domingo, 13 de agosto de 2017

POR QUE os brasileiros não respeitam Pelé?


NÃO há ninguém que represente melhor a imagem do Brasil no planeta Terra que o senhor Edison Arantes do Nascimento, mundialmente conhecido como o Rei Pelé. Um Rei que, por uma dessas ironias que não se consegue explicar, quis Deus ter ele nascido negro e pobre.

Consagrou-se rei. Não foi consagrado; ele, por sua arte, se consagrou, conquistando primeiro o povo, em cuja boca seu nome era (e ainda é) lembrado; quase simultâneo, a crônica esportiva, com cujos gols e lances geniais se extasiava, também foi por ele conquistada; e por último, o mundo inteiro, por sua realeza. 

No início, Bauru, cidade onde deu os primeiros chutes jogando bola; logo mais tarde, a portuária Santos, do seu querido Santos Futebol Clube; e logo chegava à amarelinha na Suécia, com apenas 17 anos de idade, onde ajudou com seu talento o Brasil a conquistar sua primeira Copa do Mundo.

Muito já se falou em Pelé, esse mineiro de Três Corações, que é dono de extensa biografia. Entre tantos feitos consta que sua presença foi determinante para que um conflito no Congo Belga fosse paralisado. Foi ator, cantor, político...


Pelé, a hégira do futebol 


O esporte se dividiu em "Antes de Pelé" e "Depois de Pelé"; quem viu Pelé jogar e quem não viu Pelé jogar; o gol que Pelé não fez; o substituto de Pelé, que nunca veio;  aos 29 anos, foi primeiro a fazer o milésimo gol e, depois do feito, a marca passou a ser o sonho de consumo de todo futebolista; o autor do gol de placa, expressão que antes inexistia; o imortalizador da camisa 10, como sendo a do futebolista mais talentoso... 

Ocorre que o bom sucesso também traz, em sua contramão, a polêmica, o despeito, o ciume, a inveja. Pelé não seria exceção e paga alto preço por isso. Ora, se uma pessoa anônima tem inimigos, imaginem uma celebridade do nível de Pelé.

Sim, Edison, como todo ser humano, tem defeitos, limitações, problemas de família, atos falhos. E essa humanidade veio a fornecer munição aos seus detratores, que se aproveitam muito bem dessas dificuldades. 

Enquanto estava em atividade, a sua própria carreira vencedora inibia, sua luz ofuscava a ação e a fala de seus críticos, que se mantinham discretos, silentes, porém à espera de uma oportunidade para tentar arruinar sua imagem. O tempo foi passando e o Rei deixou de ser unanimidade. Não no Mundo, que o reverencia até hoje reconhecendo seu feito, mas no seu próprio país, o Brasil, onde o negro fica muito bem em posições inferiores na escala social.  No entanto, Pelé, o Negrão, ousou roubar a cena e ser Rei, e, como tal, pensa, fala, opina, incomoda...

Como celebridade mundial que é, é natural que seja procurado por jornalistas para emitir opinião sobre os fatos, sejam eles circunscritos à área esportiva ou, em geral, como a política e a sociedade. E, como rei, não se furta a opinar. Poderia, como outras pessoas importantes, ter optado por viver isolado, talvez em outro país, gozando de merecida aposentadoria sem ser incomodado.

Mas, como bom brasileiro, que não foge à luta, Pelé está aí, dando a cara à tapa, não se omitindo, não se escondendo, não permanecendo em cima do muro. E suas opiniões são imediatamente repercutidas, lidas, ouvidas, bem recebidas, mal recebidas... 

Se se escondesse, certamente seria tratado de arrogante, esnobe, antipático. De forma que, se correr o bicho pega..., como diz o velho adágio popular.


Assim, até entre seus próprios colegas de profissão, aparecem aqueles que não perdoam Edison por ter sido Pelé.

Há muito sua imagem vitoriosa vem sendo desconstruída. 

Pelo seu inigualável sucesso no esporte e na vida muitos não perdoam Pelé.

Um dia disseram que Pelé teria dito que o brasileiro não sabe votar. O Rei foi alvo de muitas críticas, como não poderia deixar de ser. Pelé teria ofendido o povo brasileiro, esse democrata incompreendido. Não sei se isso é verdade, mas, se disse, Pelé não esteve longe da verdade. O tempo se incumbiu de mostrar.

Outro dia um amigo postou uma notícia sobre uma opinião dada por Pelé. Provocado a falar sobre o juiz Sérgio Moro, o Rei teria dito que fez muito mais pelo Brasil que o citado magistrado. Não sei se é verdadeira essa notícia; penso que não seja. Mas, e se fosse?

Imediatamente essa postagem foi comentada por muitos de forma violenta. É como se dissessem: "Fica na tua, Negão! Guarda para ti as tuas opiniões!".


Esse amigo, indo mais além, adicionou na postagem o seguinte comentário:


"O avô foi escravo. Com 17 anos já estava no mundo. Se virando. Filho de pobre, fez serviço militar obrigatório. Foi soldado. Chutar bola não é cultura, mesmo assim os americanos vieram buscá-lo para implantar o futebol competitivo lá em NY. O esporte americano mudou, hoje é outro, depois de Pelé. O atleta do século, antes do século terminar. 

Só um brasileiro é tão conhecido no exterior quanto ele: o outro mineiro Santos Dumont. 

Esse neto de escravos, que não estudou, não teve estudos e nem foi pago pelo governo para ser bom. Ele foi o melhor no ramo dele, não no Brasil, mas no mundo.

Nunca aceitou fazer propaganda de cigarros nem de bebidas (marketing que mais paga)
Com a fama e pouco estudo as mulheres encostavam nele não por amor, mas para engravidar e tirar dinheiro (como a Cláudia Gimenes fez com Mike Jegue). Você acha que se o filho da Gimenes morrer o mundo não irá colocar a culpa na ausência do pai?

Sérgio Moro ganha muito para ser bom.

Lá na América os Juízes nem dão entrevistas, não se manifestam em Jornais, não dão opinião, pois eles precisam manter a imparcialidade. Você não encontra nenhum Juiz americano indo pelo mundo falando na mídia suas realizações. O caso al Capone, Watergate, o caso Bill Clinton e qualquer caso da justiça americana, ninguém sabe quem foi o Juiz. 

Aqui é o contrário. Sabemos até que o Sérgio Moro, Gilmar Mendes são do PSDB, que gostam do Aécio e que adoram palestras e telinhas. Sabemos também dia Juízes do PT. A opinião do Juiz, aqui, já é mais ou menos anunciada.

Não há nada errado com o nosso Juiz, mas ele evitou servir a pátria como soldado o que já é outro defeito de que os americanos se orgulham. O Juiz americano não dá entrevista, porque lá, ninguém pode se dirigir ao Juiz. Não se pode saber a opinião de quem é pago para ser neutro. Difícil de entender, não?

Viva Sérgio Moro e abaixo o Pelé. Entretanto Não é assim que os estrangeiros pensam. Só aqui no Brasil... ainda bem." 

Mexeu num vespeiro. Em reação a esse comentário e à matéria postada, vieram algumas respostas violentas. Vejam estas: 

Só faltou ao Pelé humildade...quem lembra do caso em que ele não quis reconhecer a paternidade de uma filha que era a cara dele. Ele pode ter sido bom no que se dedicou, mas não foi homem quando precisou assumir seus atos. De que vale ter uma carreira brilhante e não ter dignidade como ser humano.

Não podemos pegar exceções e transformá-las em regras. O fato é que, quanto mais estudo a pessoa tem, melhor e mais útil à sociedade. Existe médico que não é, sim, mas é a minoria.

Primeiro é preciso saber se o Pelé deu realmente essa resposta, porque está num blog, e, se deu, foi extremamente infeliz, para falar o mínimo.

Como dizia Romário : Pelé com a boca fechada é um poeta!!!!!

Depois do que o Pelé fez com a filha, acabou todo o orgulho que eu tinha dele. Pra mim não existe mais. Se sente o poderoso.

Dna comprovou, justiça determinou o reconhecimento.....mas a moça morreu de desgosto, pois tentou inúmeras vezes aproximação com ele e foi rejeitada! Morreu sem ter tido o amor e o carinho de pai! Sujeito cruel!

Eu também sei quem foi Al Capone, e também sei quem foi Pablo Escobar, e sei também quem foi Ma Baker, mas esses conhecimentos nada têm a ver com o Juiz Sérgio Moro, nem vão fazê-lo virar bandido pelo simples fato fato de eu ter conhecimento dos demais bandidos!!!!!

Sou torcedor do clube onde ele se consagrou, e é o maior ídolo do clube até hoje e sempre, não há dúvidas de que ele é o brasileiro mais conhecido no mundo, pois qual é o povo que não se interessa por futebol, vida pessoal e política talvez não, a não ser que seja no seu próprio país. Portanto, dizer que fez muito mais do que o Juiz citado, há exageros pois não há como mensurar atividades tão distintas.


Por que os brasileiros não respeitam Pelé?



Vê-se claramente o ódio nas palavras em destaque. Alguém fala em estudo, mas sabemos que o estudo, a instrução formal, não garante integridade a ninguém. Esquece ele que Pelé é formado em Educação Física, formação de acordo com as atividades esportivas que exerceu -- e muito bem, para dizer o mínimo. Outro, cita Romário, um grande futebolista, mas que esteve longe (bem longe) de Pelé, mas que se outorgou o direito de silenciar Pelé.

Há também, além da questão político-partidária, implicitamente a questão do racismo. E se fosse Zico, muito provavelmente a reação seria bem mais branda; se fosse Aírton Sena, talvez até fosse aplaudido. Mas o crioulo Pelé ousa falar, ousa opinar, ousa dizer o que pensa... Fica na tua, Negão!


E se Pelé fosse argentino ou colombiano?


Pelé seria nome de ruas, avenidas, praças; teria uma estátua em cada cidade, na entrada principal de cada estádio de futebol; milhares de pais teriam dado o nome de Pelé ou Edison a seus filhos; seria declarado pela câmara de vereadores cidadão de cada cidade, estado ou província; em cada escola seus gols seriam constantemente repassados em vídeo para que as crianças de todas as gerações pudessem conhecer seus feitos; seriam sempre convidado também a fazer palestras em clubes de esportes (qualquer das modalidades), também em escolas, colégios e universidades; o rádio teria semanalmente um programa ou sequência dedicado a ele, e a tevê o mesmo; os livros de história também não deixariam de registrar sua glória, por ter levado o nome do país a todos os rincões do Planeta.

Tendo feito muito menos, os argentinos veneram Maradona, fazendo vistas grossas a suas dificuldades e imperfeições.


E se Pelé fosse norte-americano?


Aí sim, os brasileiros o respeitariam. Pelé faria do futebol (soccer, como os cidadãos dos Estados Unidos da América chamam o esporte bretão) o esporte mais popular entre os yankees; Hollywood teria produzido muitos filmes sobre a vida dele, que seriam assistidos por milhões de brasileiros, e a tevê, por sua vez, os exibiria com grande frequência; teria virado personagem de desenho animado e toda criança seria seu fã; haveria camisetas com a sua imagem e seu nome; o número 10 e não o 32 seria um sucesso de vendas, inclusive no Brasil; seu nome, a exemplo do seu xará Thomas Edison (polímata inspirado no qual seu pai o batizou), seria lembrado a todas as gerações futuras por meio dos livros de história americana; possivelmente seria cotado para ser governador de um grande estado americano ou mesmo indicado para concorrer a eleição de presidente dos Estados Unidos. 

O Brasil, enfim, se renderia ao grande norte-americano consagrado como o Rei do Futebol, o Atleta do Século em todos os esportes, idolatrando-o.


E se Pelé, como Ayrton Senna, tivesse morrido jovem?


É possível que sim, que a memória de Pelé obtivesse o respeito que merece dos brasileiros, mas não tão quanto a de Ayrton. Vejam que o notável automobilista brasileiro -- nem sei se podemos chamar de esporte uma atividade em que depende mais da máquina que do homem -- foi três vezes campeão de Fórmula Um, mas idêntico feito também produziu Nelson Piquet, que nem é lembrado, e aí está, vivinho da silva, e também por isso a mídia não reverbera seu nome e seus feitos, igualmente notáveis. Ele, como Pelé, também tem opinião própria, o que acaba por incomodar tanta gente boa. Mas não incomoda mais que Pelé, o crioulo que resolveu ser rei.

Precisamos reverenciar, lembrar, rememorar, aplaudir nossos heróis enquanto estão vivos.

Respeitem Pelé!

Para concluir, apresento um vídeo sobre o Rei do Futebol, o brasileiro Pelé!




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