quarta-feira, 24 de maio de 2017

BLOGUE do Valentim há um ano!

Gregório Fortunato, o homem que foi morto no dia do aviador


O CASO que envolveu Gregório Fortunato, nascido a 24 de maio de 1900, é, para mim, um dos mais enigmáticos -- e ao mesmo tempo emblemático -- da historiografia brasileira.

Chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, Gregório -- o preto Gregório, como costumavam chamá-lo os racistas de todas as épocas -- entrou tristemente para os livros de História quando na madrugada de 5 de agosto de 1954 foi morto o major-aviador Rubens Florentino Vaz, que fazia segurança ostensiva ao jornalista Carlos Lacerda, o verdadeiro alvo, que saiu baleado no pé esquerdo. Em inquérito levado a efeito pela Aeronáutica Gregório foi considerado o mandante do crime. O episódio foi a gota d'água para que o Getúlio Vargas viesse a cometer suicídio na manhã de 24 de agosto daquele ano.

terça-feira, 23 de maio de 2017

UMA VÍRGULA faz muita diferença

MUITO já se falou acerca da importância da pontuação para a escrita. Sem a pontuação, cujo elemento mais abundante é a vírgula, certamente muita confusão ocorreria, visto que a língua escrita não tem os recursos de entonação de voz da língua falada. E nesta, quando paira alguma dúvida de entendimento, logo se faz correção. Ademais, se faz necessária a pausa para a respiração.


A clássica frase: ‘Moro só, com um criado’, do romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, sem vírgula, ficaria assim: ‘Moro só com um criado’. Como se vê, uma vírgula muda o sentido da frase.

Um zombador, falando, poderia mudar o sentido de uma pergunta: ‘Esse cachorro é seu, Parente?’ para ‘Esse cachorro é seu parente? Já escrevendo, não poderia sobrevir dúvida, desde que pontuasse corretamente a oração.

Sobre a vírgula, excelente a campanha dos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa.

“Vírgula pode ser uma pausa... ou não. 

Não, espere. 
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro. 

23,4. 
2,34. 

Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.


Ela pode ser a solução. 

Vamos perder, nada foi resolvido. 
Vamos perder nada, foi resolvido. 

A vírgula muda uma opinião. 

Não queremos saber. 
Não, queremos saber. 

A vírgula pode condenar ou salvar. 

Não tenha clemência! 
Não, tenha clemência! 

Uma vírgula muda tudo. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação”. 

domingo, 21 de maio de 2017

CLÁSSICOS do Valentim

João Nogueira: Maria Rita


POR ONDE andará Maria Rita
Que andava gingando com laço de fita
Por quem tenho grande admiração.
É que eu preciso saber onde anda essa pequena
Dos olhos redondos, da pele morena
Que é para acalmar meu coração.

Agora, eu chego no samba, meu peito se agita
Porque sente a falta de Maria Rita
Cabrocha bonita, corpo escultural.
Por isso, eu preciso saber qual o seu paradeiro
Bem antes que chegue o mês de Fevereiro
Sem ela, pra mim, não vai ter Carnaval. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

LIVRO sobre Alcino será lançado em junho

FOLCLÓRICO, irreverente, problemático e artilheiro: características que se encaixam em Alcino Neves dos Santos Filho, maior ídolo da história do Clube do Remo, que a partir do mês de junho terá sua história contada em um livro.


A obra “Alcino Negão Motora, a história do Gigante do Baenão” é de autoria do jornalista Mauro Tavernard e vai apresentar várias histórias sobre a vida do ex-jogador, que com gols e fatos, ficou marcado na história do Leão Azul.

“A expectativa é a melhor possível e o Alcino foi escolhido pelas histórias e o tom folclórico. Com o tempo, vi que o nome dele é muito maior. Há histórias na internet sobre ele que não são verídicas”, disse o autor do livro.

O livro irá custar R$ 39,90 e será lançado no dia 13jun., mas o torcedor já pode adquirir na pré-venda, pelo mesmo preço, e receber em casa, a partir do dia seguinte ao lançamento.

“Que a torcida vá em peso no dia 13jun., para prestigiar o livro. Espero que gostem deste trabalho feito por mim e pela minha equipe, que foi feito com muito carinho”, concluiu.

Informações pelo telefone: (91) 98057-1784.  (REMO100porcento, Belém)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

FELIZ vida nova, Jacqueline!

MAIS uma vez, e desta vez de público, manifesto minha alegria. Jacqueline, uma de minhas filhas, e seu noivo Bruno, tomaram uma decisão de coragem. Vivem agora lado a lado formando uma família. Além de esposos, são, a partir deste último dia 12, um para o outro companheiros, amigos. Esse companheirismo e essa amizade virão necessariamente acompanhadas de fidelidade, lealdade, amor, compreensão. Nem sempre o sol brilhará, sabemos, e nesses dias nebulosos haverá de prevalecer o diálogo franco, para, no final, o amor prevalecer.

Diz a Palavra de Deus: "Feliz o homem que tem uma boa mulher" (Eclesiástico 26, 1). O inverso é necessariamente verdadeiro e muito feliz também será a mulher que tem, a seu lado, um bom homem. 

Felicidade a você, minha filha Jacqueline! E, claro, a você, meu genro Bruno!


quarta-feira, 10 de maio de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: Mustafá, o servo leal


Continuação da postagem de 04maio2017


ALLAHUR abkbar! (Deus é grande!) Retomo, agora a minha narrativa já mais de uma vez interrompida. A lenda do "Burro amarelo, bem amarelo", referida com tanta eloquência e oportunidade pelo erudito calculista Zoraik, foi ouvida em meio do maior silêncio. Duas ou três vezes assaltou-me o desejo de interpelar o narrador e isso acontecia sempre suas palavras feriam pontos delicados de nossa doutrina. Contive-me, porém, e conservei-me imóvel e silencioso, como um túmulo, entre o bom cego e o mestre-escola.

Coube a Zualil, o egípcio, que era, na verdade, o caid el-markahn, a grata incumbência de fazer o elogio do narrador. O nosso amigo, pondo-se de pé rapidamente, ajeitou o turbante,meditou alguns instantes de mãos na cintura, com desembaraço e simpatia, e assim falou:

-- É fácil coroar com rutilantes elogios as narrativas que nos divertem, educam e encantam. Tal é o caso da lenda do "burro amarelo", que acabamos de ouvir. Envolve sábios conceitos, inesquecíveis ensinamentos e judiciosas conclusões. Leva-nos a meditar sobre terríveis malefícios da cegueira espiritual que, embora não atinga os olhos, fecha para sempre o coração. Aquele que não enxergar, por ter cegado para o mundo, tropeça pelas estradas; aquele que é obliterado pela cegueira espiritual, e repele a Lei divina, não pode ter paz na vida, e rola pelos abismos do desespero. Guiemos os cegos de espírito pelas veredas do bem e da verdade. O guia para eles será a salvação. Quero finalizar esta rápida apreciação recordando os versos de um cego - versos nos quais o poeta exalta o poder do amor materno:

Não choro a minha cegueira
Choro a falta do meu guia;
Minha mãe, quando era viva,
Eu era um cego que via

E as palavras de Zualil tinham aquela consonância agradável que o leve sotaque egípcio tornara mais sugestiva.

-- Que lindos versos! -- comentei alçando a voz para que todos me ouvissem. -- E terão, como as encantadoras trovas da "Flor da Saudade", a força mágica que pertuba os homens?

-- força mágica? -- estranhou Zualil arregalando os olhos -- Qahyat en-nébi! Como descobriste força mágica em meus versos?

Era meu dever esclarecer a dúvida. Recapitulei, portanto, ao egípcio, com todas as minúcias, o singular episódio que ocorrera quando voltávamos da casa do corretor Bechara. Contei que um jovem, pobremente vestido, aceitara o convite para ouvir a lenda das "Sete pontas do quadrado". Exigira, apenas, como pagamento duas fatias de pão.E vinha o mendigo, muito tranquilo a meu lado, quando me ouviu declamara os versos da "Flor da saudade":

Saudade, flor que desperta
Tristeza no coração;
Saudades do que se foram
Dos que não voltam mais não!

Com palavras mal articuladas, indagou o rapaz qual era o autor daqueles versos. Respondi como devia, pois não me pareceu justo ocultar a verdade. Operou-se, nesse instante, a força mágica dos versos. O desconhecido atirou por terra o turbante e fugiu a correr como um louco. E tal foi o ímpeto de sua fuga que julgamos impossível tentar evitá-la.

A revelação daquele caso -- que para nós não passava de um banal acidente de rua -- causou em Zualil um abalo indescritível. Cobriu-se-lhe o rosto de alegria. Todo seu corpo tremia. Tive a impressão de que a tatuagem que lhe cobria o dorso da mão esquerda tornara-se mais azulada.

Sacudiu-me pelo ombro com convulsiva energia e interpelou-me febricitante, numa agiração que só um ataque de loucura poderia justificar:

-- Que rapaz foi esse? É mesmo certo que fugiu ao ouvir o meu nome? Onde estava? Ualalu! Quero saber a verdade! O rapaz era moreno? Trazia um punhal na cintura? Como estava vestido?

Assediado pelas aflitivas perguntas do egípcio, senti-me confuso e estonteante. O mestre-escola veio em meu auxílio, e com a maior calma, como se estivesse diante de um discípulo, forneceu ao conturbado egípcio todos os informes exigidos.

Ocorreu, nesse momento, uma cena inesperada que nos deixou no espírito indelével lembrança.

Zualiu, com a face iluminada de intensa alegria, perdeu a compostura e pôs-se a pular nomeio da sala e a gritar como um possesso agitando os braços:

-- Estamos ricos! Louvado seja o sapientíssimo! Estamos ricos!

Havia no estupendo homem o que quer que o arrebatava da realidade para o mundo fictício das alegrias estonteantes.

-- Infeliz amigo! -- deplorei com sincera lástima -- Assaltou-o perigoso ataque de demência! Ouve falar da fuga de um mendigo e conclui que vai receber todas as riquezas do gênio de Aladim!

Olhei para o mestre-escola, para o calculista e para o botânico. Li nas fisionomias que todos eles compartilhavam da minha opinião em relação ao estado mental do egípcio. O cego não se moveu. Permaneceu como estava, sentado no tapete, com a cabeça baia apoiada nas mãos.

Ao notar a estranheja com que recebíamos as suas exaltadas manifestações de alegria, achou Zualil que era seu dever esclarecer aquela cena que tivera por origem a "Flor da saudade". Passeou a mão pela fronte, pelos olhos e impando de satisfação, contou-nos o seguinte:

-- As informações que ouvi dos amigos trouxeram-me a convicção de que esse jovem que fugiu desatinadamente ao ouvir o meu nome -- revelado por causa dos versos -- é o meu servo Mustafá. Como já tive ocasião de contar, em Damasco, sob ameaça de morte, confiei todos os meus haveres a Mustafá e ordenei que seguisse para o Iraque. Combinamos um encontro em certo recanto desta cidade; não nos foi possível, porém, comparecer no dia marcado, e desencontrei-me do homem que conduzia o meu tesouro. Passaram-se muitos meses. Nunca mais o encontrei. Julguei-o morto ou desaparecido. Já havia perdido a esperança de recuperar toda a minha fortuna quando sou avisado de que Mustafá se acha nesta cidade e que foi informado de meu paradeiro. É certo que, dentro em pouco, virá procurar-me.

-- Deixemos de sonhos e devaneios -- objetei com um gesto incrédulo -- Não creio que Mustafá apareça nesta casa! Admitamos que era ele, precisamente, o mendigo que vimos fugir pela estrada. Pela situação miseranda em que o encontramos, faminto e andrajoso, implorando fatias de pão, não devia trazer consigo tesouro algum! é lá admissível que um homem que tem em seu poder várias dezenas de rubis e mancheias de brilhantes, passe privações pelas estradas de Bagdá!? A verdade é outra. Mustafá fugiu porque não desejava avistar-se com o seu amo. Não pretende prestar contas do tesouro que lhe foi confiado.

Zualil franziu o rosto numa negação e recriminou sem titubear, resforçando-se por ser claro e decidido:

-- Duvidas da integridade e das boas intenções de Mustafá? Não acreditas na lealdade do humilde servo? A fuga é perfeitamente justificável. No momento em que recebeu a notícia de minha presença nesta casa, trazia em seu poder o cinto que contem as gemas preciosas. Sem revelar o segredo, correu para ir buscá-lo. Para maior segurança, deixara o tesouro bem oculto em lugar secreto. Fiquem certos de que dentro de alguns momentos ele aparecerá aqui.

E já mais calmo, sempre confiante, o egípcio prosseguiu com gesto bem composto:

-- Grandes males advém para o mundo da falta de mútua confiança entre os homens. Esforcemo-nos por acreditar naqueles que nunca fizeram por desmerecer de nossa confiança. Evitemos os juízos temerários; as suposições caluniosas e infundadas.  Arranquemos de nossos corações todas as suspeitas, inveja e rancor e tudo mais que possa abalar a caridade e diminuir o amor fraterno.

E, depois de ligeira pausa, acrescentou sem se dirigir a nenhum de nós:

-- Logo que Mustafá chegue, entrarei na posse de todo meu tesouro e serei um dos homens mais ricos desta cidade. Quero, pois, demonstrar que sou generoso com os amigos.

Dirigindo-se ao matemático Dorak, declarou jubiloso com um clarão de simpatia na face:

-- Vais receber, meu amigo, quinze mil dinares-ouro e vinte camelos de boa raça. O mesmo presente darei ao mestre-escola, ao preclaro botânico e ao cego que nos acompanhou!

E a seguir voltou-se para mim e disse avigorando a frase com intencional demora:

-- Ao dono desta casa, que tão gentilmente me acolheu, oferecerei, como prova de minha gratidão, trinta mil dinares-ouro e quarenta camelos de boa raça. O dobro precisamente! Lembras-te do que te disse? Estás com a baraka! A fortuna veio ao teu encontro! 

Aquele homem singular, que na realidade nada tinha de seu, imaginava-se riquíssimo e distribuía promessas de ouro por todos nós. Era de admirar a delicadeza de sua sensibilidade e o incomparável primor de seu idealismo.

Fez-se largo silêncio.

De repente, o cego ergueu-se às apalpadelas e declarou, num gesto de espanto, com voz trêmula:

-- Atenção, meus amigos! Alguém acaba de chegar! Ouço passos no jardim!

Corri alvoroçado para a porta que tinha serventia para o jardim, descerrei-a e olhei para fora.

O quadro que caiu sob meus olhos deixou-me estarrecido.

Junto à escada, com sua djalaba esfrangalhada, de joelhos, com o busto inclinado e apoiando as palmas das mãos na terra, estava o jovem que fugira de nós pela estrada. Era Mustafá, o servo fiel. Magro, andrajoso, rosto macerado por grandes sofrimentos, a sua figura inspirava piedade. A cair de fome, exausto de fadiga, viera restituir o tesouro que o xeique o havia encarregado de guarda. O olhar de suas pupilas fundas era o único ponto animado de sua fisionomia quase enegrecida pelo sol do deserto.

Não me ocorrem aqui palavras com que possa descrever a alegria de Zualil. Vimo-lo atirar-se aos braços de Mustafá e chorar como uma criança.

Aquela cena deixou-nos emocionados.

O mestre-escola, sempre sereno e judicioso, ponderou que seria mais acertado limitar, naquele momento, as expansões naturais de alegria. Fazia-se mister, no primeiro momento, socorrer o famélico Mustafá antes que o keif da jornada o abatesse para sempre.

E assim fizemos. Merecia o dedicado servo as nossas atenções. Procurei cercá-lo de todas as honras, pois pesava-me na consciência o feio crime de ter duvidado de sua inquebrantável lealdade.

Aquele jovem era, para mim, uma autêntica figura de lenda. Atravessara o deserto, enfrentara os tremendos gasus, livrara-se dos beduínos e aventureiros, sofrera inenarráveis privações, mas não esmorecera e não claudicara, num só momento, no cumprimento do dever.

Depois de reconfortado com fina e abundante merenda, retirou Mustafá o cinto que trazia oculto sob a túnica. Continha o prodigioso cinto, pela sua parte interna, lindíssima coleção de rubis e brilhantes. Aquelas gemas, vendidas em Bagdá, dariam mais de duzentos mil dinares.

Como eram lindas aquelas pedrinhas vermelhas! Pareciam gotas de sangue cristalizadas. Era um prazer segurá-las e senti-las pesar na concha da mão. 

O único que não desejou sopesar as pedras preciosas foi o cego.

Disse afinal Mustafá, dirigindo-se placidamente a seu amo, o xeique Zualil:

-- Infelizmente não me foi possível trazer a coleção completa. Fui obrigado a desfazer-me de um rubi. Trago aqui oitenta e nove, quando na realidade, ao partir para Damasco, havia recebido noventa.

-- Não importa! sobreveio atencioso o egípcio -- Seria irrisório tomar-se em consideração tão insignificante perda. É possível até que tenha se desprendido durante a viagem.


Fim! 

domingo, 7 de maio de 2017

HÁ 20 anos!

Gol de técnico vale? Remo 3, Paysandú 1,  o último do tabu 33.


"Tabuzão" porque antes,
nos anos 70, houve o "tabuzinho",
 com apenas 23 jogos invicto
 contra o PSC
VÉSPERA de jogo entre PSC e Santos, leio nos jornais que o nosso arquirrival Paysandú fazia quinze jogos que não sabia o que era perder. Doutra vez, seu goleiro fazia não sei quantos jogos sem tomar gol,  e o jornalista, para dar uma dimensão maior ao número, transformou em minutos.

Parece que só eu percebo, faz exatamente vinte anos, a conduta tendenciosa e recalcada de alguns cronistas paraenses nas vezes em que estes se esforçam em divulgar dados estatísticos para os quais antes não se dava a menor importância. Com a paixão prevalecendo sobre a imparcialidade (oh! essa qualidade tão apreciada e cada vez mais rara nos bons profissionais do ramo!), existem aqueles que escrevem com as cores berrantes do clubismo. Passou a ser muito comum - e faz duas décadas que esse fenômeno vem ocorrendo -, exatamente depois daquela sequência memorável em favor do Clube do Remo, muita gente boa da mídia esportiva do Pará exaltar estatísticas e números com dados favoráveis ao time do Paysandú Esporte Clube. O time listrado está a tantos jogos sem perder; seu goleiro está a tantos jogos sem tomar gols; sua defesa..., seu público torcedor etc, etc. Muito pouco importa que, nos números propalados, estejam contabilizados jogos contra times sem expressão ou mesmo amistosos contra equipes semi-amadoras. Existe uma forçação de barra, uma preocupação indisfarçável em divulgar números e feitos, de forma a compensar em parte o notável vexame sofrido vinte anos atrás.  Não há como comparar. Te dizer!

Mas há nessas coisas uma razão séria.  Faço aqui uma comparação:

Sabem o caso do presidiário que, depois de cinco anos recluso, é libertado da prisão? Sua libertação é motivo de grande festa com seus amigos e parentes. Mas, passado um dia, ninguém fala mais no assunto, e falar sobre a cana braba que o indivíduo levou é como falar de corda em casa de enforcado. Vira um tabu: não se fala mais nesse assunto constrangedor.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

REMO e Paysandú: sai neste domingo o campeão do Pará!

Neste domingo, 7 de maio, será a finalíssima do campeonato paraense de futebol de 2017. Havendo empate, a decisão sairá em cobranças de tiros livres da marca do pênalti 





quinta-feira, 4 de maio de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: O burro amarelo, bem burro e bem amarelo  


Continuação da postagem de 24abr2017


... surgiram três panteras
negras, que investiram
ameaçadoras
AO REPOUSAR, como de costume, na soberba varanda de seu palácio, em Bagdá, o califa Harun Al-Raschid foi assaltado por um sonho impressionante.

Sonhou o bom monarca que se achava a deambular sozinho por uma região deserta e sombria. De súbito, surgiram três panteras negras que investiram ameaçadoras. Seus uivos ferozes abriam sombras no silêncio da tarde.

O monarca, vivendo a agitação do estranho sonho, pensou em fugir daquela região sinistra. Era impossível. A seus pés abria-se, escavado nas pedras, um abismo trevoso onde a morte implacável espreitava o viandante incauto. Já as feras se aproximavam arquejantes do rei quando um cavalheiro, poderosamente armado, veio, destemido, em seu auxílio.

O temerário guerreiro tomou o rei em seus braços possantes e o arrebatou dali. Com indizível assombro, observou o rei que as vestes e as pesadas armaduras do djin salvador apareciam cheias de inscrições e figuras matemáticas.

Ao despertar, na manhã seguinte, o Emir dos Árabes, sentindo a nitidez marcante de seu sonho, recordava-se muito bem do cavalheiro que o livrara das panteras; revia-o com sua túnica cheia de números, com seu escudo prateado, onde rebrilhavam arabescos feitos de letras e algarismos. 

Teria aquele sonho, fora do mundo misterioso dos sonhos, alguma significação? A inquietação, com o bater aflitivo de suas asas negras, invadiu o espírito do rei.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

CLÁSSICOS do Valentim

Benito di Paula: Amigo do sol, amigo da lua, 1984



E Ê CRIANÇA presa ê,  brinquedos de trapaças
Quase sem história pra contar

Você criança tão liberta me tire dessa peça,
E assim ter história pra contar

Estrela que brilha em meu peito e me leva pro céu
Em cantos cantigas canções de ninar
Me deixa no galho no galho da lua
No charme do sol pra me despertar

Estrela que brilha em meu peito e me leva pro céu
Em cantos cantigas canções de ninar
Me deixa no galho no galho da lua
No charme do sol pra me despertar


Vem amigo nadar nos rios
Vem amigo plantar mais lirios
No vale no mato e no mundo vamos brincar

Vem amigo nadar nos rios
Vem amigo plantar mais lirios
No vale no mato e no mundo vamos brincar

sábado, 29 de abril de 2017

REMO e Paysandú decidem mais uma vez o campeonato paraense

Neste domingo será o primeiro jogo da decisão. O outro jogo será dia 07 de maio




NO CLIMA de mistério que costuma rondar os grandes clássicos, os técnicos de Paissandu e Remo divulgaram a relação de atletas, mas não confirmaram as escalações para o confronto deste domingo, abrindo a decisão do Campeonato Paraense. No Papão, o mais provável time é o que jogou contra o Santos na Vila Belmiro pela Copa do Brasil: Emerson; Ayrton, Gilvan, Perema e Hayner; Wesley, Rodrigo Andrade e Augusto Recife; Bergson, Alfredo e Leandro Carvalho. Pela manhã, o técnico Marcelo Chamusca comandou movimentação na Curuzu fazendo os últimos ajustes na equipe, com sócios torcedores presentes ao estádio.


No Remo, o técnico Josué Teixeira fez o último treino na manhã deste sábado, com os portões do Evandro Almeida abertos para a torcida. O time deve começar com a formação utilizada no coletivo de sexta-feira: André Luiz; Léo Rosa, Henrique, Igor João e Tsunami (Jaquinha); Renan, Lucas Vítor e Zé Antonio (Jefferson); Gabriel Lima, Jaime (João Vítor) e Edgar. (Fotos: Ascom-PSC e Magno Fernandes) (Blog do Gerson, Belém)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: O guardião cego  


Continuação da postagem de 21abr2017



"A pior cegueira não é aquela que anuvia os olhos,
 mas sim a outra - a que obscurece a alma".

QUANDO Zualil se aproximou do portão, onde eu me achava em companhia dos quatro homens, não pude dominar a minha exasperação. Exprobrei-lhe a forma incorreta e leviana com que procedera durante a minha ausência.

-- Para atender à tua exigência descabida -- disse-lhe com desagrado -- fui com o mestre-escola em busca de três ouvintes para a tal lenda que pretendias narrar; trouxe comigo dois sábios famosos (e apontei para os auxiliares do corretor Bechara); assegurei-lhes que estavas a nossa espera. E qual não foi o meu espanto ao verificar que havias ido, como um cameleiro em dia de folga, vaguear pelos arredores. E o mais grave, ainda, é que esta casa, entregue aos teus cuidados, deixaste, inteiramente abandonada, ou melhor, sob a vigilância inútil de um cego. Não me parece que este homem (e apontei para o cego) que vive mergulhado nas trevas da cegueira, seja o vigia mais indicado para zelar pela moradia e pelos bens de um amigo.

sábado, 22 de abril de 2017

CLÁSSICOS do Valentim

Jorge Aragão: Malandro, 1976






Malandro, eu ando querendo falar com você
Você tá sabendo que o Zeca morreu por causa
De brigas que teve com a lei,


Malandro, eu sei que você nem se liga no fato
De ser capoeira moleque mulato
Perdido no mundo morrendo de amor


sexta-feira, 21 de abril de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: O matemático, o botânico e o mendigo 


Continuação da postagem de 17abr2017



NÃO MUITO longe, numa pequena casa, semi-oculta entre viçosos limoeiros, residia o corretor Chafid Bechara. Era homem corpulento, alto e direito de tronco, de um moreno cor de barro, rosto redondo e olhos vivos. Recebeu-nos em sua sala de trabalho. Amontoavam-se pelo chão amostras de mercadorias, sacos de cereais e caixas a transbordar de sementes.

Mais de uma vez eu tivera a oportunidade de oferecer a Bechara transações bem vantajosas. 

-- que negócio temos para hoje? -- perguntou-me com indisfarçável bom-humor -- algum terreno para vender? Uma boa casa para alugar?

Apressei-me em responder:

-- Não cogito, no momento, de negócio algum. A nossa visita tem objetivo inteiramente diverso. 

E sem mais preâmbulos, pois o tempo me parecia escasso, contei-lhe, tintim por tintim, tudo o que ocorrera em minha casa desde a chegada do egípcio, as singularidades de meu hóspede e a promessa da lenda surpreendente ("As sete pontas do quadrado") que merecia ser ouvida por 5.439 pessoas.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: O burriqueiro surdo


Continuação da postagem de 15abr2017



... e respondeu-me: "As melancias
ainda estão verdes..."
FITEI-O cheio de assombro. Aquele homem singular pretendia pagar as gentilezas e atenções que recebera em minha casa com a moeda mais desvalorizada do mundo: segredos, lendas e conselhos!

Qualquer outro, em minha situação, diria ao forasteiro: "Que me importam as tuas lendas, os teus segredos ou os teus conselhos. Mal avisado vai quem se preocupa com tais baboseiras. Dispenso o teu pagamento. Podes seguir o teu caminho que eu nada mais desejo de ti". 

Julguei, entretanto, indelicado de minha parte tratá-lo assim. Disse-lhe, pois, meio sério e meio risonho:

-- Não há motivo algum para hesitar na escolha. Acabas de pôr à minha disposição um segredo, um conselho ou uma lenda. Que faria eu com o segredo? Nada. Tenho em meu poder centenas de outros que não me proporcionam a menor vantagem e deles não colho um dinar de juros. Guarda, pois, contigo o teu segredo. Não o aceito. Quanto ao conselho, julgo-o mais despiciendo ainda. É a mais comum e amenos valiosa das moedas correntes. Qualquer pasteleiro ignorante, em troca de uma fava seca, oferece-nos uma infinidade de juízos edificantes. Os livros que se amontoam pelas bibliotecas estão repletos de advertências que ninguém segue e recomendações que ninguém ouve. Ora, que faria eu com um conselho a mais a perder-se no tumulto de meus pensares? Prefiro, portanto, a lenda.Aceito-a e desejo ouvi-la.

-- Julgo muito acertada a escolha --- opinou com entusiasmo o mestre-escola. -- A justificação que a precedeu foi magnífica. Vamos ouvir a lenda adorável e profunda que esse nobre amigo vai narrar!

E ajuntou pesaroso:

-- Que pena não termos aqui dois ou três músicos para acompanhá-lo!

-- Iallah! -- acudiu risonhamente o meu hóspede. -- Que pressa é essa? A lenda que pretendo contar-te, como retribuição pelas boas horas que aqui passei, intitula-se "As sete pontas do quadrado" e é uma das histórias mais assombrosas do mundo. Deveria ser narrada para uma multidão que compreendesse, no mínimo, cinco mil quatrocentos e trinta e nove pessoas! Repara bem: essa lenda notável, o maior tesouro literário do mundo, deveria ser ouvida - repito - por 5.439 pessoas! Sei, porém, que esta casa não comporta os cinco mil quatrocentos e trinta e nove ouvintes. Por esse motivo, estou disposto a fazer uma concessão toda especial. Contarei a lenda logo que possas reunir aqui, nesta sala cinco ouvintes.

Iezid, o mestre-escola, riu gostosamente.

-- Pela glória de Salomão! Que extraordinária condescendência! O nosso ilustre e eloquente amigo Zualil concede o privilégio excepcional de narrar aqui, para cinco convidados, a lenda que deveria ser ouvida por 5.439 pessoas! Foi notável a redução feita no total exigido.

-- Torna-se, pois, necessário convidar mais três pessoas? -- insisti com bom humor.

-- De certo que sim -- confirmou Zualil -- vai procurar pelos arredores, ao longo da estrada, no caravançará junto à ponte, nas casas vizinhas, três conhecidos teus e traze-os aqui. Logo que os cinco estiverem reunidos, darei início à lenda.

Pela segunda vez assaltou-me o desejo de despedir o hóspede sem lenda e sem mais conversa. Que capricho tolo! Exigir que o dono da casa saísse a procurar pela vizinhança três pessoas que estivessem, naquela hora da manhã, disposta a ouvir uma narrativa fantasiosa. O melhor seria optar pelo conselho e abandonar a lenda.

domingo, 16 de abril de 2017

CLÁSSICOS do Valentim

Martinho da Vila: Mulheres



JÁ TIVE mulheres de todas as cores
De várias idades de muitos amores
Com umas até certo tempo fiquei
Pra outras apenas um pouco me dei

Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida
Casada carente, solteira feliz
Já tive donzela e até meretriz

Mulheres cabeças e desequilibradas
Mulheres confusas de guerra e de paz
Mas nenhuma delas me fez tão feliz como você me faz

Procurei em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade
Foi começando bem mas tudo teve um fim
Você é o sol da minha vida a minha vontade
Você não é mentira você é verdade
É tudo que um dia eu sonhei pra mim.

sábado, 15 de abril de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: O mestre-escola


Continuação da postagem de 14abr2017


Quando cheguei de volta à sala, tive a surpresa
de encontrar o meu hóspede em companhia de
um desconhecido
EM SEUS olhos claros brilhava uma grande alegria.

-- Não faltava mais nada! -- discordei com veemência -- Onde estaria eu no dia em que permitisse, em minha própria casa, o trabalho de um hóspede? Falemos linguagem singela e nua. Já não basta o que fizeste hoje? A jardinagem ficará para depois; dela encarregarei o meu ajudante. Vamos saborear, agora, qualquer gulodice, que já anda bem alto o sol e o Ramadã ainda não começou.

Convidei-o a voltar comigo à sala; abri a terceira janela e encostei a porta. No centro do tapete deixei o vistoso narguilé de prata, que refulgia como uma joia.

Voltando-me para o meu hóspede num tom não isento de cerimônia, disse-lhe:

-- Tem paciência, meu amigo. Ficarás sozinho por algum tempo. Vou preparar nossos manjares.

CLÁSSICOS do Valentim

Bezerra da Silva: Sequestraram minha sogra




SEQUESTRARAM minha sogra, bem feito pro sequestrador
Ao invés de pagar o resgate, foi ele quem me pagou 


Ele pagou o preço da mala que ele carregou
Ele pagou a paga da praga que ele sequestrou
Ele pagou a mala sem alca que ele carregou
Ele pagou a paga da praga que ele sequestrou 


O telefone tocou uma voz cavernosa pedindo um milhão
Pra libertar minha sogra que não vale nenhum tostão
Ela zuou no cativeiro, mordeu a mordaça e a algema quebrou
E até a bala do meu revólver a capeta da sua sogra chupou 


Ele pagou...

Novamente toca o telefone invertendo a situação
 Se eu recebesse a megera de volta ele me dava o dobro da grana na mão
 Já paguei por todos meus pecados me disse chorando o sequestrador
Vou me entregar a polícia e quando sair serei mais um pastor

Ele pagou... 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: Os dois amigos


Continuação da postagem de 13abr2017


"CHEGARAM, certa manhã, às margens de um grande rio barrento e impetuoso, em cujo seio a morte espreitava os mais afoitos e temerários.

Era preciso transpor a corrente ameaçadora. Ao saltar, porém, uma pedra o jovem Mussa foi infeliz. Falseando-lhe o pé, precipitou-se no torvelinho espumejante das águas em revolta.

Teria ali perecido, arrastado para o abismo, se não fosse Nagib. Este, sem um instante de hesitação, atirou-se à correnteza e lutando furiosamente conseguiu trazer a salvo o companheiro de jornada.

Que fez Mussa?

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Outras postagem sobre Malba Tahan:

O problema dos cinco discos
O caso dos 4 quatros


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Chamou, no mesmo instante, os seus mais hábeis servos e ordenou-lhes que gravassem na face mais lisa de uma grande pedra, que perto se erguia, esta legenda admirável:

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: Um homem singular

Continuação da postagem de 12abr2017

Ergueu para mim o rosto risonho e colocou,
diante de si,  com gestos cautelosos, o
 narguilé que rebrilhava ao sol
SENTI-ME sem ânimo para contrariá-lo. Respondi com uma solicitude um tanto forçada:

-- Com o maior prazer!

Despedi-me do hóspede, desejei-lhe um sono tranquilo e reconfortante e subi para o meu quarto que ficava no pavimento superior da casa. Era uma noite ameníssima.O céu, sem luga, polvilhado de estrelas, deslumbrava com os diamantes de suas constelações. Ouvia-se ao longe o ganir de um cão e guarda.

Pela manhã, ao despertar, tive uma das grandes surpresas de minha vida. Vou contar.

Quando acordei, depois de um sono cheio de inquietação, já bem longe ia a hora do El-fedsjer. Acerquei-me da janela e pus-me a admirar, embevecido, a estada de Bagdá, as tamareiras floridas e, ao longe, a curva prateada do rio. Homens do campo, com seus trajes grosseiros, dirigiam-se para o trabalho: mercadores de melancia e cebola, puxando magríssimos camelos de sela, seguiam o rumo do velho suk. O ar andava impregnado de um frescor de orvalho; cantavam aves alegres em todas as árvores.

Sentia-me, naquele começo de dia, de espírito leve e bem disposto. A claridade suave da manhã era como uma tâmara doce para os meus olhos. O vento trazia-me o perfume de várias ervas.

Lembrei-me de Zualil, o viajante misterioso, o surpreendente aventureiro que eu acolhera como hóspede naquela noite. Teria ele despertado mais cedo para a prece?

Cumpria-me o delicado dever de chamá-lo no mesmo instante e oferecer-lhe ligeira refeição.

Desci. A sala, em que deixara o egípcio, esclarecida por duas das três amplas janelas, estava vazia. A porta que abria para o jardim, apenas encostada, com a tranca fora do lugar, fizera-me compreender que o hóspede já havia partido. Aproveitara-se, de certo, do silêncio da madrugada para retomar sua jornada interrompida.

CLÁSSICOS do Valentim

Benito di Paula: Além de tudo 



VOCÊ ficou sem jeito e encabulada
Ficou parada sem saber de nada
Quando eu falei que gosto de você
Você olhou pra mim e decididamente
Você falou tão delicadamente
Que eu não devia gostar de você
Mas a vida é essa e apesar de tudo
Gosto de você e que se dane o mundo
Quem sabe se nessas voltas que essa vida dá
Voce pode mudar de ideia e me procurar
Vou esperar

Eu vou ficar aqui
Até madrugada voltar
E trazer você pra mim








quarta-feira, 12 de abril de 2017

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: A vida aventurosa do misterioso visitante


Continuação da postagem de 11abr2017


Escondi todas as pedras preciosas  cosidas
  por dentro das dobras do meu cinto
NÃO creio que exista sob o céu de Alá homem que tenha tido vida mais enliçada e incerta. O infortúnio várias vezes com seus golpes imprevisíveis fez-me rolar ferido pelo chão, mas o desânimo jamais pisou-me sobre o corpo. Lutei pela vida; lutei sempre com destemor e constância. Começo por dizer que o meu nome é Zualil Delach. Nasci em Reyâk, pequena aldeia do Líbano. Nessa terra admirável, onde os sonhos vão buscar inspiração na realidade, passei os primeiros anos de minha infância.

As reminiscências desse tempo enchem-me de saudades o coração. Por tristes imposições do destino viu-se meu pai obrigado a abandonar o torrão natal e mudar-se com a família para o Egito, país que perlustrei por 32 anos. Logo que deixei a escola dos ulemás do Cairo, com meu curso completo, dediquei-me ao comércio de jóias e especiarias. A vida errante, entretanto, exercia profunda atração sobre mim. Empreguei-me como guia de caravanas e cheguei a traficar com régulos negros que tiranizavam grandes tribos no interior do Sudão. Com os lucros auferidos de minhas longas e arriscadas excursões pelo interior africano, adquiri extenso e fértil lanço de terra e fiz-me criador de carneiros. Uma peste, que assolou a região, dizimou por completo dos os meus rebanhos. Achei-me, de um momento para outro, reduzido a extrema pobreza. 

terça-feira, 11 de abril de 2017

CLÁSSICOS do Valentim

Adoniran Barbosa: Samba do Arnesto, 1952



O ARNESTO nos convidou pra um samba, ele mora no Brás
Nós fumo não encontremo ninguém
Nós voltemos com uma baita de uma raiva
Da outra vez nós num vai mais
Nós não semos tatu! (2x)

No outro dia encontremo com o Arnesto
Que pediu desculpa mais nós não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa
Mas você devia ter ponhado um recado na porta

ESPAÇO Literário

Malba Tahan: O viajante desconhecido



... quando de mim se acercou
 um viajante desconhecido.
UMA tarde, lembro-me muito bem - corria sobre as terras quentes do Iraque o mês do Babilelaval - uma tarde, achava-me a fumar descuidado à porta de minha casa, observando as andorinhas que diagonavam o céu, quando de mim se acercou um viajante desconhecido. Suas vestes modestas não denunciavam desmazelo; do rosto, manchado pelo pó das estradas, transparecia certa nobreza. Pesava-lhe sobre o ombro esquerdo um fardo escuro apertado por uma correia amarelada e, pendente da cintura, um punhal recurvo.

Estacou, respeitoso, a pequena distância. Inclinou ligeiramente o busto e proferiu (a sua voz deixava filtrar ligeiro sotaque africano) o salã dos peregrinos cairotas: 

-- Seja Alá o teu guia e o teu amparo! Que a alegria brilhe sempre nos olhos de teus filhos e a paz resida perene em teu coração!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

ANTHONY Quinn






QUANDO o mexicano Anthony Quinn, nascido Antonio Rudolfo Oaxaca Quinn, fez "Barrabás" em 1961, já era um ator consagrado em muitos filmes. Quinn foi genro do célebre diretor Cecil B. de Mille, o que ajudou a alavancar sua carreira cinematográfica. Em sua filmografia estão registrados oficialmente 152 filmes.



É o ator que mais interpretou personalidades famosas. Foi Barrabás e o magnata grego Onassis; dentre outros gregos que interpretou está talvez o seu papel mais carismático: Alexis Zorba. Foi o pai de família problemático em "Um Sonho de Reis" e o combatente de "Canhões de Navarone". Foi esquimó em "Sangue Sobre a Neve" (1960), e toureiro em "Sangue e Areia" (1941). Interpretou ainda Átila, o huno, em "Attila" (1954), um corcunda em "O Corcunda de Notre Dame" (1956).


Barrabás em 1961

Ainda em 1956 interpretou o pintor Paul Gauguin, contracenando com Kirk Douglas no papel de Vincent Van Gogh em "Sede de Viver". Foi também um xeique poderoso de uma tribo árabe em "Lawrence da Arábia" (1962) e papa em "As Sandálias do Pescador" (1968).