sexta-feira, 2 de junho de 2017

MALBA Tahan


LOGO adiante deram com um jovem magro e muito mal trajado, que, pela barba de quinze dias, mãos calosas e pés deformados, parecia ser pessoa muito pobre. Indagado se aceitaria ir à casa do narrador ouvir uma lenda, o rapaz concorda se lhe dessem duas fatias de pão. "Terás o pão que quiseres", prometeu com ar risonho para incutir ânimo ao famélico. Anexando-se ao grupo, eram naquele momento em número de cinco. 
Éramos, naquele momento, em número de cinco. Não havia tempo a perder.
 Seguimos a passos largos pela estrada.

Ocorre que, ao ouvir uma trova, o jovem paupérrimo tornou-se muito agitado e, não sossegando, quis saber de quem o narrador havia escutado os versos. "Com quem aprendeste esta canção?".  Não compreendendo nada, mas não vendo razão para ocultar a verdade, o narrador disse ao jovem que ouvira da boca de Zualil. Diante disso, o rapaz sai correndo como um beduíno perseguido por um bando de panteras negras do deserto, deixando a atônitos a todos. "Ficamos estupefatos. Para a estranha atitude do jovem não achávamos explicação satisfatória". Para o mestre-escola, o rapaz é um maníaco; já para o matemático, na vida do moço existe um drama. Resignados com a perda de um ouvinte, voltam para casa na esperança de no meio do caminho encontrarem o quinto ouvinte.

Chegando a casa, mais uma surpresa: Zualil estava ausente, deixando um homem cego para vigiar a casa. "A pessoa que se achava nesta casa foi obrigada a partir e pediu-me que aqui ficasse de vigia, até o dono regressar." A inesperada declaração do cego deixou o narrador e dono da casa estupidificado. Se hóspede partira e deixara um cego vigiando a casa. "O tal egípcio não passa de um tratante! As minhas desconfianças não eram, afinal, infundadas!", indigna-se o narrador.


Mas há explicação para tudo e Zualil, logo retornando, tem uma para justificar sua ausência, deixando em seu lugar uma pessoa deficiente visual. 

Essa história contamos em "O guardião cego", postada neste blogue em 24abr2017. Sobre cegueira e todos os tipos de cegos, o matemático Zoraik aproveita para contar a história "O burro amarelo, bem burro e bem amarelo", que postamos em  04maio2017. 

Ao todo postamos dez histórias de Malba Tahan. Finalizamos com "Mustafá, o servo leal", em 10maio2017, em que o rapaz magro e faminto aparece de posse das pedras preciosas. Ele as devolve a seu dono, o egípcio Zualil, que estava dizendo a verdade o tempo inteiro.
Continha o prodigioso cinto, pela sua parte interna,
 lindíssima coleção de rubis e brilhantes


Esse era um homem singular. E o narrador se identifica na 36ª história: é o douto e sisudo vizir Abu-Mussa.  

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