora das quatro linhas, mas monstros quando estão em campo. É impressionante a facilidade que eles têm para mandar o colega tomar caju e de ofender algumas mães. Se antigos, tocam Marinha; se fortes, querem brigar. E assim, seguem achando tudo bonito e normal, em detrimento daquilo que era para ser diversão.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

AGRADEÇO ao bom Deus e a todos vocês!




OBRIGADO a todos vocês, Marinez Romancini, Renata Padilha, Carolina Santos, Clarissa Zanolla, Claudete Casani, Tatiane Sieber, Simone Pascudi, Ana Paula Garboça, Denise dos Santos, Jocemar dos Santos, Aline da Rosa, Ademir da Rosa, Katiane Peleger e Luciane Marchese Favin...

É TEMPO de Natal

TU és, Senhor, o meu pastor. Não me deixas faltar coisa alguma.

Desde sempre e para sempre tu me amas e cuidas de mim. Deste-me os meus pais, e depois meus irmãos.

Ensinaste-me a amar meus irmãos. Também me ensinaste a amar todas as tuas criaturas, sejam elas vegetais, animais ou minerais. Vejo, Senhor. a tua presença por toda a parte. A tua presença está no vento, que refresca o calor do dia, estás na noite iluminada pelas estrelas e  pela lua, também estás no frescor da alvorada. 

Vejo, meu Pai, o teu amor que se manifesta no cantar dos pássaros e no correr incessante das águas cristalinas. Sinto teu poder no verde das matas e no colorido das flores, e também nos animais silvestres.

Vejo teu amor estampado no sorriso franco de um irmão e no olhar inocente de uma criança.

Tu és tudo isso e muito mais, Senhor. És grandeza, infinitude; és quietude. És o brilho das estrelas e a leveza das nuvens...

E, sendo tudo isso, um dia te fizeste maior, sendo um de nós pois vieste a este mundo em forma de uma criança indefesa. 

Obrigado, Senhor.

Feliz Natal a todos. 

sábado, 19 de novembro de 2016

RAUL e outros malucos

Dentadura Postiça, 1973





VAI cair, vai cair, vai cair
A estrela do céu
Vai cair a noite no mar
Vai cair o nível do gás
Vai cair a cinza no chão
Vai cair juízo final
Vai cair os dentes de Jó
Vai cair o preço do caos
Vai cair peteca no chão

Vai sair o sol outra vez
Vai sair um filho pra luz
Vai sair da cara o terror
Vai sair o expresso 22
Vai sair a máscara azul
Vai sair o verde do mar
Vai sair um novo gibi
Vai sair da cara o suor

Vai subir cachorro urubu
Vai subir o elevador
Vai subir o preço do horror
Vai subir o nível mental
Vai subir o disco voador
Vai subir a torre babel
Vai subir o Cristo pro céu
Vai subir a chama do mal

Vai cair estrela do céu
Vai cair a noite no mar
Vai cair o nível do gás
Vai cair a cinza no chão
Vai cair juízo final

Vai cair os dentes de Jó
Vai cair o preço do caos
Vai cair peteca no chão
Vai sair o sol outra vez
Vai sair um filho pra luz
Vai sair da cara o terror
Vai sair o expresso 22
Vai sair a máscara azul
Vai sair o verde do mar
Vai sair um novo gibi
Vai sair da cara o suor

Vai subir cachorro urubu
Vai subir o elevador
Vai subir o preço do horror

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

RAUL e outros malucos

João Penca: Pop Star, 1986



PEGUEI uma onda maneira
Dei "cutback", "hang five, "hang ten"
Eu sou melhor surfista da minha rua

Não tenho saco pra escola
As minha notas sempre são vermelhas
Mas eu não tô nem aí
Arrumo as malas e me mando pro Hawaii

A sua mãe não percebe,
O "feeling" da minha guitarra no dez
E ela vendo a novela no quatro

Acho que ninguém me entende
Me dizem que eu sou "new wave" demais
Eu vou na onda que mais longe me levar, me levar

Me levar...

A sua mãe diz que eu sou vagabundo
E o seu pai é tão esnobe:
"Esse garoto não combina contigo,
A gente arranja pra você bom partido."

Mas quando eu virar um astro
Com a minha guitarra e uma prancha do lado
Eu quero ver na hora do jantar
O seu pai sentado à mesa ao lado de um popstar

E o neto dele tambem vai ser "new wave"
Filho de popstar, popstar é
E vamos todos morar no Hawaii
Tocar guitarra as 3 da manhã
E a vizinhança de cabelo em pé
E da maneira que a gente quiser

CHICO Buarque

Deixa a Menina 





NÃO é por estar na sua presença, meu prezado rapaz
Mas você vai mal, mas vai mal demais
São dez horas, o samba tá quente
Deixa a morena contente
Deixe a menina sambar em paz

Eu não queria jogar confete, mas tenho que dizer
"Cê" tá de lascar, "cê" tá de doer
E se vai continuar enrustido com essa cara de marido
A moça é capaz de se aborrecer

Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher, mil homens, sempre tão gentis
Por isso, para o seu bem, ou tira ela da cabeça
Ou mereça a moça que você tem

Não sei se é pra ficar exultante, meu querido rapaz
Mas aqui ninguém o aguenta mais
São três horas, o samba tá quente
Deixa a morena contente
Deixe a menina sambar em paz

Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher, mil homens, sempre tão gentis
Por isso, para o seu bem, ou tira ela da cabeça
Ou mereça a moça que você tem

Não é por estar na sua presença, meu prezado rapaz
Mas você vai mal, mas vai mal demais
São seis horas, o samba tá quente
Deixa a morena com a gente
Deixa a menina sambar em paz. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

PESQUISADORA denuncia farsa da crise da Previdência Social

COM argumentos insofismáveis, Denise Gentil destroça os mitos oficiais que encobrem a realidade da Previdência Social no Brasil. Em primeiro lugar, uma gigantesca farsa contábil transforma em déficit o superávit do sistema previdenciário, que atingiu a cifra de R$ 1,2 bilhões em 2006, segundo a economista.

O superávit da Seguridade Social – que abrange a Saúde, a Assistência Social e a Previdência – foi significativamente maior: R$ 72,2 bilhões. No entanto, boa parte desse excedente vem sendo desviada para cobrir outras despesas, especialmente de ordem financeira – condena a professora e pesquisadora do Instituto de Economia da UFRJ, pelo qual concluiu sua tese de doutorado “A falsa crise da Seguridade Social no Brasil: uma análise financeira do período 1990 – 2005” (clique e leia a tese na íntegra – livre de vírus).

Nesta entrevista ao Jornal da UFRJ, ela ainda explica por que considera insuficiente o novo cálculo para o sistema proposto pelo governo e mostra que, subjacente ao debate sobre a Previdência, se desenrola um combate entre concepções distintas de desenvolvimento econômico-social.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

CASAMENTO e desgaste

Diálogo de um casal ainda no início da convivência


— FINALMENTE! Custou tanto esperar por este momento.
— Você quer que eu vá embora?
— Não! Nem pense nisso.
— Você me ama?
— Claro! Muito e muito.
— Alguma vez você já me traiu?
— Não! Por quê? Ainda pergunta?
— Me beija?
— Evidente! Sempre que possível!
— Você seria capaz de me bater?
— Você está doida? Não sou desse tipo de homem!
— Posso confiar em você?
— Sim.
— Querido!



Diálogo do mesmo casal aos dez anos de casamento

Basta inverter o diálogo anterior.

domingo, 13 de novembro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Evangelho: O Reino dos Céus é como um homem que ia viajar para o estrangeiro


"O REINO dos Céus é também como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens: a um, cinco talentos; a outro, dois; e ao terceiro, um - a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. O servo que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só foi cavar um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, o senhor voltou e foi ajustar contas com os servos. Aquele que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: 'Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei'. O senhor lhe disse: 'Parabéns, servo bom e fiel! Como te mostraste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da alegria do teu senhor!'. Chegou também o que havia recebido dois talentos e disse: 'Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei'. O senhor lhe disse: 'Parabéns, servo bom e fiel! Como te mostraste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da alegria do teu senhor!'. Por fim, chegou aquele que havia recebido um só talento, e disse: 'Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ajuntas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence'. O senhor lhe respondeu: 'Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu colho onde não plantei e que ajunto onde não semeei. Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence'. Em seguida, o senhor ordenou: 'Tirai dele o talento e dai àquele que tem dez! Pois a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. E quanto a este servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes'." (Mt 25, 14-30) 


Salve Maria! 

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 
(BLOGUE do Valentim em 13nov2011)

sábado, 12 de novembro de 2016

MAURO Santayana

Trump, o dr. Fantástico, e os cavaleiros do Armagedom


IMPOSSÍVEL não pensar na cena final do filme Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) ao descobrir, no "day after" da eleição norte-americana, que Donald Trump tinha sido eleito Presidente dos Estados Unidos.

O filme, do diretor norte-americano Stanley Kubrick, de 1964, aborda com humor e sarcasmo a Guerra Fria e a possibilidade de um confronto nuclear, em um ano em que, por aqui, sofríamos na carne a divisão do planeta; os EUA se envolviam cada vez mais no Vietnã e em golpes sangrentos por todo o mundo; e a opinião pública ocidental estava tomada pelo impacto da construção do Muro de Berlim, e da então recente Crise dos Mísseis em Cuba.

O personagem que dá nome à obra é um cientista "ex-nazista" (existem ex-nazistas?), preso à cadeira de rodas, que, metaforicamente, se levanta dela no final da estória, em uma representação da ressurreição do fascismo que cairia muito bem nos dias de hoje, a começar pela própria eleição de Donald Trump.

O grande ator do filme é Peter Sellers, que faz três papéis, incluído o do Dr. Strangelove. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

REVISTA Exempllo

Capa inaugural

CIRCULA na região de Dois Vizinhos e cidades próximas da região Sudoeste do Paraná, a excelente revista comercial Exempllo.

Uma iniciativa de Elizandra Carlon, a publicação mensal já se encontra em sua terceira edição, com tiragem de 1500 exemplares.

Capa da edição de novembro de 2016

Parabéns pela iniciativa.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

NO TEMPO do ronca


MEUS e minhas, ‘no tempo do ronca’ é um expressão antiga, que as pessoas antigamente usavam para dizer que uma pessoa, coisa ou fato já tinha muitos anos de idade. Eu, em termos de idade, já sou um pouquinho rodado, dobrei o cabo da boa esperança, sou do tempo do ronca. As pessoas dizem que sou mais velho que certo árbitro de futebol que só de minuto de silêncio tinha sessenta anos. Dizem até que fui ajudante de Santos-Dumont. . Pareço muito o Philadelpho, que era velho até no nome, com dois ‘PH’, um no ‘fi’, outro no ‘fo’. Uma vez me ofereceram uma tartaruga para bicho de estimação. Não aceitei: "Não dura tanto tempo. Quando a gente se apega ao bicho, ele morre", justifiquei. 


Apesar da idade, creio que há uma grande dose de maldade dessa gente.Tem até gente até que diz que sou do tempo em que ainda se areava os dentes com Kolinos; do tempo em que se engomava roupa; do tempo da eletrola e do elepê (poxa, faz tempo hein!); do tempo em que taxista era chauffer de praça; do tempo em que um caminhão de verdade era Fenemê e tinha guidão, boleia e manivela; do tempo em que bacana morava em bangalô; do tempo em que o sonho de toda moça era ser miss; do tempo em que rolar um som era só deixar um piano cair ladeira abaixo; do tempo em que ônibus era lotação; do tempo em que fortificante era Biotônico Fontoura; do tempo em que um bom tênis era conga; do tempo em que ratuíno era um produto de má qualidade (hoje é muamba do Paraguai); do tempo em que caldo de cana se chamava garapa; do tempo em que a Regina Duarte era a namoradinha do Brasil (isso também foi há muito tempo, põe muito tempo nisso!); do tempo em que o pobre quando comia galinha, um dos dois estava doente; do tempo em que refrigerante era Grapete (Quem bebe grapete, repete!, lembram?); e não se fazem mais pentes como Flamengo; cueca era ceroula; e as mulheres usavam anágua. As crianças tomavam Emulsão de Scott, óleo de fígado de bacalhau (ahg!) para estimular o crescimento, e... para dor de barriga, nada melhor que Elixir Parigórico, batata!
Os dois textos adiante são do tempo do ronca:


Antigamente se falava assim

“Meus camaradinhas,


Não entendi bulufas, dessa jogada de fazerem o papai aqui apresentar o professor Antenor Nascentes, um cara tão crânio e cheio de mumunhas, que é manjado até na Europa. Já tô até meio cabrero, e achando até que foi crocodilagem do diretor do curso, o professor Odorico Mendes, pra eu entrar pelo cano.

O professor Antenor Nascentes é um chapa legal, é bárbaro e, em Filologia, bota banca. Escreveu um dicionário etimológico que é uma lenha. Dois volumes que eu vou te contar. Um deles é desta idade... mais grosso que trocador de ônibus. O homem é o Pelé da Gramática, tá mais por dentro que bicho de goiaba. Manda brasa, professor Nascentes!” (Correio do Povo, 20 abr. 1966, transcrito pela revista Língua Portuguesa, número 23, 2007, pág. 39). 

“ANTIGAMENTE, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas, sendo que algumas eram até formosas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E, se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai da forca, e não caíam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa, o que não impedia que, nesse entrementes, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passava a manta e azulava, dando às de vila-diogo. Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomavam cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas, e até em calças pardas (ou cáqui); não admira que dessem com os burros n’água.” (C. D. Andrade, Seleta em prosa e verso, pág. 3).



Agora, com licença, que a patroa me chama para dançar uma valsa.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


(Reedição do BLOGUE do Valentim em  1jun2010)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Quem se lembra do beijoqueiro?


José Alves de Moura, o Beijoqueiro

O TELEFONE toca uma vez, duas, três... sete.

-- Alô.
-- Moura?
-- Sim. Quem é?

Informo que é um repórter do Jornal do Brasil, querendo saber se o homem que já beijou o papa João Paulo Segundo, Frank Sinatra e tantos outros vai tentar sorte com Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, no próximo domingo, na Cinelândia.

-- Parei, parei com tudo, não faço mais isso -- surpreende o português J. Moura, 71 anos e muitas, mas muitas, traulitadas de seguranças no currículo.

Pergunto o motivo, e ele desabafa desanimado:
Por que isso, meu Deus?

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

OUTRA questão do ENEM 2016

O Cruzeiro, década de 1960. Disponível em www.memoriavivia.com.br (adaptado)


NO ANÚNCIO, há referências a algumas das transformações ocorridas no Brasil nos anos 1950 e 1960. No entanto, tais referências omitem transformações que impactaram segmentos da população, como a

a) exaltação da tradição colonial.
b) redução da influência estrangeira.
c) ampliação da imigração internacional.
d) intensificação da desigualdade regional.
e) desconcentração da produção industrial.  

BLOGUE do Valentim há 5 anos!

Chico Damião e a sorte de cada um


NAQUELE domingo o relógio dava onze e meia, e eis que ao longe um vulto se destaca no caminho. Por curiosidade ficava eu ali, à medida que o homem se aproximava de casa, querendo adivinhar quem era. Somente quando se aproximou um pouco mais é que pude identificar a quem pertencia a figura que nos visitava naquele domingo.

 O velho Damião! O velho Damião tá chegando!  gritei eu, alvoroçado e faceiro com a expectativa de boas risadas.

O suculento guisado de preguiça real que minha mãe preparava estava quase a ponto de ser servido quando seu Chico Damião, logo após cumprimentar a todos nós, sentou à mesa. Fui, como era costume quando tínhamos visita, a um olhar de meu pai, buscar a garrafa de Cinzano lá no alto do armário da cozinha.

A conversa fluía divertida entre meu pai e o velho, como sempre, e nós – eu e meus irmãos menores – fazíamos todo o esforço para não perdermos uma só palavra. Era certo que muitas coisas do que confabulavam os adultos não estavam ao nível de nossa mente, ainda tão rasa naquela infância quase adolescente. Todavia, procurávamos suprir a lacuna que a vida ainda viria a preencher com perguntas ao velho, que fazíamos nos dias seguintes entre uma e outra enxadada. Nem todas meu pai sabia responder com objetividade, embora se esforçasse para que não ficasse na cabeça daquele menino de onze anos a menor dúvida, considerando a sua pouca idade.

domingo, 6 de novembro de 2016

RAUL e outros malucos

S. O. S, 1974





HOJE é domingo, missa e praia céu de anil
Tem sangue no jornal, bandeiras na avenida Zil

Lá por detrás da triste linda Zona Sul
Vai tudo muito bem, formigas que trafegam sem porque

E das janelas desses quartos de pensão
Eu como vetor, tranquilo eu tento uma transmutação

Ô, ô seu moço do disco voador
Me leve com você, pra onde você for
Ô, ô seu moço, mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí

Andei rezando para totens e Jesus
Jamais olhei pro céu, meu disco voador além

Já fui macaco em domingos glaciais
Atlantas colossais, que eu não soube como utilizar

E nas mensagens que nos chegam sem parar
Ninguém, ninguém pode notar
Estão muito ocupados pra pensar

Ô, ô seu moço do disco voador
Me leve com você, pra onde você for
Ô, ô seu moço, mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí.

sábado, 5 de novembro de 2016

QUESTÃO do ENEM 2016

O CORONELISMO era fruto de alteração na relação de forças entre os proprietários rurais e o governo, e significava o fortalecimento do poder do Estado antes que o predomínio do coronel. Nessa concepção, o coronelismo é, então, um sistema político nacional, com base em barganhas entre o governo e os coronéis. O coronel tem o controle dos cargos públicos, desde o delegado de polícia até a professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de voto.


Carvalho, J. M. Pontos e bordados: escritos de história política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998 (adaptado).

No contexto da Primeira República no Brasil, as relações políticas descritas baseavam-se na

a) coação das milícias locais.
b) estagnação da dinâmica urbana.
c) valorização do proselitismo partidário.
d) disseminação de práticas clientelistas.
e) centralização de decisões administrativas. 




Comentário do BLOGUE:


Ao contrário do que alguns pensam, as práticas clientelistas do coronelismo da Primeira República continuam vivas. Os "coronéis" de hoje, embora não mais com esse título, são os donos de rádio, jornal e televisão, banqueiros, latifundiários, grandes capitalistas, que, a exemplo dos antigos coronéis, continuam a controlar cargos e a influenciar o voto do eleitor menos instruído visando eleger deputados, senadores e governadores. Estes, uma vez eleitos e empossados, atuarão em favor desses "coronéis", deixando, como sempre, o povo à míngua, num círculo vicioso sem fim.

Quase nada mudou desde então. 

CLÁSSICOS do Valentim

Jackson do Pandeiro: Casaca de Couro, 1959 




XÔ, xô, xô, xô
Casaca de couro
Cantando as duas na telha
Cantando as duas na telha.
(coro repete)

Parece um arapuá
Cheio de vara e algodão
O ninho de uma casaca
Não parece ninho não
Parece mais um os parceiros
Dos “pajáu” do sertão.

Em riba do pé de turco
Tem um ninho de graveto
Tem garrancho de jurema
Tem pau branco, tem pau preto
Tem lenha que dá pra facho
Tem vara que dá espeto.

Uma grita, outra responde
Uma baixa, outra também
Parece mulher pilando
Pro mode fazer xerém
Subindo e descendo as asas
Como o seio do meu bem.

Eu nunca vi desafio
Mais bonito, mais iguá
Duas casacas de couro
Quando começa a cantar
Parece dois violeiros
Num galope à beira-mar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

RAUL e outros malucos

Meu Amigo Pedro, 1976





MUITAS vezes Pedro você fala
Sempre a se queixar da solidão
Quem te fez com ferro fez com fogo, Pedro
É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim
Quando quer chorar vai ao banheiro
Pedro, as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

FALEMOS de tempo e saúde, apenas

OUTRO dia compartilhei pelo Facebook uma postagem que me renderam algumas polêmicas, todas raivosas. As pessoas que comentaram protestavam escandalizadas pelo fato de a postagem retratar a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo após ser açoitado e humilhado, como de fato foi - pelo menos para os que, como eu, acreditam nas Sagradas Escrituras. 

A imagem postada, em que mostra o condenado Jesus ao lado de Pôncio Pilatos exibindo uma placa com as razões de sua condenação, traz a seguinte legenda: "Este socialista foi o primeiro preso político da História. Não cometeu crime algum. Foi condenado pelas 'Convicções do Judiciário'." 
A postagem herética

terça-feira, 1 de novembro de 2016