quarta-feira, 24 de maio de 2017

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Gregório Fortunato, o homem que foi morto no dia do aviador


O CASO que envolveu Gregório Fortunato, nascido a 24 de maio de 1900, é, para mim, um dos mais enigmáticos -- e ao mesmo tempo emblemático -- da historiografia brasileira.

Chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, Gregório -- o preto Gregório, como costumavam chamá-lo os racistas de todas as épocas -- entrou tristemente para os livros de História quando na madrugada de 5 de agosto de 1954 foi morto o major-aviador Rubens Florentino Vaz, que fazia segurança ostensiva ao jornalista Carlos Lacerda, o verdadeiro alvo, que saiu baleado no pé esquerdo. Em inquérito levado a efeito pela Aeronáutica Gregório foi considerado o mandante do crime. O episódio foi a gota d'água para que o Getúlio Vargas viesse a cometer suicídio na manhã de 24 de agosto daquele ano.


Gregório, o crioulo, foi morto na prisão, dias depois em que anunciou que estava a escrever suas memórias. Isto ocorreu no dia 23 de outubro de 1962, Dia do Aviador. 

Coincidência: mandou matar um aviador, morreu no Dia do Aviador. 

Coincidência?

Mas afinal quem realmente mandou matar Lacerda? Ou queriam realmente matar o major Vaz, que lhe fazia segurança, e não a Lacerda? Quem de fato estava por trás de tudo? Gregório tinha algo pessoal contra Carlos Lacerda?

Circunstâncias misteriosas, portanto, envolvem até hoje o "crime da rua Tonelero"; circunstâncias misteriosas envolvem também a incriminação e condenação de Gregório Fortunato; circunstâncias misteriosas igualmente envolvem sua morte na prisão, prestes a dar sua versão definitiva dos fatos.

Nem toda a história é registrada; nem toda a verdade é dita.

Este humilde escriba pôs-se a pesquisar tudo o que há escrito a respeito desse homem que o escritor José Louzeiro chama de "O anjo da fidelidade". Ainda há muito a pesquisar, mas já dar para adiantar que muito há de preconceito -- racial e social -- nessa história toda. Muita inveja de sua posição: um preto semi-analfabeto que abria ou fechava as portas do presidente a empresários, oficiais-generais, políticos...  (BLOGUE do Valentim em 24maio2016, com adaptações)

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